A autopublicação em tempos de crise

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A autopublicação em tempos de crise

As plataformas Clube de Autores e Bibliomundi reportam crescimentos importantes entre 2017 e 2018

É assim: com a crise nas duas principais varejistas de livros no país – Saraiva e Cultura –, vieram os atrasos de pagamento e, com eles, o pé dos editores foi fundo no freio.

Adiaram ou suspenderam lançamentos. Com isso, aquele original que podia até ter fôlego comercial ficou engavetado e a saída para quem o escreveu foi a autopublicação.

Pelo menos duas plataformas desse segmento reportaram crescimento em 2018. O Clube de Autores, que permite aos seus usuários publicar e vender livros digitais e impressos, diz que terminou o ano lançando 40 livros por dia pela sua plataforma gratuita.

No fim do ano, apurou crescimento de 30% em relação ao ano anterior.

Ricardo Almeida, CEO da plataforma, sustenta que a crise não é de demanda e sim do modelo de gestão.

“O problema, na verdade, não é o hábito de leitura do brasileiro, mas a forma como os livros são produzidos e comercializados”, defende.

 “É simplesmente impensável atuar no mercado de hoje com as mesmas fórmulas e métodos aplicáveis nas décadas passadas. Vivemos em um período de abundância de conteúdo e de demandas hiper-nichadas.

O leitor de hoje consome uma literatura tão específica para o seu gosto que é impossível para uma livraria, por maior que seja, reunir um estoque grande o bastante para agradar a todos.

Aliás, não se trata mais de agradar a todos, até porque massas homogêneas não existem mais. Trata-se de aprender a conseguir agradar cada pessoa individualmente”, finaliza.

Outra que reportou crescimento em 2018, a despeito da crise, foi a Bibliomundi, que além de publicar livros digitais faz a comercialização e distribuição em outros canais.

Em 2018, a plataforma publicou 931 livros, numa média de 2,55 livros por dia. O número de autores independentes duplicou na comparação com o ano anterior.

Levando em conta todas as transações da plataforma, incluindo as feitas por editoras tradicionais que usam a Bibliomundi, o crescimento foi 739% (incluindo aqui as vendas e os downloads em streaming) e os pagamentos de royalties aos autores e editores que apostam na plataforma aumentou 405%.

“Boa parte de nosso crescimento é baseado na ampliação de pontos de vendas no mercado”, explica Raphael Secchin, CEO da plataforma.

Em 2018, a Bibliomundi passou a fornecer e-books para Ubook, que além de audiolivros oferece livros digitais, e para a Livroh, serviço de subscrição de livros em parceria com telefônicas.

 “Por isso que nossa estratégia é em continuar priorizando em novos pontos de vendas e modelos de negócios. Assim, se tivermos um problema com um parceiro no futuro, a diluição nos dará mais conforto”, completa o executivo.

Ficção foi o gênero mais publicado pela Bibliomundi em 2018, sendo que a literatura erótica ganha de todos os subgêneros. Livros da literatura infanto-juvenil aparecem em segundo lugar e de contos e crônicas, em terceiro.

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