A ARTE DE FILOSOFAR NO PAÍS RUMO À IGNORÂNCIA

A ARTE DE FILOSOFAR NO PAÍS RUMO À IGNORÂNCIA

Aristóteles, Platão, Sócrates… seus ossos tremem! Basta acompanhar a atual realidade do Brasil. Será que a posição política de comunista é tão antiga? Ou será que esses e os outros antigos filósofos eram todos “esquerdopatas” seguidores do PT? Qual a importância das ciências humanas, da sociologia, da antropologia e da filosofia na vida em sociedade? Estudar os erros do passado para não tornar errar mais uma vez é proibido? E o que difere o homem em relação aos outros animais? Parecia ser a inteligência, e ter a capacidade de utilizar o seu conhecimento em prol do desenvolvimento social, político e econômico. Mas como ser inteligente se é proibido pensar? Talvez tudo isso passe apenas pela razão da proibição do acesso às ciências humanas, a quaisquer estudos científicos, sobre os pensadores que revolucionaram a vida social no mundo e que possa realmente mudar a realidade. O poder, o controle social, a manipulação das massas, e quem detêm a informação e o conhecimento é quem tem o verdadeiro poder sobre tudo. Nos dias de hoje, o mundo inteiro discute a gestão do conhecimento e a inteligência competitiva… ficaremos relegados ao atraso tecnológico, econômico e social por uma decisão que nos prendem ao passado por não aceitarmos a diversidade do pensamento e a evolução do conhecimento do futuro?

Pois bem, para refletirmos melhor, vamos então primeiro às definições: A ideologia é um conjunto de ideias conscientes e inconscientes que apontam objetivos primordiais ao indivíduo, expectativas e ações, que se aproxima da visão que o ser humano tem sobre a sociedade, o mundo e as doutrinas que norteiam ações politicas e sociais. É o conjunto de ideias, crenças e doutrinas, próprias de uma sociedade, de uma época ou de uma classe, que são produto de uma situação histórica e das aspirações de grupos que as apresentam como imperativos da razão. Também é um sistema organizado e fechado de ideias que serve de base a uma elite política… Filosofia significa amizade pela sabedoria e respeito pelo saber. É o estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e éticos. É uma atitude reflexiva, crítica ou especulativa, de elaboração acerca das concepções, práticas ou teóricas, sobre o ser, os seres, o homem e o seu papel no universo. É o conjunto de toda ciência, conhecimento ou saber racional. Reflexão crítica dos fundamentos do conhecimento (valores cognitivos), da lógica, da ética e da estética (valores normativos).

Qual a real importância do conhecimento, no âmbito social, da filosofia na vida das pessoas, de uma sociedade saudável e próspera? O que importa para o cidadão? Todas as ciências humanas: Arquitetura, Publicidade/Propaganda, Medicina, Teologia, Sociologia, Antropologia,  Psicologia, Psiquiatria… entre outras, tiveram em sua base de formação o pensamento filosófico. Quem seria o patrono da medicina senão Hipócrates, um filósofo. A discussão sobre a importância da filosofia provoca a necessidade de exame e reflexão sobre o futuro da universidade, focalizando o lugar das ciências sociais e humanas e os paradigmas de desenvolvimento que influenciarão as mudanças nos caminhos percorridos pela humanidade na construção de um modelo societário legitimado, que em sua prática já é uma herança assimilada durante séculos. E mais além, ao considerar que a construção do conhecimento tem como relevância na produção do conhecimento científico, nas intervenções e transformações que ocorrem na sociedade na perspectiva de futuro.

A história da humanidade foi construída e fundamentada a partir do modo como o homem se estabeleceu em sua relação com os demais homens em sociedade e com o meio ambiente onde vive. O sistema capitalista instituído e legitimado na maioria dos países, determina esse modo de vida, seus reflexos no desenvolvimento da ciência, da economia, da política e em todos os espaços sociais. Pois são os aspectos econômicos e políticos que historicamente promovem o distanciamento entre as castas sociais na sociedade capitalista, vislumbrando os possíveis caminhos que remetem a construção da sociedade, se mais humana ou cidadã.

Por meio da filosofia se percebe a grandiosidade da hegemonia da competitividade e do modelo determinado pela globalização como fenômeno real, concreto, que atinge a vida humana em todas as esferas sociedade. E é por meio desse fenômeno social, político e econômico que se mescla indivíduo e comunidade, classes e grupos sociais, gêneros e raças/etnias, religiosidades e ecologia, identidades e diversidade, realidades e imaginários, regiões e nacionalidades. A normatividade da era digital confronta e agrupa o indivíduo e sociedade, natureza e sociedade, percorrendo por diversos espaços, provocando forças e formas de divisão, sejam sociais, sexuais, técnicas, do trabalho ou da produção, para que se confrontem em guerras de classe e étnicas, na imposição do fundamentalismo religioso, e na dicotomia tanto da destruição, como da criação de novas riquezas entre os indivíduos e as nações.

Em outras palavras, é a filosofia que gera e transforma o conhecimento, que diferencia a parte do todo, o singular do universal, o público do privado, assim como a democracia, da tirania e da revolução, da incapacidade dos antigos paradigmas dar conta da realidade social na vastidão que floresce as diversas formas de pensamentos, teorias e metodologias, com o intuito de compreender, conhecer e explicar as continuidades e descontinuidades das relações, dos processos e das estruturas sociais. Assim, são permanentemente desafiadas a ingressarem em novo ciclo de criação e de controvérsia, a partir de horizontes futuros que o conhecimento deve proporcionar.

As políticas púbicas de educação, no entanto, deveriam ser responsáveis pela ampliação do acesso ao conhecimento, ao saber, a ciência humana e tecnológica, igualmente garantindo o  estudo do pensamento de grandes cientistas e pensadores e dos avanços sociais, econômicos, tecnológicos e humanos, onde os filósofos, sociólogos e antropólogos depositaram, em seus postulados, teses e reflexões, enormes contribuições para a evolução da humanidade e da vida em sociedade.

Este artigo é apenas um convite aos leitores a fazerem uma reflexão, uma leitura crítica e avaliar a importância da contribuição dos sábios que por meio da filosofia trouxe saberes que foram aplicados na vida social, incentivando debates sobre problemas epistemológicos, teóricos e metodológicos. Afinal, a quem cabe o direito de rechaçar a informação técnica/teórica à sociedade ou de deter apenas para si o poder de absorver o conhecimento? É a prática de aprofundamento do pensamento que deve servir como maior referencial, no sentido de se investir no direito de ser um cidadão pleno e consciente, que traz para si a responsabilidade civil sobre seus atos, enquanto indivíduo ativo e político, fazendo o seu importante papel na construção de uma sociedade equitativa, acolhedora e próspera, lutando contra as iniquidades e mazelas sociais onde a ignorância tanto envergonha o país diante a evolução do mundo.

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Wellington de Mello – Escritor, Redator, Publicitário, Designer Gráfico e Fotógrafo

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha do Cultura Alternativa.