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Japan House São Paulo

Japan House São Paulo percorre milênios da cerâmica japonesa em nova exposição

A Japan House São Paulo apresenta a exposição “Cerâmica em curso”, dedicada à longa tradição da cerâmica japonesa.

Em cartaz até 30 de maio de 2027, a mostra reúne referências históricas e contemporâneas para mostrar como argila, fogo, território e conhecimento artesanal atravessaram milhares de anos no Japão.

Mais do que expor objetos, a proposta ajuda o visitante a compreender por que a cerâmica japonesa se tornou uma expressão cultural tão reconhecida.

Desde o período Jōmon, iniciado por volta de 14.000 a.C., habitantes do arquipélago já produziam recipientes manualmente e os levavam ao fogo para queima.

A cerâmica japonesa está entre as mais antigas tradições desse tipo no mundo. No entanto, sua importância não se resume à idade das peças.

Ao longo dos séculos, diferentes regiões japonesas desenvolveram técnicas próprias, influenciadas pelo tipo de argila disponível, pelos métodos de queima e pelos usos cotidianos dos objetos.

Por isso, a exposição estabelece um diálogo entre passado e presente. Peças históricas dos períodos Jōmon e Muromachi aparecem ao lado de trabalhos contemporâneos, mostrando que a tradição não permaneceu congelada no tempo.

Ao contrário, ela continua sendo reinterpretada.

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Um dos eixos da exposição são os Rokkoyō, os seis antigos centros produtores de cerâmica do Japão: Bizen, Echizen, Seto, Shigaraki, Tamba e Tokoname.

Essas regiões mantêm uma produção contínua desde aproximadamente o século XII. Além disso, cada uma desenvolveu características particulares de acordo com o solo, a composição mineral das argilas e os processos adotados pelos artesãos.

Em 2017, a Agência de Assuntos Culturais do Japão reconheceu esses centros como parte da Japan Heritage, iniciativa voltada à preservação e valorização de narrativas culturais japonesas.

Nesse contexto, a exposição permite observar como o território participa diretamente da criação artística.

Além das diferentes argilas, o processo de queima também ajuda a definir a identidade da cerâmica japonesa.

A mostra apresenta, por exemplo, dois modelos tradicionais de forno. O anagama possui uma única câmara e costuma ser construído em terrenos inclinados.

Já o noborigama utiliza várias câmaras sucessivas, o que possibilita produzir uma quantidade maior de peças.

Entretanto, nem tudo pode ser completamente controlado.

Durante a queima, cinzas e minerais interagem com a superfície da cerâmica e podem criar variações inesperadas de cor, brilho e textura.

Dessa forma, marcas consideradas imperfeições em produções industriais podem adquirir valor estético e tornar cada objeto singular.

Essa relação com o acaso ajuda a compreender um aspecto importante da cultura estética japonesa: a valorização da matéria, do tempo e das marcas deixadas pelo próprio processo de criação.

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A própria escolha do título “Cerâmica em curso” reforça uma ideia central da mostra: tradição não significa repetição.

Os artesãos preservam conhecimentos transmitidos por gerações e, ao mesmo tempo, experimentam novas formas, usos e interpretações. Assim, objetos originalmente ligados ao cotidiano também ocupam hoje espaços de arte, design e pesquisa.

Para o público brasileiro, esse diálogo ganha ainda outra dimensão. O Brasil possui uma tradição ceramista significativa e mantém vínculos históricos com a cultura japonesa, sobretudo em razão da presença da comunidade nipo-brasileira.

Por isso, a exposição também oferece uma oportunidade de observar aproximações entre duas culturas que desenvolveram relações próprias com o trabalho artesanal.

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A exposição fica no segundo andar da Japan House São Paulo, na Avenida Paulista, 52, Bela Vista.

A entrada é gratuita.

O espaço funciona de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h. Às segundas-feiras, a instituição permanece fechada.

A mostra também oferece recursos de acessibilidade, incluindo Libras, materiais táteis, braille e piso tátil, além de conteúdos em português, inglês, espanhol e japonês.

Com uma abordagem que conecta história, técnica e estética, “Cerâmica em curso” transforma um objeto cotidiano em ponto de partida para compreender permanências e mudanças na cultura japonesa.

REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA

Fontes

Japan House São Paulo
Agência de Assuntos Culturais do Japão / Japan Heritage

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