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Crítica Sing – Quem Canta Seus Males Espanta: nunca desista dos sonhos

Dirigido e roteirizado por Garth Jennings.

Vozes originais: Matthew McConaughey, Reese Witherspoon, Seth MacFarlane, Scarlett Johansson, John C. Reilly, Tori Kelly, Taron Egerton, Nick Kroll

Sing acontece em um mundo povoado inteiramente por animais.

Conhecemos a princípio a história de um coala chamado Buster (McConaughey – Um Estado de Liberdade), dono de um teatro, o mesmo que frequentava desde pequeno com seu pai, admirando a estrela dos espetáculos: a então famosa Nana Noodleman. Apaixonado pelo que faz, sua vida gira em torno deste local, o que torna mais evidente ainda pela paleta de tons intensos do vermelho (simbolizando a paixão que possui pelo teatro), e pelo fato de que ele o faz de sua morada.

Ocorre que, com dificuldades financeiras, sem obter êxito em emprestar dinheiro de seu amigo rico a ovelha Eddie Noodleman e prestes a perder o imóvel para o Banco, Buster decide criar uma competição de canto e assim, obter os rendimentos necessários para recuperar seu amado teatro.

Não coincidentemente, cria-se um cenário, no qual se faz referências aos muito atualmente populares realitys shows da indústria musical, tais como The Voice e American Idol, colocando Buster e sua assistente como jurados. Filas gigantescas do lado de fora com pessoas (ou melhor, animais) buscando alguns minutos de fama, processos de seleções intermináveis e até uma cobertura televisiva é realizada para registrar o evento.

Posteriormente, passamos a conhecer os finalistas: Rosita (Whitherspoon) uma porca, dona de casa, mãe de 25 filhos e um marido que trabalha o tempo todo. Sonha em fazer algo que gosta, mas não tem tempo, devido à sua frenética rotina; Mike (McFarlane – Family Guy) um ratinho que incorpora lindas versões de Frank Sinatra, toca saxofone na rua a troco de esmola e tem uma atitude arrogante. Ash (Johansson) é uma porca-espinha que adora punk-rock e vive um namoro conturbado e, ainda, almeja ser reconhecida pela sua bela voz; Meena (Kelly) é uma elefante que mora com sua mãe e avós e é muito talentosa, mas tem pavor de palco e, por fim; Johnny (Egerton) um gorila que sonha em ser cantor, mas seu pai quer que ele continue nos “negócios da família”, qual seja, roubar.

Esses personagens são tão diferentes, mas que, ao mesmo tempo têm um sonho em comum, e, assim, aos poucos descobrimos a importância que este concurso passa a ter em suas vidas. Longe de ser algo distante de nossas realidades, a empatia funciona muito bem já que podemos nos identificar com as suas frustrações e seus anseios.

Em relação aos aspectos técnicos, é inegável que a qualidade da textura e da gráfica mantêm a mesma qualidade das outras produções da Illumination Entertainment, responsável pelos queridos “Meu Malvado Favorito” e o mais recente “PETS – A VIDA SECRETA DOS BICHOS”. Um destaque da direção de Jennings é que ela é muito criativa ao criar transições a partir do rosto em primeiríssimo plano dos personagens. Funcionando praticamente como elipses, eles ficam responsáveis muitas vezes por fazer a ligação entre uma cena e outra.

Grandes referências do próprio cinema são também encontradas ao longo da narrativa como, por exemplo, a libertação de um gorila na prisão e posterior perseguição aérea pela polícia, tal como já foi explorado nos filmes de King Kong; a entrada magistral de Nana descendo as escadas, como na icônica cena de Crepúsculos dos Deuses. Vestida completamente em tons de roxo, esta personagem incorpora exatamente a aura narcísica e de estrela antiga de Norma Desmond e; por fim, ao vilão coelho do já mencionado Pets, cuja personalidade se assemelha em Mike e seu rosto é visto nas máscaras da família de Johnny.

Mas o mais interessante é que Sing é um filme que não possui uma abordagem completamente adulta como “A FESTA DA SALSICHA”, e não alcança um publico exclusivamente infantil como “TROLLS”. Ao contrário, ela consegue conversar com todas as idades, em todos os aspectos. Nele encontramos questões muito sérias sendo debatidas, como, os relacionamentos amorosos degradantes, os conflitos entre pais e filhos, o próprio descaso com o trabalho doméstico das mães, entre outros. Tudo isto é explorado de uma maneira que não chega a ser incompreensível ou grosseiro para os mais jovens. Além disto, o humor contém algumas piadas adultas, sem ser vulgares a ponto de ofendê-los.

A trilha sonora é outro exemplo, na medida em que é bem diversificada: temos elementos atuais que vêm da cultura pop-rock, como Limp Bizkit, Katy Pery e Taylor Swift. Mas passa igualmente pela ópera, música clássica, pelo jazz “Take Five” de Dave Brubeck, “My Way” de Frank Sinatra, “Bamboleo” de Gipsy Kings e uma versão muito bonita de “Hallelujah”. O problema neste aspecto é que apesar dos esforços, não consegue se consolidar como um musical, tendo em vista que não coloca este gênero como sua ferramenta narrativa principal. Ao invés disto, as coreografias e as performances mais importantes ficam por conta do concerto final.

O filme tampouco é bem sucedido na sua dublagem para o português. A versão brasileira conta com um elenco muito célebre com Wanessa Camargo, Sandy e Fiuk. No entanto, se você tem interesse em assistir este filme apenas para ver seus artistas favoritos cantando em tela este talvez não seja o filme ideal. Isto porque as interpretações das músicas ficaram nas suas versões originais, se prestando o referido elenco apenas para as vozes de seus respectivos personagens. Intencionalmente ou não, o fato é que o longa pouco aproveita a habilidade vocal dos dubladores nacionais.

Mesmo assim, algo que se deve prezar é pela linda mensagem que Sing carrega e que também é facilmente relacionável a todos: nunca desista dos sonhos. Persista. E por mais que venha um tsunami para derrubar e destruir tudo, nunca é tarde para reconstruir.

Fonte iconedocinema

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