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“Mata”, nova exposição na Casa Azeitona em Belo Horizonte.

Mata, nova exposição na Casa Azeitona

Mata, nova exposição na Casa Azeitona em Belo Horizonte.

No próximo dia 28 de julho inaugura a segunda mostra coletiva do novíssimo espaço cultural Casa Azeitona.

“Mata” reúne obras de Fernanda Jacques, Noemi Assumpção e Hélio Lauar. E como a casa foge do comum, no dia não tem vernissage tradicional, mas sim um encontro da arte com a gastronomia.

Por lá, o chef Américo Piacenza prepara um Arroz Ahumado (com carnes defumadas).

 

Mata, nova exposição na Casa Azeitona

 

“Mata” fica em cartaz até o dia 17 de agosto.

 

Serviço

“Mata”, coletiva de Fernanda Jacques, Noemi Assumpção e Hélio Lauar

Local: Casa Azeitona – rua Oliveira, 140, Cruzeiro

Abertura: 28 de julho, das 14h as 22h

Visitação: Até 17 de agosto, de segunda a sexta, das 14hs às 19hs

https://www.facebook.com/casaazeitona

https://www.instagram.com/casaazeitona

 

Sobre a exposição Mata, nova exposição na Casa Azeitona 

 

MATA é uma palavra mestra, que percebe a transcendência dos objetos. É preciso ir além da aparência.

 

Os objetos não são os objetos, eles pedem sentido. Quando os objetos se aproximam, eles exigem discurso, existe tensão na convivência, espaço para o verbo, elástico para o léxico. O poder mágico desencadeado pelos objetos, no seu enquadramento expositivo, faz surgir o lugar que o artista que tem de si, e o lugar onde ele se movimenta.

 

Pode-se também afirmar que a obra destes artistas estabelece laços com a secreta verdade dos apreciadores, através de uma poética sensível, capaz de a um só tempo: captar e exprimir o que de fundamental povoa a existência. Fernanda

 

Jacques, Helio Lauar e Noêmia Assumpção não se deixam tomar pela tendência de narrar episódios vivenciais banais ou burgueses. Eles tomam a existência enquanto acontecimento trágico, até mortal, associado à violência.

 

Ainda assim, a vida e a morte são sempre eróticas. Nos trabalhos expostos há uma tentativa de falar do mundo onde ele se recolhe e se subtrai, colocando a arte no lugar inquieto do desvelamento sutil.

A matéria enigmática ou aparentemente conhecida se presta ao encoberto, ao mínimo deslocamento, onde se faz ver o invisível, escutar o inaudito, apreciar o impossível e seus efeitos de vazio e silêncio.

 

“Se não houvesse amanhã” (Fernanda Jacques)

 

Fernanda nesta exposição é fotógrafa. O trabalho são séries de fotografias que a artista está mostrando pela primeira vez. “O tema é relacionado com a crise política como gatilho de processos depressivos tanto individual como coletivo”, explica.

 

Ela fotografa três intenções: a fenda, o resto (o que sobra de toda subtração), e a pretendida obturação da fenda. Sua estratégia estética é a opacidade do olhar que viu o sol na sua plenitude e na sua falta, a um só tempo. Usa do aparelho na sua mais elementar lição: o balanço do branco. Ela o engana com o branco. Mata a coisa. O objeto fotografado se perde em retorno mágico: é linguagem.

 

Fernanda Jacques engana o aparelho de fotografar como o branco, delimita a falta, festeja seus restos, e vez por outra fecha os olhos, recobre em dura arquitetura o que falta, mas não se esqueça jamais que o artifício é vão, é mera cicatriz, e que o que prevalece é névoa-nada.

 

“Afogado em perfume (Helio Lauar)

 

Helio Lauar se preocupa com o resgate das subjetividades. Ele se vale de ferramentas tais como o tempo e sua duração, o espaço e sua organização, apenas como álibi para circunscrever ficcionalmente uma temporalidade e um espaço subjetivo, disponível ao uso, não datado, transitório, interrompido, anônima, e ao mesmo tempo particular, íntimo.

 

Neste espaço de deslocamentos, surgem tensões e um conjunto de tramas e intrigas que a escrita não arquiva, mas celebra por meio de relações forjadas na intersecção de heterogêneas práticas narrativas, que permitem a apropriação destas séries históricas singulares e raras.

 

Ao circular pelas superfícies, fotográficas, escultóricas, instalacionais, o olhar tende a voltar sempre para elementos preferenciais. Tais elementos passam a ser centrais, portadores preferenciais de significância.

 

Deste modo, o olhar vai estabelecendo relações de sentido. Este tempo assim produzido e diferente do diferente linear, o qual estabelece relações causais entre eventos. Estamos diante de um tempo mágico que se faz no aposteriori, com suas características mutáveis, das relações reversíveis, onde os contrários não apresentam oposição.

 

“O leite desordenado” (Noemi Assumpção)

 

O interesse pelas pressões psicológicas e sociais de TER que ser: mulher, mãe, esposa, filha, irmã, modelo / manequim, vegetariana, sem glúten, sem lactose, bem sucedida, analisada, vitaminada e feliz, uma vez articulada ao humor, por vezes ácido, passa a caracterizar a maioria das imagens criadas.

 

Juntamente com os excessos ou o branco, seja do papel ou do próprio espaço, essas imagens representam as diversas tentativas de preenchimento do vazio existencial, nesse “fazer caber” social normativo contemporâneo.

 

Nessa perspectiva, busco através das variantes da minha expressão artística, discutir o consumismo desenfreado e todos os impactos e decorrências que ele têm proporcionado à sociedade em geral no âmbito visual. Assim sendo ” meu olhar se debruça nas questões psicológicas, sentimentais, sociais e relacionais, que a violenta exposição ao consumo, tem nos ajudado, nos excitado e nos escravizado.