Filme – Juventudes Roubadas

Filme - Juventudes Roubadas

Filme Juventudes Roubadas

Divididos pela guerra. Unidos pelo amor

As tragédias e penúrias da Primeira Guerra Mundial através dos olhos de Vera Brittain, uma jovem britânica que, depois de superar os obstáculos sociais de sua época para estudar em Oxford, decide tornar-se enfermeira para atender os feridos de ambos os lados.

 

Juventudes Roubadas

 

CRÍTICA: Juventudes Roubadas

Para quem gosta de dramas de guerra, Juventudes Roubadas é um prato cheio. Baseado no livro de memórias da Primeira Guerra Mundial, escrito por Vera Mary Brittain, filme conta a história de uma jovem da aristocracia inglesa (a própria Vera) que vê seu círculo de amizades e também o familiar desmoronar com a chegada da Primeira Guerra.

Vera vive uma vida tranquila na propriedade da família e se mostra uma jovem a frente de seu tempo quando demonstra seu interesse em ingressar na Universidade de Oxford e tornar-se uma escritora. Muito ligada ao irmão Edward (Taron Egerton), é nele que Vera encontra apoio para colocar seus planos em prática; e é justamente no circulo de amigos do irmão que ela conhece o jovem Roland Leighton (Kit Harington) com quem vive um romance cheio de limitações.

Quando a vida de Vera parecia perfeita, eis que irrompe a Primeira Guerra e todos os homens de seu convívio (inclusive Roland e Edward) são enviados para os campos de batalha. Tomada pelo desespero e pela angustia causada pela falta de noticias, Vera abandona faculdade e se alista como enfermeira, na tentativa de ficar mais próxima do irmão e, do agora noivo, Roland.

O diretor James Kent consegue acertar o tom e fugir dos clichês das historias de guerra com uma narrativa descomplicada e sensível. Com tomadas curtas e algumas câmeras na mão ele coloca o espectador como um seguidor próximos dos personagens, principalmente de Vera.

A personagem – brilhantemente interpretada por Alicia Vikander – tinha tudo para se perder na máxima da menina rica com aspirações a rebeldia, mas o que vemos é uma jovem forte, que luta pelo que acha correto sem perder a delicadeza característica da época, e que também não hesita em demonstrar seus sentimentos, não importa em que situação.

As cenas entre os personagens de Vera e Roland são um capitulo a parte. Kit Harington finalmente colocou nas telas o que aprendeu nos palcos da West End e mostrou que sabe fazer outras coisas alem da eterna cara de choro de Jon Snow; dando a seu personagem uma roupagem cheia de sensibilidade, mesmo depois de presenciar os horrores da guerra.

Harington e Vikander convencem como um casal que sofre pela distância nos detalhes. A cena mais intensa dos dois é uma tomada que não deve durar mais que cinco segundos, um simples momento em que Vera cheira o pescoço de Roland como se tentasse guardar na memória o perfume do amado que voltava para as trincheiras; Vikander faz isso com tanta verdade que, naqueles poucos segundos, conseguimos sentir cada uma de suas aflições e seus medos.

Não seria errado dizer que Juventudes Roubadas é um filme cansativo por conta de sua duração; contudo é uma obra muito bem executada. Conseguimos, sem esforço, captar os conflitos dos personagens e suas dores e nos colocamos a imaginar como deve ter sido a vida Vera Brittain após todos estes eventos traumáticos. Sem perceber, nos colocamos em seu lugar em diversas situações.

Com uma fotografia impecável, direção sensível e belas atuações; tenho certeza que se a verdadeira Vera ainda estivesse viva, ficaria muito satisfeita com o que viu em Juventudes Roubadas.