A MATURIDADE DO AMOR ENTRE IGUAIS

Amor entre iguais., Destinos para conhecer a dois

A MATURIDADE DO AMOR ENTRE IGUAIS

E foram felizes para sempre… será?

As relações homoafetiva se estabeleceram na sociedade há muito tempo por meio da clandestinidade imposta. Homens com fervor da sexualidade e da libido, explodindo de vitalidade na juventude, sempre foram impulsionados à promiscuidade das noites e dos guetos. Amores comprados para viver momentos rápidos, afetividade momentânea para suprir a insaciável carência e sede por sexo e amor.

A sociedade heteronormativa discrimina e exclui as possibilidades da formalização de jovens casais, impedindo-os de constituírem um relacionamento estável como naturalmente é praticada pelos heterossexuais, que gozam abertamente desse direito. Mesmo com o advento da união estável, o casamento gay, nem isso conseguiu mudar a homofobia e a clandestinidade do universo homossexual.

O tempo passa… as pessoas buscam sempre referenciais que representa uma possibilidade de se ter a felicidade presente em suas vidas. As relações afetivas e amorosas surgem para suprir necessidades de dividir o afeto, o carinho, a cumplicidade e o amor. É o cuidar da pessoa amada, e ser cuidado pela pessoa de quem se ama.

E nesse processo de suprir carências e de se fazer aceito numa sociedade como à brasileira, que é excludente, intolerante, e a que mais mata homossexuais no mundo, há aqueles que enfrentam e se rebelam contra a norma imposta, insistindo em viver juntos, formando um modelo de família com responsabilidades e deveres como qualquer uma, porém não reconhecida com tal.

Assim, ao se estabelecerem como família, para esses casais há mais um desafio que faz parte da vida conjugal. Manter-se unidos como casal na maturidade é uma espécie de aprovação, que é também a mais cobrada pela sociedade, por permitir essa união entre iguais, exigem que sejam eternas, pois o direito de separação é só para héteros.

Homens que fazem sexo com homens e vivem o amor plenamente encontram na maturidade obstáculos que os colocam à prova a efetividade de seus relacionamentos. Como se mantém o amor e a união numa relação duradoura? A vaidade, a virilidade, o machismo – sim gays também podem ser machista – vão interferir de que forma nessa união? São homens vivenciando juntos os limites impostos pela idade, onde o corpo já não pode mais corresponder ao vigor da juventude.

A necessidade de ser caçador, ser encantador, poder conquistar qualquer um que desejar no ritual de charme e sedução pode não funcionar tão bem.

A decadência que a velhice impõe aos corpos e a dignidade do casal em conseguir manter mais de dez anos de relação amorosa, enfrentam diariamente a rotina de luta para manterem-se juntos, e que aí se acrescenta também o preconceito e discriminação que a natureza impõe pela idade, como se o idoso não fosse merecedor de ser amado e de praticar sua sexualidade plenamente.

Não é fácil, mas manter a cumplicidade e a lealdade do casal é fundamental para poder viver o amor na maturidade, superando crises existenciais, como a andropausa e a perda da libido, que são as limitações que gradativamente, a cada ano, diminui o vigor físico do casal.

Entretanto, sobrevivendo a todas essas dificuldades e os limites que o tempo e a sociedade impõe o amor entre iguais tem sobrevivido com dignidade, com harmonia, provando mais uma vez que o amor resiste ao tempo, apesar de ter que vencer a cada dia os embates contra homofobia imposta à realidade homoafetiva, que afeta a tranquilidade e a segurança de quem só deseja poder amar.

Wellington de Mello – Escritor, Redator, Publicitário, Designer Gráfico e Fotógrafo

Especial para o Cultura Alternativa

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