O que fazer na região de Provence – Por Claudia Dias

Caminhos e descaminhos na França, O que fazer na região de Provence

Nossa leitora a Claudia Dias, viajou para a França e nos trouxe relatos e andanças por este Pais.

A viagem da Claudia a Franca ocorreu em  fim de abril de 2018.

 

O que fazer na região de Provence

 

Caminhos e descaminhos na França – Avignon

 

Dia da chegada em Avigon – transporte

Ao chegar, vimos que os ônibus param numa pista, debaixo de umas árvores, já nos deparamos com o desafio de atravessar uma calçada de cascalho e uma pista com as malas e não vimos táxis. Perguntamos para o motorista do ônibus, mas ele também não sabia.

Nossa opção seria chamar um Uber, o que nos deixou eufóricas e aliviadas quando vimos pelo aplicativo que tem Uber na cidade, então chamamos e aguardamos por uns 40 min! O motorista, Zakaria, ficava dando voltas e depois ficou parado por um tempo sem nos encontrar, fizemos contato em francês, usando o google tradutor, para dizer onde estávamos, depois de um tempo chegou e nos falou que estava do lado de dentro da cidade, do outro lado da muralha, o que cheguei a imaginar!

Ele foi muito educado e simpático e nos conduziu até nosso local de hospedagem! Como ele não estava encontrando, foi proativo e gentilmente ligou para o nosso contato e nos levou até lá.

A cidade é pequena, com ruas estreitas e trânsito. É cercada por uma muralha com portais para entrada e saída de carros e pedestres. Por causa da altura das casas e monumentos em ruas muito estreitas, o sinal do satélite do GPS fica prejudicado, por isto o aplicativo do motorista do UBER não estava atualizando em tempo real. Como em outras cidades, não é necessário alugar um carro em Avignon, andamos à pé e de trem ou metrô, que são fantásticos.

Não foi nossa opção viajar de ônibus, mas vimos que é muito melhor viajar de trem, pois, além do conforto dos vagões, saem e chegam nas estações, onde tem uma estrutura incomparável! Em Paris os ônibus também saem do estacionamento em frente à estação, sem nenhuma cobertura, ou seja, sob o sol, chuva, frio ou calor.

 

No dia em que chegamos fomos dar uma volta pela cidade, que é bem agradável, e fazer umas comprinhas! Compramos queijos especiais maravilhosos, champanhe e vinhos muito bons e tudo muito barato.

Caminhos e descaminhos na França – Hospedagem

My Pad Provence 2

Nos hospedamos num Apartamento muito bom, uma graça e muito bem equipado com utensílios domésticos, cafeteira expresso, maquina de lavar roupas, lavar louças, com pratos, talheres, taças e etc… vimos aquecedores em todos os cômodos, mas não vimos ar condicionado, embora seja informado no site em que reservamos.

Mas o apartamento tem uma temperatura bem amena que nas ruas e grandes janelas, mas no verão é bom confirmar, porque em abril era pra estar frio e fez muito calor, o sol está muito quente e só refresca após escurecer, por volta das 21h, imagina no verão! Pelo site está informando que há duas camas, uma de casal e uma de solteiro, mas encontramos um quarto com uma cama de casal e um sofá cama de casal na sala, que também tem um certo conforto!

Caminhos e descaminhos na França – restaurante

No primeiro dia jantamos um delicioso risoto de camarão, gigantes, num restaurante que fica numa pequena praça próxima ao nosso Apto e, claro, com uma taça de vinho! O nome é Cafe Restaurant La Scene.

Ao chegar no ap, enquanto organizamos nosso roteiro do dia seguinte,  curtimos um vinho e queijos deliciosos que compramos.

No dia seguinte chegamos por volta das 22h, então já havia encerrado o horário de refeições, inclusive nos restaurantes que ficam ao lado do La Scene, aí tivemos que ir numa pracinha da cidade onde tem alguns bares e restaurantes, mas apenas um ainda servia refeições. Estávamos famintas, pois havíamos passeado o dia todo pela Provence, em 3 cidades e uma abadia no meio do campo, até quase o sol se pôr! E foi um dia maravilhoso, muito feliz!

Como gostamos do restaurante do primeiro dia, no terceiro dia voltamos ao La Scene para jantar! Achamos a comida mais elaborada e com um pouco de tempero, mas as carnes vem sempre sem nenhum tempero e nem sal, mas colocam sempre sal e pimenta do reino à mesa e nunca, em lugar algum, tem azeite! Pagamos 25€ por um filé nobre, com acompanhamento, uma generosa taça de vinho e sobremesa! Até então, gostamos mais da comida de Avignon!

