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Sexta, 24 Novembro 2017 11:37

Entre uma taça e outra, por Sandro Schmitz dos Santos.

Pois então, você chega à sua casa e abre uma garrafa de um bom vinho para beber e lê no rótulo: “indicação de procedência”, e, intuitivamente pensa, “com certeza é um bom vinho”.

Bem, provavelmente é, mas este termo não indica propriamente a qualidade, ou, não da bebida, mas, nos fornece outras informações valiosas sobre a mesma. E é sobre essas informações que este breve artigo irá tratar.

Na realidade este é um termo previsto em nossa Lei de Propriedade Industrial, Lei nº 9.279 de 14 de maio de 1996, no que se refere as Indicações Geográficas. Em nosso país possuímos duas modalidades de IG´s: denominação de origem, e, indicação de procedência. A Identificação Geográfica [IG] pode ser definida como: “identificação de um produto ou serviço como originário de certo local, região ou país”. Devemos lembrar, porém, que não se aplica apenas a vinhos, objeto deste artigo. 

A Indicação de Procedência [IP] remete a uma determinada região do mundo que possui uma excepcional reputação como centro produtor de vinho, sendo concedida unicamente com base na fama da localidade como um grande centro de procedência do produto que irá indicar. Não se relaciona com a reunião de fatores locais que integram características geológicas, fisiográficas ou humanas na geração do produto.

No caso da Denominação de Origem [DO], temos a situação contrária, tendo em vista que remete diretamente ao local específico de produção do vinho, é ligado ao seu “terroir”, que pode ser definido como: “a combinação das características peculiares de clima, solo e técnicas de cultivo e produção específicos de uma localidade (tão grande quanto uma região ou pequena quanto um vinhedo) que transmitem ao vinho um aspecto singular”. Tendo claro o que é “terroir” fica mais simples compreender a Denominação de Origem. 

A Denominação de Origem indica que o produto, em nosso caso o vinho, tem sua origem em uma região específica, com características especificas. Mas, vamos ainda mais longe nesta IG. Para se obter o direito de ostentar esta IG o processo junto ao INPI no Brasil, e suas instituições congêneres nos outros países, é realizado por associações, que estabelecem processos detalhados para que a IG seja concedida. Por exemplo, os Chianti italianos devem possuir em sua produção, no mínimo, 80% de uvas Sangiovese. Apenas assim poderá ostentar a prestigiada Denominação DOCG.

Óbvio que este breve ensaio serve para, unicamente, chamar atenção sobre uma curiosidade importante para todos aqueles que gostam de um bom vinho, assim como aguçar a curiosidade sobre o tema para quem goste de buscar mais informações. Claro que sugiro fazê-lo com uma boa taça de vinho. E, para encerrar, por que não lembrar Platão que afirmou: “O vinho é o medicamento que rejuvenesce os velhos, cura os enfermos e enriquece os pobres”. 

 

1 Comentário

  • Link do comentário Anand Rao - Editor Cultura Alternativa Sexta, 24 Novembro 2017 16:20 postado por Anand Rao - Editor Cultura Alternativa

    Aprendi muito com artigo. Fiquei encantado com a forma fácil e singular da escrita do senhor Sandro Schimitz. Depois deste sempre lerei o rótulo e buscarei o melhor para minha degustação com relação ao vinho. E não só sobre o vinho, mas, sobre qualquer produto alimentício.

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