A Preferência do Mercado Financeiro nas Eleições – Por Hugo Studart

A Preferência do Mercado Financeiro nas Eleições

A Preferência do Mercado Financeiro nas Eleições – Artigo de Hugo Studart

 

O mercado financeiro está apostando em Bolsonaro. Na última 5ª feira, a Bovespa vinha patinando… até que surge a notícia da facada e as imagens do candidato sendo retirado vivo. Imediatamente, a bolsa começou a subir e o dólar a cair. Em apenas 40 minutos, até o fechamento, subiu 1 mil pontos, 75 para 76 mil pontos, uma pancada! Ontem, feriado no Brasil, na Bolsa de NY, as ações das empresas brasileiras dispararam, entre 3% e 4% (a Petrobras subiu 4%). É muito para um dia só. A expectativa é a de que a Bovespa abra em grande alta nesta 2ª feira, outra pancada.

 

Isso não significa que os rentistas, banqueiras, especuladores e investidores em geral gostem (ou não) do capitão. Eles não têm coração, mas apenas faro para o lucro. Significa que já “realizaram” o candidato, ou seja, aceitaram a possibilidade alta de sua vitória e passaram a especular com isso. Exatamente como aconteceu com Lula há 15 anos.

Conversei longamente ontem à noite com um velho amigo, especulador financeiro e dono de corretora de valores. Ele é atento à política e muito bem informado sobre os bastidores do mercado. Segundo me explicou, a manada de investidores e especuladores “fareja” sinais e toma decisões instantâneas de comprar ou vender por meio desses sinais.

 

O mercado já vinha há algumas semanas sinalizando a tendência a apostar em Bolsonaro, mas a facada (com a sobrevivência do candidato), segundo tudo indica, foi o sinal que faltava para a consolidação dessa aposta generalizada. A partir de agora, quando ele emitir sinais de fortalecimento, a bolsa vai subir e o dólar vai cair. A recíproca deverá ser verdadeira.

O candidato predileto do mercado financeiro chama-se Geraldo Alckmin. Seria ele, avaliam os apostadores, o mais preparado para o cargo e o que apresenta melhores condições de implementar as reformas estruturais necessárias. Contudo, já aceitaram que não vai decolar por conta de seu alto índice de rejeição e a pecha de sem graça, sem carisma, sem força — o tal Picolé de Chuchu. Desistiram dele, ainda que a contragosto, mas em pragmatismo. Eles gostam muito de Paulo Guedes, ungido com o cargo de primeiro-ministro de Bolsonaro. Guedes é homem do mercado (um deles), entende o que querem os investidores e, fala tudo o que eles querem ouvir.

 

E quanto ao candidato do PT, Fernando Haddad? De acordo com meu amigo especulador, o mercado já “farejou” que nem Lula nem o PT vai se engajar em sua campanha. Não vêem nem Lula, nem a direção do partido, muito menos os petistas de base, trabalhando por Haddad, se engajando na campanha, suando a camisa pelo candidato. Ao contrário, todos os sinais emitidos são de que ele e a vice do vice, Manuela D’Ávila, estão sendo fritados pelo próprio PT.

 

A avaliação do mercado é que a de que Haddad já teria atingido seu teto, o patamar de 15%, que não deve ir para o segundo turno, e que os candidatos petistas a governador, senador e deputados federais devem levar uma grande cacetada. Restou ao partido, avalia, feudos de força somente na Bahia, Piauí e em parte de Minas Gerais (norte do Estado e região de Juiz de Fora).

 

No momento, Ciro Gomes seria a anti-aposta do mercado. Ele é preparado, tem crescido e demonstrado força para chegar ao segundo turno com Bolsonaro. A tendência, avaliam, é a de que Ciro tem maiores chances de arregimentar o voto útil dos eleitores de esquerda e daqueles que odeiam Bolsonaro.

O problema de Ciro é que, apesar de já ter sido ministro da Fazenda de FHC, radicalizou mais do que Haddad o discurso anti-mercado e anti-capitalista. O que mais estaria preocupando os financistas é o fato dele estar aprofundando a bravata sobre limpar o nome dos devedores no SPC. Significa uma promessa séria do candidato, a ser cumprida, de promover o calote no mercado financeiro.

 

Assim sendo, daqui para frente, toda vez que Ciro der sinais de força, a Bolsa deve cair e o dólar subir — em um movimento inverso às notícias sobre Bolsonaro. Quanto a Alckmin, Haddad, Amoedo, Álvaro, etc, ora, ora: a tendência é que seus movimentos nesta reta final de campanha sejam indiferentes aos mercado financeiro.

 

A observar…

 

Hugo Studart

Jornalista

Este material foi publicado como post no perfil particular de Hugo Studart que nos autorizou a publicar no Cultura Alternativa