Caminhos e descaminhos na França – Passeio pela Provence ou Provença

Abadia Notre-Dame de Sénanque, Gordes, Roussillon, L’isle-sur-la-Sorgue, Chateauneuf-du-Pape e Villeneuv-les-Avignon

Aluguem do carro

Usamos Avigon como base! Alugamos um carro, cuja reserva já fizemos no Brasil, pela Hertz, porque já havíamos alugado carros por esta empresa! Depois de andar até a estação Central de Avigon, pegamos um trem para outra estação, onde ficam as locadoras e os pátios com os carros.

Aí achamos que já estava tarde, pois já passava das 11h, decidimos cancelar a reserva e alugar somente para o dia seguinte, bem como pegar e devolver o veículo na garagem central.  Depois de um tempo, fomos informados que teríamos que ligar num determinado número para cancelar e depois fazer outra reserva, sendo que não tínhamos como ligar e ainda tinha a barreira da língua. Procuramos a Avis, ao lado da Hertz, para fazer tudo ali, mas o aluguel seria somente pela internet, então desistimos!

Depois de voltar à estação, comprar o ticket para voltar ao centro de Avignon,  falei com minha amiga para repensarmos, e ela concordou, que seria melhor pegarmos logo o carro e fazer alguns passeios naquele dia. Foi um daqueles toques de anjo! Foi a melhor decisão! Pegamos um mini, 500c, da Fiat, todo equipado, com capota conversível, por 240€, e Iniciamos nosso passeio felizes! E a partir daí já esquecemos todo estresse!

Já fizemos a viagem com as dicas de cidades/lugares que pegamos pela internet, mas toda noite sempre decidimos nosso roteiro do dia seguinte. Então estudamos rotas, distância e locais a serem visitados. Já saímos do Brasil com um cronograma e roteiro para cada dia da viagem.

Decidimos então ir à Abadia Notre-Dame de Sénanque, a  41 km de Avignon, e à Gordes! Como a estrada estava interditada, nossa rota foi por outro lado e de repente nos deparamos com Gordes, linda, construída num penhasco. Paramos e fomos andar pela vila. Todas as casas são construídas com pedras. A vila é toda de pedra. Admiramos e curtimos muito aquele lugar tão inusitado! De Gordes fomos até a Abadia, 4,9 km, curtindo as estradinhas e a natureza!

A Abadia fica numa baixada e a vista é linda. Pena que os canteiros de lavanda, em frente, estavam secos. A Abadia é simples por dentro, sem nenhum luxo e praticamente vazia, sem móveis e objetos. Queríamos conhecer e fazer nossa oração, é o que importa, mas a visita era guiada e pegamos um grupo com uma guia falando em francês, não conseguimos sair dali.

Depois de um tempo resolvi prestar atenção, fiquei bem concentrada e em cada 10 mil palavras eu entendia uma. Já era um progresso! Minha amiga viu que eu estava prestando muita atenção e começou a rir, me desconcentrando um pouco. A visita acabou! Aí já reduziu nosso tempo para as outras cidades. Saindo da Abadia, pegamos as belas estradinhas, abrimos a capota do carro e curtimos muito! Paramos para tirar umas fotos no campo, à beira da estradinha, e sentimos o perfume no ar, mesmo com apenas um ou outro pé de lavanda florido, cuja sensação é maravilhosa!

De lá fomos para Roussillon, passando por Gordes, a 12 km entre um vilarejo e outro. Foi maravilhoso! Uma tarde linda, de céu muito azul, uma brisa e uma música gostosa, foi de arrepiar, emocionante! Agradecemos muito a Deus por nos permitir estar nesse lugar, naquele momento!

Só vivenciando pra sentir esta sensação! Chegando a Roussillon vimos os paredões de cor de tijolo, já comecei a sessão de fotos! Paramos o carro e subimos para o vilarejo à pé, que fica no topo do morro/montanha!

Por causa dos barrancos na cor laranja, avermelhado, amarelado ou rosado, todas as casas são destas cores, rebocadas ou com pedras instaladas com esse barro colorido! Com aquele céu tão azul e as casas coloridas é como se estivesse vendo uma pintura, uma obra de arte. Andamos, curtimos, comemos um crepe delicioso, depois caminhamos mais um pouco, encontramos um ponto com uma bela vista para o campo, de um ponto mais alto da vila. Depois de entrarmos numa igreja, partimos para a próxima cidade – L’isle sur la Sorgue, a 28 km!

