A descoberta do Saara

Deserto do saara

A descoberta do Saara

Nossa leitora Claudia Dias está no Marrocos e nos dá as dicas por esta região tão rica e magica.

O caminho ao Sul de Marrocos

Dia 28/01/19 partimos de Marrakech para o sul de Marrocos e deserto do Saara.

Atravessamos a cordilheira do Alto Atlas, por 130 km, em estrada de muitas curvas e belas paisagens, onde vimos as geleiras no pico das montanhas bem próximas.

Chegamos a 2.260 metros de altitude, com temperatura de 8 graus em pleno sol, no meio do dia. As montanhas da cordilheira do atlas podem chegar a mais 4 mil metros de altitude do nível do mar.

À medida que passávamos a cordilheira a paisagem ia mudando e ficando mais árida.

Após, pela estrada, passamos em uma cooperativa de argan, onde também vendem produtos derivados, como cremes, óleos para cabelo, pele, etc… também achamos caro e requer negociação para conseguir preço melhor. Como sempre, ao chegar nos ofereçam um chá, que nem sempre é de menta ou hortelã.

Passamos por lugares, cidades, com casas e pequenos prédios nas cores de Marrakech, vermelho, rosado, o que evita absorção de calor, reflexo do sol e sujeira da poeira na época do verão.

Estúdios de Cinema

Passamos por Ait Ben Haddou, Kasbahs, onde foi cenário de muitos filmes, como A Múmia, o Gladiador, a Guerra dos Tronos, a novela O Clone, dentre outros.

Seguimos para Ouarzazate, passamos pelos estúdios Atlas, cenário para vários filmes também.

Vale do Dades

Por último seguimos para o Vale do Dades. Onde ocorre em maio o Festival das Rosas. Pela estrada vimos oásis, com belas palmeiras.

Nesta região há muitas plantações e uma cooperativa de rosas, onde fabricam e vendem produtos derivados das rosas, como cremes, perfumes, etc.

Hospedagem

Ficamos num hotel maravilhoso, Xaluca, curtirmos um lindo pôr do sol, com vista para a cidade, e, após o jantar, tomamos vinho no terraço do hotel vendo as estrelas, com um frio danado, muito frio e vento.

No hotel Xaluca fomos recepcionados por um grupo de homens e mulheres vestidos como berberes e tocando música berbere, e também com chá.

Os marroquinos tomam muito chá, principalmente chá de menta (hortelã), mas gosto mais do chá tradicional deles. Em todos os lugares sempre oferecem um chá. O hotel é lindo, confortável, a comida é boa, fica no alto, o que permite uma bela visão da cidade.

Em seguida ao pôr do sol, ouvimos a chamada para a reza, lindo, o alcorão recitado. Do terraço do hotel escutamos o som que ecoa por toda cidade. Dentre os cinco horários para a reza estão o pôr do sol e nascer do sol.

Deserto do Saara – Cordilheira

No dia seguinte, 29/01/19, partimos para outras localidade e deserto do Saara. A partir do vale do Dades, por muitos km, viajamos com a belas paisagens da cordilheira do médio atlas e cenário muito árido e belíssimo céu azul.

Deserto do Saara

Fomos à garganta de Todra, nos paredões do médio Atlas, que chegam a 300 metros de altura, segundo nosso guia. Belíssima visão que a fotografia não consegue capturar. Pelos paredões por onde passa o rio Todra, que mais parece um riacho, largo e águas cristalinas.

Da garganta de Todra fomos a Erfoud  e Rissani, onde tem uma feira pitoresca, bem simples, com animais vivos, feira de burros, vacas, cabras, cabritos…animais mortos para venda, frutas, verduras, azeitonas, tâmaras, damasco, figo, especiarias coloridas, algumas roupas e farmácia de temperos, chás, ervas medicinais, produtos de beleza, incenso, produtos diversos.

Por todos lugares que passamos em Marrocos tem muita tâmara, damasco, figo, laranja, mexericas, maçãs, bananas, amêndoas, azeitonas… tudo delicioso e não perdi oportunidade para tomar o delicioso suco de laranja.

