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A Música, O Silêncio e o Músico – Por Anand Rao

 Em todo lugar há música. No brilho dos olhos, no cio, no amor, no frio, na guerra…

 

 

 

Em todo lugar há música. No brilho dos olhos, no cio, no amor, no frio, na guerra, no homem comendo na lata de lixo, na alma, no coração, e poderia aqui ficar repentindo adjetivos, ou o dicionário inteiro, ou o que não há nele. Há música em mim em todos os poros, ao digitar este texto sinto uma nota de um baixo dissonante, consoante com os acordes de um piano que me ditam o caminho a seguir amanhã, quando seguirei com ela para amar a parte que é de mim. E a quanto tempo a música mora em mim. Todo o tempo. Todas as horas , minutos, segundos, enfim, tudo que há no mundo é música.

 

O silêncio. “In Natura” é música. Mas, aqui é a forma como o músico se porta frente aos outros. Muitas vezes incompreensivo, taxativo, fugaz enfim, querendo mostrar o incomum. Seu coração ao lado do rio, chora, e diz, o quanto queria ser normal. Mas, a sociedade impõe uma anormalidade a ele. Ele tem que ser o que os outros não são. O diferente. O exótico. E muitas vezes ele não quer este esteriótipo e sim quer apenas ser parte singular de alguém. A solidão o contamina, por vezes, dia a dia principalmente o compositor que necessita deste choro, há solidão, a solidão, para compor. Eu não, necessido de todos e adoro compor no palco. Sob a luz e o cio dos olhares, a marca da paixão indefinida, a esquina pista sem esquinas, enfim, o silêncio que revelo, é o músico que não quero, e o silêncio que eu quero, e a música que fala sem som.

 

Outros silêncios. A falta de respeito à profissão por parte da sociedade. Os não famosos, não ouvidos, cantando pelos bares e portas esquecidas de diversos senões e corações. Retratos repartidos, rasgados, plurais e singulares, estes silêncios são a falta de respeito à profissão. Enfim… Os outros silêncios são muitos na luta do respeito à profissão. E quem tem razão, aquele que ouviu uma música e mudou sua vida ou o remunerado que vive da crítica musical. Todos têm razão desde que a emoção esteja presente.

 

O eu músico. Apenas felicidade, ímpar. Composição sempre. Sempre terna, sempre embriaguez sem álcool, ou cheio de arrotos que não se dizem e traduzem descortesia aos ouvidos, como se um violino tocasse num palco e fosse um violão a nos tocar. O músico incansável buscando espaço para sua música, tocando aqui e tentando tocar aí, no teu coração. Sem máscaras, nem nenhum tipo de falta. Sempre aconchego. Sempre lábios. E luto pelo respeito à classe, respeito a tudo, e hoje não toco onde sinto que não sou bem quisto. Chega. A dor da doença me revelou o mêdo ano passado, só toco onde meu coração é fadado ao presente e a um futuro fardado de vida e magia.

 

Hoje é o dia do psicológo através da harmonia, melodia, encanto do som, dia do músico. Que muda tantas vezes e se muda dia a dia, e ao cantar, se diz coração. Há uma palavra que não quer calar e essa palavra, diz, paixão pela minha arte, a de cantar e encantar, como também, alegrar e mudar vidas, entristecer e lembrar passados, enfim, minha arte é o que há, há música onde estou e onde você está.

 

Anand Rao

Músico, Poeta e Jornalista

anandrao@anandrao.com.br

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