República Popular faz paralelo entre a cultura amazonense e a Manaus urbana

República Popular

República Popular faz paralelo entre as origens da cultura amazonense e a Manaus urbana em novo disco

 

“Húmus Parte I” é a primeira metade do trabalho duplo e sai pelo selo Sagitta Records

 

Do solo, brota um recomeço. É nesse terreno fértil que a banda República Popular constrói a sonoridade e o universo de referências de seu mais ousado trabalho até hoje: o disco “Húmus Parte I”, já disponível nos serviços de streaming de música pelo selo Sagitta Records.

A primeira metade do álbum duplo revela o som plural de um Amazonas ainda a ser descoberto, embalado pela tradição dos ritmos regionais mesclados à influência oitentista de sintetizadores, vocoders e baterias eletrônicas. “Húmus” repagina a identidade musical da República Popular, se reconectando com suas raízes manauaras. Esse reencontro é evidenciado no clipe “Amazônida”, que anuncia o lançamento do disco em uma animação colorida e vibrante.



“Húmus” moderniza e desconstrói a visão estereotipada do que é a musicalidade da Amazônia. Ao se apropriar de ritmos como a toada do Boi de Parintins e o carimbó, a banda faz surgir uma mescla urbana e contemporânea que traz frescor à sua própria concepção sonora: os tons do indie rock somados à música brasileira que sempre foram associados à música solar da República Popular ganham novos instrumentos, arranjos e convidados especiais.

À veia pop do grupo, soma-se experimentalismo e psicodelia. Tudo isso para dar forma a um retrato muito mais plural da região, e o clipe de “Amazônida” potencializa todas essas inspirações. O estúdio Montanha-Russa, de Curitiba, assina o filme, que tem o ambicioso objetivo de resumir o arco da história de “Húmus”, passando por lendas amazônicas, cantos indígenas, festivais folclóricos e o dia-a-dia de pessoas comuns.


O novo trabalho inaugura um ciclo para a República Popular. A banda formada por amigos de escola deu início à sua discografia em 2015, quando gravou seu disco de estreia, “Aberto para Balanço”. 2016 trouxe o EP “Lis”, com letras inspiradas por personagens femininas. Já em 2017, os músicos começaram a revelar o que viria a ser “Húmus”, com a estreia do elogiado clipe “Curió”.

Animado pela ilustradora Bianca Mól (autora do livro “Contos de Papel” e conhecida pelo canal de YouTube Garota Desdobrável), o vídeo entregou o compromisso da República Popular em contar histórias com suas novas canções.

Assista a “Curió”:



A transição para “Húmus” faz referência à ideia de início e fim dos ciclos da vida, tão presente nas letras do trabalho. Nada mais natural que traduzir isso no título, batizando o disco com o tipo de solo mais fértil, formado a partir da decomposição de animais e plantas. Da morte, surge a vida. E do fim de uma era para a República Popular, nasce uma banda ainda mais conectada às suas heranças culturais.

“Queríamos que nosso segundo disco fosse uma homenagem ao Amazonas, mas não expressar isso literalmente. Que fosse um retrato da vida contemporânea aqui, nas letras e nos arranjos. Em determinado momento, percebemos que, morando aqui na maior floresta tropical do mundo, não tínhamos como não trazer isso para as músicas. O amor a sua terra natal é um sentimento muito carregado de legado, de passagem entre gerações, então falar como ciclo da vida cabe como uma luva quando falamos sobre nosso Estado”, analisa Vinítius.

Para construir todo esse mosaico, a República Popular convocou a ajuda de parceiros locais e até mesmo de outro estado, como é o caso do clipe de “Amazônida”.

A faixa abre o disco e conta com a participação de David Assayag, cantor renomado de Parintins. “Toada do Amanhã” traz a voz de Arlindo Junior, embaixador da cultura parintinense, conhecido como “Pop da Selva”. Já em “Deus”, a cantora Márcia Novo empresta sua voz já reconhecida nacionalmente como representante do cenário pop de Parintins. Por fim, “Ti Tuí” traz a participação de Renata Martins.

O disco foi produzido pelo baterista Viktor Judah e entrega uma República Popular profundamente conectada com suas raízes – mas sem abrir mão de olhar para o futuro.

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