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Quarta, 22 Novembro 2017 10:32

Museu da Empatia chega a São Paulo

Instalação que permite experimentar a vida com a perspectiva de outra pessoa será montada no Parque do Ibirapuera, de 18 de novembro a 17 de dezembro

O projeto internacional sediado em Londres é dedicado a desenvolver a capacidade de olhar o mundo com os olhos de outras pessoas. Por meio de experiências sensoriais e situações de diálogo e conexão entre as pessoas, ele busca explorar como a empatia pode transformar as relações, inspirar mudanças de atitude e até contribuir para enfrentar questões como o preconceito e desigualdade.

 

Esta é a proposta de ‘Caminhando em seus sapatos...’, que contará com um acervo de 25 depoimentos na edição brasileira da mostra. São histórias especialmente captadas para conduzir o público a uma viagem empática e sensorial, com relatos que vão da perda à superação, do luto ao amor, do preconceito e exclusão à esperança e inspiração, e refletem os temas diversidade, violência social e direitos humanos, LGBTfobia, gordofobia, educação, cultura, acessibilidade e direito à cidade.

A vivência ocorrerá dentro de uma instalação que faz referência a uma caixa de sapatos gigante, onde o público encontrará pares de calçados acompanhados de histórias de pessoas. Ao escolher um dos calçados, o visitante é convidado a caminhar com o acessório pelo espaço, enquanto escuta o depoimento da pessoa a quem ele pertenceu. A ideia toma partido da expressão inglesa walk in someone’s shoes (caminhando com os sapatos de alguém), para propiciar a experiência de estar no lugar do outro, o que é a essência da empatia.

 

‘Caminhando em seus sapatos...’ é um projeto idealizado pelo Empathy Museum, criado pela artista britânica Clare Patey em colaboração com o filósofo e escritor Roman Krznaric. No Brasil, tem curadoria Intermuseus, que o realiza em conjunto com Artsadmin, com patrocínio GNT, parceria British Council e Instituto Alana e FCB Brasil  como agência oficial.

 

“Será um espaço para ouvir e refletir sobre experiências de vida que tocam em pontos fundamentais de nossos sentimentos, valores, crenças, percepções e atitudes”, explicou Andréa Buoro, diretora do Intermuseus. O título original da exposição – ‘A Mile in My Shoes’ – remete ao provérbio indígena never judge a man until you have walked a mile in his moccasins (nunca julgue um homem até você ter andado uma milha em seus mocassins). Desde 2015, o Empathy Museum coletou mais de 150 histórias e pares de sapatos, tendo recebido um público de mais de 10 mil visitantes. A Mile in My Shoes foi exibida em Londres e em Redcar, na Inglaterra, e em Perth, Austrália. Nos próximos anos, há planos de realizar novas versões da instalação em Namur (Bélgica), Moscou (Rússia) e Milão (Itália).

 

Confira alguns trechos dos depoimentos de ‘Caminhando em seus sapatos...’:

 

"O mais difícil foi que, para priorizar o aluguel, eu passei muita fome. Ou eu pagava o aluguel ou eu comia. Aí, não conseguindo mais pagar o aluguel, eu fui para a rua com as crianças, embaixo do viaduto do Glicério.”

 

“Eu só posso falar do que eu vivo, e escutar do outro aquilo que ele vive. Eu só quero que você veja que é possível a gente existir e ser feliz do jeito que a gente é!”

 

“A dor da minha mãe não é a mesma dor que a minha, como irmã. Minha mãe até o dia de hoje está sentada no sofá esperando o meu irmão entrar porta adentro. O desaparecimento para mim é uma morte sem fim. É uma tortura que não passa nunca mais.”

 

“A família se coloca numa posição de preocupação com o sofrimento. Se você emagrece é a primeira coisa que falam: ‘nossa, como você emagreceu, está bonita, emagreceu!’ Me incomoda de ser pauta, entendeu? Por que você não me pergunta se eu estou bem, o que eu tenho feito, e não me elogia porque eu emagreci? Ser magra não é elogio.”

 

“A coisa que eu mais temi, por 15 anos da minha vida, foi abrir a porta do quarto do meu filho. Era a coisa que eu tinha mais pavor.”

 

"Um dia nasceram três passarinhos aqui na minha casa. E os pais deles abandonaram o ninho. Eu tive que cuidar deles. Aquilo mostrou que eu era alguém: um serzinho acreditava em mim, precisava de mim 24 horas por dia! Ali eu percebi que eu não era uma pessoa tão inútil assim, que eu tinha uma qualidade de poder cuidar dos outros."

  

Serviço

Museu da Empatia – Caminhando em seus sapatos...

Parque do Ibirapuera – Praça das Bandeiras (área externa do pavilhão da Fundação Bienal de São Paulo), acesso pelo Portão 3. De 18 de novembro a 17 de dezembro de 2017, de terça a sexta, das 10h às 19h | sábados e domingos, das 11h às 20h. Entrada grátis | Capacidade de 25 pessoas por vez (senhas distribuídas no local)

 

 Fonte .vidasimples

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