Salão de automóveis antigos na França reúne 40 jóias raras com mais de cem anos, além de outros 350 carros

Salão de automóveis antigos na França

Os franceses em geral amam o vinho, o filé de pato, Charles Azanvour… Se o francês em questão é da região da Occitania, no Sudoeste, ele vai amar o Chateauneuf du Pape, o cassoulet, Claude Nougaro… e carros antigos. Os franceses dali são particularmente atraídos por antiguidades motorizadas.

 

Toulouse, a vibrante metrópole da região da Occitania, sediou no final de setembro o “Salon Auto-Moto Classique”, no imenso Parque de Exposições da cidade. Em três dias, 15 mil pessoas visitaram o local para ver de perto cerca de 400 veículos (40 deles com mais de 100 anos), entre protótipos centenários, modelos clássicos, notáveis motocicletas e carros de corrida históricos. Todos em perfeito funcionamento.

 

Não há só muito o que ver no salão, há também o que comprar. Ou melhor, arrematar! A segunda tarde de exposições é dedicada a um leilão, quando metade das raridades que ocupam um dos pavilhões troca de dono ali mesmo, diante de todos. Na França, o mercado de veículos antigos movimenta 4 bilhões de euros/ano.

 

Um casal de meia idade passeia em volta de um Citroën Deux Cheveaux. Abre portas, examina componentes, levanta o capô. “Il y a du boulot, anh?”, constata a mulher, indicando ao marido que talvez não valha a pena tentar arrematar o simpático fusquinha bretão. São restauradores experientes, que se misturam a investidores, colecionadores e apaixonados, num frenético vai e vem entre autos mais ou menos conservados.

 

Além da área do leilão, o imenso pavilhão é dividido em outras três seções, onde 100 expositores e 35 clubes deixam à vista dos visitantes diversas raridades fabricadas no mundo a partir do final do século XIX.  Entre eles há um Peugeot de 1896 e carros de marcas desaparecidas, como De Dion-Bouton, Delaunay-Belleville e Rochet-Schneider.  Entras as motocicletas destaque para as míticas Norton, as práticas Motobecane e uma raríssima Harley Davidson de 1917, usada na França pelos expedicionários norte-americanos durante a 1ª Guerra Mundial.

 

Dos representantes do século XX, é possível encontrar em estado de zero kilômetro autos de origem francesa que rodaram faceiros também pelas vias do Brasil nos anos 60 e 70, como Simcas e Gordinis.

 

Entre os carros de competição, a vedete do Salon foi o lindo Matra MS1, protótipo do que no Brasil se chamava popularmente “baratinha de corrida”. Com o Matra azul, o piloto francês Jean Pierre Beltoise conquistou o campeonato francês de Fórmula 3, em 1965.

 

Havia mais! Para os olhos infantis, sobretudo, foi montado um acampamento militar reproduzindo o desembarque dos aliados Norte-americanos na Normandia, em 1944. Ambulâncias Dodge, Caminhões GMC e Jeeps contracenavam com manequins e figurantes em trajes da época.

 

Outra atração para as crianças foram os arredondados caminhões-bombeiro equipados com todo um aparato para combater os incêndios de antigamente, lembranças flamantes de um tempo em que não era fácil ser herói.

 

O fascínio dos franceses por veículos antigos se fundamenta na história da indústria do país, o principal produtor mundial no começo do século XX, com mais de 100 fábricas. A França foi igualmente um importante celeiro de indústrias de motocicletas e muito se orgulha das potentes Peugeot e Renault, entre as principais marcas de automóveis da Europa hoje e sempre.

 

 

Carlos Dias Lopes é jornalista e motociclista, além de dono de uma Mercedes Benz 1971. Aprendeu a dirigir no Gordini de seu pai, quando tinha 8 anos.

Especial para o Cultura Alternativa