Em Erfoud, sul de Marrocos, acontece o festival de tâmaras no mês de outubro. Em Marrocos há tâmaras disponíveis para venda em diversos lugares, praças, mercados, lojinhas nas medinas, em todo país, e são deliciosas.

Seguimos pela estrada, passamos por oásis e plantações de tâmaras, até chegar nas Dunas de Erg Chebbi, no deserto do Saara, Merzouga, maior complexo de dunas do deserto do Saara em Marrocos, um mar de areias douradas e laranja.

Ficamos hospedadas no Riad Madu, bem aconchegante, confortável, jantar e café da manhã bem servidos, de forma elegante, numa bela sala com lareira, comida gostosa…. por volta das 18:00 h fomos ver o pôr do sol nas dunas, curtimos muito e tiramos belas fotos.

Fantástico! Segundo nosso guia, a maior duna de Ergi Chebbi tem 250 metros de altitude. Todas informações foram passadas pelo nosso guia da empresa SirocoTours.  Nosso guia nos levou até as dunas em carro SUV 4×4, mas nos ofereceu outras opções para irmos em quadriciclo ou outro tipo apropriado para andar nas dunas.

Já estávamos previamente acordadas com a empresa para nos levar de carro, o que achamos mais seguro, pois não temos experiência em dirigir esse tipo de veículo e principalmente em dunas. Esta região fica muito próxima da fronteira com a Argélia.

No dia seguinte vimos, dia 30/01/19, da área externa do Riad Madu, o nascer do sol sobre as dunas, por volta das 8h da manhã, com 6 graus de temperatura, bem frio, mas valeu à pena, pois também é lindo.

Estar no deserto do Saara é uma experiência incrível. Nunca imaginei vir a Marrocos, embarquei no sonho de uma amiga, e a experiência foi incrível. Conhecer novos lugares, pessoas, costumes, cultura, clima, arquitetura, vegetação, economia do país, forma de governo, etc… não tem preço, é maravilhoso.

Deserto do Saara – Merzouga

De Marrakech até Merzouga são 600 km, mas a viagem e muito tranquila com diversas paradas, uma noite no meio para descansar, e tendo o deserto como objetivo nada fica cansativo.

Viajamos por cerca de 130 km pelo deserto, passamos por vários oásis, vimos várias cisternas no deserto para irrigar as palmeiras e tamareiras, vimos um olho d’água jorrando com toda força e formando uma corredeira pelo deserto. Visitamos um povoado berbere, vindos de outros locais da África, onde vimos sua música e dança africana, inclusive dancei com eles.

Neste mesmo dia, tivemos uma grata surpresa, fomos convidadas para ir à casa de um morador local de Er Foud, onde fomos muito  bem recebidos, com chá, muitos doces marroquinos, lindos e deliciosos, azeitonas, amendoins, chá, em lindo samovar de prata e lindos copos dourados, com lindos bordados na louca, uma grande refeição em tagine com cuscuz, legumes e cordeiro, família muito cortês, gentil, simpática, fizemos confortavelmente uma linda tatuagem de henna nas mãos. Nos sentimos muito honradas e foi um grande privilégio para nós, sentimos imensamente agradecidas.

Tagine é um recipiente que servem as refeições com carnes, cuscuz, legumes. Os marroquinos adoram cominho, colocam em todos os pratos.

Nos hospedamos no hotel Xaluca, belíssimo, me senti num verdadeiro oásis, num paraíso, em Er Foud. Como sempre, em todos os locais, fomos recebidas com chá. Gostei bem mais dos chás que não são de menta ou hortelã. Em vários lugares é costume oferecer chá ou café.

Deserto do Saara – Cordilheiras do Ziz

No dia seguinte, viajamos por vários km pelas cordilheiras do Ziz, passamos pelo vale do Ziz, uma bela visão dos paredões e rio Ziz. E a temperatura só caindo. Em geral levantamos com 6 graus nos hotéis pela região do deserto. Estamos a caminho de Ifrane, onde a temperatura chega a -5 c. pelo caminho, belas paisagens das montanhas ou cordilheiras do atlas. Chegamos a 1900 mts de altitude e 8c às 12,24 h. de longe já começamos a ver as geleiras do atlas.

