Portuguese English Spanish
Quarta, 08 Novembro 2017 09:13

‘O Diário de Anne Frank’ ganha versão em quadrinhos feita por israelenses

Seu diário, um dos registros mais conhecidos do Holocausto, será transformado em história em quadrinhos.

No mesmo ano em que passeatas racistas ocorreram nos EUA, com arroubos de antissemitismo, Anne Frank (1929-45) voltará às prateleiras.

O livro foi apresentado em Paris nesta quinta-feira (7), 70 anos após a publicação do original. O gibi será lançado em 50 países. No Brasil, o título será distribuído em 2 de outubro pela editora Record.

A adaptação foi feita por dois israelenses, o ilustrador David Polonsky e o cineasta Ari Folman. A dupla já havia trabalhado junta no filme “Valsa com Bashir” (2008), sobre a guerra no Líbano.

Folman, um filho de sobreviventes do Holocausto, trabalha simultaneamente em uma adaptação do diário para um filme de animação.

A dupla inicialmente rejeitou a oferta de trabalhar com o clássico de Anne Frank, a partir do qual tantos outros produtos culturais já tinham sido lançados, como filmes, mangás e musicais.

Polonsky e Folman foram convencidos mais tarde pela importância da história. Os últimos sobreviventes do Holocausto vêm morrendo e, com eles, seus relatos. Mas o antissemitismo persiste.

A alemã Anne Frank testemunhou a ocupação nazista da Holanda durante a Segunda Guerra (1939-1945).

Naquela década, judeus foram detidos, enviados a campos de concentração e sistematicamente assassinados —fuzilados, cremados, asfixiados em câmaras de gás (“talvez seja o modo mais rápido de morrer”, ela escreveu). Estima-se que 6 milhões de judeus tenham sido mortos.

Anne Frank viveu essa história de 1942 a 1944, escondida com a família no anexo de um apartamento em Amsterdã, confidenciando a um diário ao qual chamava de Kitty (“você será minha melhor amiga, como nunca tive na vida”). Estão ali os detalhes banais de seu cotidiano, como as brigas com a irmã, mas o livro registra também as angústias de uma garota vivendo a violência do nazismo.

Anne Frank dorme mal, e sonha em repetidas noites com o futuro nas mãos do regime de Adolf Hitler. Sua família foi capturada em 1944, e ela morreu em abril de 1945, no campo de concentração de Bergen-Belsen, Alemanha.

O texto foi descoberto, editado e lançado em 1947 por Otto, seu pai e único sobrevivente da família, que criou uma fundação com o nome da filha. Ativa ainda hoje, a fundação, aprovou a adaptação do diário aos quadrinhos. Em outras ocasiões, a entidade recusou sua chancela por preocupação com a fidelidade histórica de novas versões.

Não são abundantes as boas adaptações literárias para gibis, e neste caso havia o agravante de se tratar de um diário, formato pouco visual. Mas a HQ de “Diário de Anne Frank” faz jus ao original.

O texto foi reduzido pelos artistas israelenses e transformado em ilustrações, mas não perdeu o frescor da perspectiva de uma criança —ela tinha 15 anos ao morrer— diante das atrocidades que marcaram o século 20.

Ao jantar, Anne Frank ouve a notícia de que a princesa Juliana espera um bebê e se imagina no meio de uma fanfarra. As ilustrações acompanham o sonho.

Mas, na cama, “os maus pensamentos se insinuam”, ela escreve. E os artistas desenham Anne Frank deitada em cima de um Exército enquanto um trem e um furgão passam carregando detentos, engolidos pela fumaça.

 

Diogo Bercito, na Folha de S.Paulo

 

Deixe um comentário

Receba nossas atualizações e notícas

Todos os direitos reservados Portal Cultura Alternativa. Site por Alvetti.com