A FELICIDADE DAS PEQUENAS COISAS

A FELICIDADE DAS PEQUENAS COISAS - Cultura Alternativa

A felicidade das pequenas coisas

Filme dirigido por Pawo Choyning Dorji representa o Butão, e tem como protagonista um professor na escola mais isolada do mundo

FILME QUE ESTÁ ENTRE OS FINALISTAS AO OSCAR DE MELHOR FILME INTERNACIONAL, A FELICIDADE DAS PEQUENAS COISAS, CHEGA AOS CINEMAS DIA 27 DE JANEIRO

Lunana é uma região no distrito de Gasa, no noroeste do Butão, e serve de cenário para a elogiada comédia dramática A FELICIDADE DAS PEQUENAS COISAS, escrito e dirigido pelo estreante Pawo Choyning Dorji, que também é escritor e fotógrafo.

O filme está na pré-lista do Oscar de Melhor Longa Filme Internacional, e é apenas o segundo filme que o Butão inscreve na premiação – o outro foi “A Copa”, de Khyentse Norbu, de 1999

A felicidade das pequenas coisas

A história inspiradora de A FELICIDADE DAS PEQUENAS COISAS é protagonizada por um professor na faixa dos 20 anos Ugyen Dorji (Sherhab Dorji), que está prestes a terminar seu contrato com o governo como professor de escola pública.

Ele está cansado dessa profissão, e cogita seguir seu sonho: se tornar um cantor na Austrália. Ele é mandado para dar aula no vilarejo minúsculo e distante, um lugar com 56 habitantes, nas proximidades do Himalaia, e acessível apenas a pé – o que garante uma semana de viagem caminhando.

Antes mesmo de chegar ao novo emprego, Ugyen pede para ser relocado, pois sofre com problemas de altitude, mas sua chefe (Dorji Om) diz que seu problema é de atitude, e que ela nunca viu um professor mais desmotivado.

Ao chegar em Lunana, tudo é tão ruim quando esperava: o celular não pega, seu quarto é terrível, e a energia elétrica é intermitente.

E ele insiste em ser transferido, mas, enquanto a mudança não sai, é obrigado a dar aulas ali, e acaba sendo conquistado por seus alunos, e se encanta com Saldon (Kelden Lhamo Gurung), uma jovem cuja bela voz canta sobre a natureza e os espíritos.

Dorji conta que a maioria do elenco é formada por estreantes que moram na região. Algumas das crianças, explica ele, nunca nem saíram do vilarejo. “Quando o personagem diz ‘carro’, elas não fazem ideia do que é isso.

Nunca nem foram ao cinema. Para mim, a magia vem daí, dessa pureza que existe nessas crianças. Por exemplo, tem uma cena em que um garoto escova os dentes. Ele nunca tinha feito isso, o gosto da pasta de dente foi uma surpresa. Não há como ensaiar algo assim, a descoberta só acontece uma vez, é preciso fazer a cena e pronto.”

As filmagens tiveram de ser muito bem planejadas por conta do inverno rigoroso e das chuvas de verão típicas da região.

“A equipe trabalhou entre setembro e outubro, e o filme foi rodado de forma cronológica para acompanhar a passagem natural do tempo na natureza.” A fotografia de A FELICIDADE DAS PEQUENAS COISAS é assinada por Jigme Tenzing, o único profissional da área no país, que estudou na New York Film Academy.

Dorji conta que escolheu uma câmera estática por influência do cineasta japonês Yasujiro Ozu, conhecido por seus filmes sobre pessoas comuns.

“Eu queria que a câmera e a fotografia fossem como a vida de Ugyen. No começo, ela está na mão, a imagem chacoalha, mas com o tempo, conforme ele se estabelece na escola, a imagem fica mais segura, começamos a usar um tripé”.

A felicidade das pequenas coisas

Sinopse

Ugyen Dorji (Sherhab Dorji) tem 20 e poucos anos, e é professor, embora sonhe em se mudar para a Austrália e ser um cantor famoso.

Em seu último ano de contrato com o governo, é mandado para Lunana, uma das regiões mais isoladas do mundo, onde deverá assumir uma escola infantil.

Apesar de contrário, ele é obrigado a assumir o cargo, e descobrirá naquele lugar a felicidade das pequenas coisas.

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