Em todo roteiro não ficamos sem internet, que funciona muito bem em Marrocos. Tivemos bife gratuitamente fornecido pela empresa que contratamos, em todos automóveis utilizados pelo guia.

Para alguns poucos momentos que não estávamos próximo a conexão de algum lugar ou do veículo, compramos um chip da empresa Orange, em Marrakech, com 5 gb, por 80 dhiran. O carro está sempre limpo, cheiroso e muito bem equipado com material de higiene, água, carregadores de celular, etc.

O nosso guia, Rachid, sempre muito atencioso e cuidadoso conosco, se colocando sempre a nossa disposição. Todo nosso passeio está sendo muito tranquilo, com muito conforto e segurança.

A dona da empresa SirocoTours, que fica na cidade de porto, em Portugal, está sempre acompanhando a nossa viagem e colocou a nossa disposição seu melhor guia, que é responsável pelos demais guias que prestam serviços para empresa em Marrocos. Rachid fala português, francês, inglês, espanhol, italiano, árabe e berbere.

Seu irmão Jamal também nos acompanhou em alguns momentos, que é uma simpatia, sempre sorridente, e também fala português, o que facilita a comunicação e torna a viagem mais tranquila.

Quero fazer um destaque também para os guias locais, em todas cidades que passamos onde fizemos passeios pelas medinas, muito simpáticos, educados e com ricas informações sobre tudo que há na medina, história, costumes, comércio, etc. o nosso guia nos passou muitas informações sobre tudo em Marrocos

A partir de Errachidia começamos a subir o país, para o sudeste, até o norte de Marrocos.

Passamos por Midelt, centro de Marrocos, região de plantações de maçãs, seguindo a estrada pelo deserto, vimos belas geleiras nas montanhas do atlas.

Passamos pelas montanhas e plantações de cedro e muita neve mesmo com bastante sol, às 14:47 h, passamos por geleiras e riachos formados pelo gelo que derrete. Muita criação de ovelhas, cabras, cabritos e carneiros. Lindo ver o pastoreio.

Após atravessar as montanhas a vegetação já começa a ficar verde novamente. Vimos muitas plantações de maçãs.

Passamos pela floresta de cedros com belos macacos dourados, a vegetação já muda completamente. Seguindo passamos por Azrou, cuja arquitetura muda completamente por causa da neve, já no estilo europeu.

As casas tradicionais, em Marrocos, nas regiões mais secas, são construídas com adobe, feitos de barro e palha, o que esfria muito internamente, com temperatura muito abaixo da temperatura externa.

Passando pela bela floresta de cedros, chegamos a Ifrane, considerada a suíça marroquina, bem no estilo europeu, suíço, bela, no centro-norte de Marrocos, parece que estamos em outro país, e esperávamos estar cheia de gelo, pois sempre neva, mas estava a 8 c, vento frio e céu azul, sem neve.

Nos dias anteriores e dias depois que passamos por lá, fomos informados que nevou bastante. Há uma estância de esqui próxima a cidade. Pena, pois queria muito ter vivenciado esta experiência em Marrocos, parece inacreditável, fazer tanto frio e nevar neste país de deserto que chega a mais de 50 graus no verão.

Saímos da cidade e volta uma vegetação mais árida, mas em seguida muda novamente e passamos em Imouzzer kandar, também ainda com arquitetura diferenciada. A vegetação já fica verde, arborizada, rumo a Fes.

Dia 31/01/19, chegamos em Fez, após rodar aproximadamente 1200 km, a partir de Marrakech, mas a viagem toda foi bem agradável, entre paradas, hospedagens, tudo que vivenciamos até aqui.

Sobre Fes irei falar na próxima matéria.

Texto e Fotos do acervo da viagem da Claudia Dias ao Marrocos

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Fotos do acervo da viagem da Claudia Dias ao Marrocos

Publicado por Portal Cultura Alternativa em Terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Marrakesh – Caminhos e descaminhos
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