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Reaproveitar produtos de feiras livres para alimentar população carente

feiras livres

As feiras livres de Guarulhos reaproveitam frutas e hortaliças para alimentar população carente

A prefeitura de Guarulhos, realiza um projeto de reaproveitamento de frutas e hortaliças das feiras livres para garantir a alimentação dos cidadãos.

O reaproveitamento atende aos  mais carentes nos restaurantes populares e nas casas de acolhimento (albergues), além de famílias em situação de vulnerabilidade.

Com a iniciativa, os feirantes são orientados a acondicionar os alimentos em recipientes específicos cedidos pelo paço municipal.

Os alimentos são recolhidos e destinados pela Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social.

Uma parte dos alimentos ainda é utilizada para complementar a alimentação dos animais do Zoológico de Guarulhos.

Os resíduos orgânicos não aproveitados são enviados para a compostagem.

O projeto está em andamento desde o dia 23 de junho, com duas feiras livres.

Segundo a Secretaria de Serviços Públicos, este trabalho permite beneficiar a alimentação das pessoas atendidas pelo projeto e a diminuição da quantidade de resíduos encaminhados ao aterro sanitário.

O Departamento de Limpeza Urbana, em parceria com os feirantes, vai promover palestras de orientação sobre a separação e acondicionamento dos alimentos e resíduos corretamente para que seja feita a destinação ambientalmente adequada e também a limpeza e lavagem das ruas, garantindo o atendimento às normas do Código de Posturas do Município de Guarulhos (Lei 3.573/93).

Com informações da Prefeitura de Guarulhos.

 

Abaixo – Artigo de opinião: A fome é um crime

Não há outra maneira de dizer. Não há atenuante. Em um mundo que produz alimentos suficientes para dar de comer a todos os seus habitantes, a fome nada mais é do que um crime.

Todos os dias, assistimos do conforto de nossas poltronas e a uma distância segura proporcionada pelas telas da televisão o desespero de pessoas pobres e vulneráveis que são forçadas a migrar nas condições mais humilhantes. A maioria delas são provenientes de áreas rurais.

Temos que fazer mais por essas pessoas. Não podemos permitir, nem nos permitir, que elas fiquem para trás.

Fazer vista grossa e não debater as causas mais profundas de como erradicar a fome e a pobreza é algo criminoso. Sabemos como fazê-lo. Sabemos o que funciona. Mas não teremos sucesso se a violência continuar, se os conflitos não terminarem.

Os dados mais recentes da FAO indicam que, após quase uma década de declínio, o número de pessoas afetadas pela fome no mundo aumentou novamente, com 815 milhões de habitantes sofrendo de desnutrição crônica em 2016. Em 2017, 124 milhões necessitaram de assistência alimentar de emergência, em comparação com os 108 milhões de 2016.

Não é coincidência que esses números reflitam uma década de redução gradual da paz mundial, principalmente devido aos crescentes conflitos no Oriente Médioe na África, e seus efeitos indiretos em outras áreas, segundo dados do 2018 Global Peace Index publicado no início deste mês.

Assim, não nos faltam novas evidências: a fome tem aumentado em cenários mais violentos. A relação é direta. É em países como a Síria, Iêmen, Afeganistão, Sudão do Sul, Iraque e Somália que encontramos algumas das maiores taxas de insegurança alimentar. A América Latina também testemunha retrocesso de desenvolvimento – e, em alguns casos, testemunha também o retorno da fome e da exclusão social devido a conflitos internos e à instabilidade social.

Por isso, é um paradoxo notar que os gastos militares globais continuem aumentando enquanto países destinam cada vez menos recursos para combater a fome no mundo.

Precisamos de mais compromisso. Precisamos de mais apoio financeiro para salvar os meios de subsistência que contribuam por uma paz duradoura. Precisamos investir para que as pessoas tenham oportunidades de permanecer em suas terras e que a migração seja uma questão de opção, e não o último e desesperado recurso.

Esta relação é muitas vezes ignorada, mas todos os países devem ter em conta que a paz e o fim dos conflitos são essenciais para reduzir novamente o número de pessoas famintas.

E todos devemos lembrar que a paz não é apenas a ausência de conflito. A paz é uma dinâmica muito mais complexa e permanente das relações entre pessoas e povos em que os alimentos ocupam lugar fundamental.

Os direitos humanos e os povos são valores indivisíveis na construção democrática e fundamentais para alcançar a plena igualdade. Por isso, é urgente que fortaleçamos as condições de vida e trabalharmos pelo desenvolvimento, tanto dos povos como dos pequenos e médios produtores rurais. Apenas assim, eles poderão afirmar seus valores e desfrutar de uma vida digna.

Nesta dinâmica, há algo inquestionável: os mais pobres são aqueles que mais precisam do apoio e da solidariedade do resto do mundo. Somente a partir dessa concepção é que poderemos erradicar a fome e construir uma sociedade mais justa e mais humana para todos.

Por José Graziano da Silva é Diretor-Geral da FAO. Adolfo Pérez Esquivel é Prêmio Nobel da Paz e membro da Aliança da FAO pela Segurança Alimentar e Paz.

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