Dia da iluminação: 194 mil casas no Brasil ainda estão no escuro

Dia da iluminação, comunidade quilombola kalunga

Dia da iluminação: 194 mil casas no Brasil ainda estão no escuro

 

Na data em que se celebra o surgimento das lâmpadas incandescentes, uma parcela da população ainda vive a luz de velas e lamparinas, sem acesso à energia elétrica

Neste dia 21 de outubro, data em que celebra o Dia da Iluminação, milhares de brasileiros têm pouco o que comemorar. Segundo dados do IBGE, 194 mil casas não têm energia elétrica.

São em média 583 mil pessoas vivendo na escuridão, a luz de velas, lamparinas e nas melhores das situações com lanternas. Em pleno século 21, você consegue imaginar a sua vida no escuro?  

 

Dia da iluminação, comunidade quilombola kalunga



Não é preciso ir longe para encontrar pessoas que vivem sem iluminação elétrica desde que nasceram. Há apenas 400 quilômetros da capital federal, na comunidade quilombola kalunga na Chapada dos Veadeiros (GO), centenas de famílias vivem na escuridão. Entre elas, está a de Valdir José da Silva, 56 anos.

 

Tem que fazer o pavio, botar na lamparina, riscar com isqueiro para poder acender a lamparina, para apagar tem que assoprar. Quando acaba o diesel, se não tiver no vizinho, vai ficar no escuro. Tem gente que sofre demais nessa escuridão aí. O dia que não tiver lamparina tem que sair abanando o tisão ou então ter uma lanterninha”, relata Valdir.

 

Na região, desde cedo as crianças aprendem a manusear lamparinas. O que pode aumentar os riscos de acidentes e incêndios, até mesmo porque na maioria das casas o telhado é de palha. Além disso, a fumaça do diesel gera problemas respiratórios e também afeta a visão.

Nessas condições, quando acaba a luz natural, já é mais difícil fazer coisas rotineiras, como refeições e até sair de casa. Sem contar, que as pessoas ficam mais vulneráveis, por exemplo, a picadas de insetos como aranhas e escorpiões e até ao ataque de animais, como cobras.



Pisco de Luz


No cenário de completa ausência do estado, surgem projetos voluntários. Um deles é o Pisco de Luz. Uma iniciativa que surgiu em setembro de 2017 e já beneficiou 108 famílias com um sistema de energia solar composto por uma pequena placa solar, um circuito inteligente, uma bateria de lítio recarregável e lâmpadas de led.

Esse projeto começou a ser desenvolvido na comunidade quilombola kalunga pelo empresário brasiliense André Viegas após conhecer a realidade dos moradores da região, “Já conhecia a dificuldade que eles passam aqui com relação à energia, com relação à internet, comunicação e tive a ideia de pensar numa solução para poder iluminar dentro das casas, fazer algo que fosse possível de aproveitar a energia solar que é abundante no nosso país e usar a energia para durante a noite poder iluminar os cômodos”, explica.

Dois mutirões já foram realizados para instalação dos sistemas, cada uma das ações contou com o apoio de mais de 100 voluntários. Em pouco mais de um ano, 591 pessoas da comunidade kalunga foram impactadas positivamente, 37% delas são crianças, que graças a essa iniciativa não vão precisar repetir a história dos pais com lamparinas.

Apesar dos avanços, ao menos 200 casas da região ainda vivem no escuro. A meta é multiplicar essa luz. Para isso, foi lançada uma campanha de financiamento coletivo.

Os interessados podem contribuir pelo endereço queroapoiar.piscodeluz.org




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