As fotos não espelham a beleza que os olhos vêem na região da Provence, entre a Abadia, Gordes e Roussillon!

L’isle sur la Sorgue

A cidade é banhada pelo rio Sorgue! Alguns canais passam pela cidade e desaguam no curso do rio, o que embeleza a cidade e proporciona lazer aos moradores e turistas. Vimos pessoas praticando pesca ecológica nos canais da cidade com águas limpas e fortes correntezas. Há bares e restaurantes em suas margens, com belas rodas d’água para decorar o curso das águas.

Os vinhos vendidos ali também são bons e muito baratos. Lá compramos uma bisnaga deliciosa e outras coisinhas para levarmos para o apartamento. Bom, decidimos voltar para Avignon antes de escurecer porque tínhamos que andar pela cidade de carro para chegar em nosso local de hospedagem, naquelas ruas super estreitas. Fizemos todo passeio entre as cidades usando o Navmii, que minha amiga baixou em seu tablet ainda no Brasil.

Ela baixou o mapa da França. Vale muito à pena, o custo é irrisório. Este navegador é ótimo, funciona muito bem por satélite e se atualiza rapidamente numa mudança de percurso, mas não funciona com endereço dentro das cidades, então usamos o Google maps do meu celular e resolvemos seguir de onde estávamos com base nas orientações da rota. Foi um caos! Muito estressante! Escureceu, pois já passava das 21h, horário em que começa escurecer.

O google maps nos mandava para ruas hiper estreitas que não tinha como parar para nos situar, pois tinha carros atrás e não havia recuo, muitas delas eram só para pedestre e não tinha como manobrar e voltar, então tínhamos que sair dali de alguma forma e assim, seguíamos mesmo na contramão ou em ruas só para pedestres. Por estar entre as construções altas e ruas curtas, o GPS não atualizava no tempo necessário e como tem muitas esquinas, virávamos seguindo a rota pra lá e pra cá e nós perdemos. Meu celular estava nos últimos minutos de vida e o cel da minha amiga descarregado, mas ela tinha um carregador que usamos no tablet durante os passeios pela Provence.

Desistimos e resolvemos parar e chamar um Uber para nos levar em nosso destino. Então conectamos o cel para dar uma pequena carga e chamar o Uber. Quando conseguimos chamar e apareceu no aplicativo que tinha carros na redondeza foi um enorme alívio. Demos graças a Deus! Quando vimos os dados do motorista e do carro, ficamos sem acreditar! Um anjo viria nos resgatar!

Era o nosso anjo Zakaria! O mesmo rapaz, tão simpático, atencioso, prestativo que nos pegou no dia em que chegamos em Avignon! Ele não sabia que éramos nós, pois era outro nome que apareceu para ele, porque no primeiro dia fui eu quem chamou o Uber. Ficamos imensamente felizes e aliviadas quando ele chegou. Ele também ficou feliz ao nos ver e gentilmente nos guiou até em casa e só nos deixou quando conseguimos estacionar o carro em uma das ruas próximas.

Estávamos exaustas e famintas! Aí fomos procurar um restaurante para jantar, mas como já passava das 22h, tivemos que ir até a pracinha da cidade para comer! Como não gostamos muito da comida, ao chegar em casa fomos merecidamente tomar aquele champanhe geladinho e cheio de finas bolhas douradas e comer aquelas deliciosas especiarias em forma de queijos. O estresse passou! Como em todas as noites, fizemos nosso planejamento do dia seguinte, onde ir, qual a distância, percurso, etc…

No dia seguinte saímos com nosso 500C conversível com destino a Châteauneuf-du-Pape, a 19 km de Avigon! Nunca vi tanta plantação de uvas em minha vida! Hectares e hectares a perder de vista, com os primeiros brotos depois da poda. Belos vinhedos e caves em forma de castelos. Há plantação de uvas em qualquer terreno pela cidade. Tanto na área rural como na cidade há caves para venda e degustação de vinhos, muitas, e às vezes quase ao lado da outra. A atração é o cultivo da uva e as centenas de caves. Maravilhoso pra quem gosta de vinhos. Embora eu soubesse de algumas regiões, observei que há muita produção de vinhos por toda França, por onde andamos, e muita na região da Provence.

De lá fomos para Velleneuv-lès-Avignon, a 20 km.

Villeneuv-lès-Avignon – 4,6 km de Avigon

É uma parte “nova” da cidade de Avgnon, mas as construções são bem antigas. Ao passar pela pista, vimos um paredão e um forte no alto, então, estacionamos na parte baixa e subimos pelas ruas para conhecer e chegar onde avistamos as Torres. Chegamos no fort Saint-André. Neste dia ventava bastante, fortemente. Eu apelidei de “morro dos ventos uivantes”, nada de terror, apenas muito vento.

A vista do alto é bem bonita, dá pra curtir olhando para o horizonte, vendo a parte baixa da “cidade”, campos e outros fortes próximos, sempre no topo de morros ou montanhas. Tentamos entrar no forte onde vi que tem um jardim, mas estava fechado para horário de almoço. A grande maioria dos locais, em todas as cidades, fecham entre 12 e 14h, neste caso era entre 13 e 14h, portanto, é bom verificar antes de ir a determinados locais. Mas de qualquer forma conseguimos pelo menos ver a admirar suas muralhas do lado externo.

Reservamos parte do dia para passear em Avignon, então devolvemos o carro, cujo acesso à locadora é pela rodovia, o que facilitou bastante, usando o Google maps. Em avignon, tentamos, mas não conseguimos  conhecer nenhuma igreja por dentro, apenas sua bela arquitetura externa. À noite procuramos nosso restaurante predileto, próximo ao nosso apt, para jantar!

Caminhos e descaminhos na França – campos de lavanda

Pretendíamos ir a Les Beaux Provence, a 38 km, a Aix-en-Provenxe e a Valensole, que fica a 126 km de Avignon, com extensos campos de lavanda, a perder de vista, que além da beleza de tirar o fôlego, exala muito perfume no ar, mas vimos que os campos ainda não estavam floridos, então desistimos. Fica para uma próxima viagem que estamos planejando ao Reino unido, passando pela Provence para viver essa emoção.

Caminhos e descaminhos na França – o trem para Grenoble

Indo para Grenoble: em Avgnon fomos cedo para a estação, mas só foi definida a plataforma com uns 10 min antes da partida do trem, então fomos apressadas pegar um elevador, depois aquela confusão para pegar o acesso da plataforma, nos deparamos com uma escada, aí começamos a árdua subida com as malas, mas graças a Deus apareceu um anjo e nos mostrou um elevador.

No percurso da viagem, tivemos uma troca de trem, teríamos uns 20 min, mas houve um pequeno atraso, coisa rara, pois saem e chegam pontualmente, aí fomos perguntar para um funcionário da SNCF da estação onde descemos e começou a correria. Fizeram gestos e caras de preocupação, nos aceleraram, vi que um funcionário passou um rádio e uma funcionária nos levou correndo até uma escada. Ai meu Deus, descemos de qualquer jeito, aí nos deparamos com outra escada, vi um funcionário no alto, desesperado, que nos identificou, deve ter sido o rádio, nos perguntando se era Grenoble, com aquela pronúncia toda enrolada, mas pelo som, eu disse que sim.

Então ele fazia gestos para irmos rápido, rápido, nem sei como subi aquela escada com a minha big mala. Ao subir quis perguntar para confirmar, mas, além do rapaz, vi que tinha uma moça na porta do trem nos acelerando e 2 altos degraus para subir no trem. Subimos no trem e as portas foram fechadas. Ufa!!! Conseguimos! Perguntei várias vezes pra minha amiga se estávamos no trem correto e achei muito estranho porque o trem estava saindo alguns minutos antes do horário, mas ela me assegurou que sim, porque havia perguntado pra alguém dentro do trem. Depois daquele rádio que o funcionário passou, o trem só estava nos aguardando, ou seja, atrasamos a saída do trem. Então resolvi escrever esta fatídica história. Depois que passa o sufoco a gente ri!

Enquanto eu escrevia e ria, minha amiga chegou e disse: “Claudia, nós descemos na estação errada!” Eu olhei e perguntei se estávamos no trem para Grenoble e como ela disse que sim, eu fiquei tranquila. Ela me disse que viu a nossa estação passar, com um letreiro bem grande, Valence Ville, que era bem maior e estruturada, quem sabe, tem até elevador. Como eu estava escrevendo, desde que saímos de Avignon, não pude observar os caminhos. Concluindo, pegamos o trem errado! Graças a Deus, os funcionários fizeram o trem nos esperar naquela estação. Caminhos e descaminhos!!! Depois a gente ri muito! Chegamos em Grenoble 30 min mais cedo!

Dicas: Preste atenção nas estações  e plataformas onde pegar e descer do trem e não tenha receio em perguntar, os franceses são muito educados e gentis.