Abandono de pets aumenta em até 30% durante período de férias

Abandono de pets

Abandono de pets aumenta em até 30% durante período de férias

Sem ter onde deixar o animal, muitos donos soltam cães ou gatos nas ruas

Os princípios básicos da posse responsável de animais preveem aceitação e comprometimento do tutor com as necessidades físicas, psicológicas e ambientais do animal.

No entanto, na prática, a situação não é bem assim. Segundo dados da World Veterinary Association, há cerca de 200 milhões de cães abandonados no mundo. No Brasil, são 30 milhões de animais nessa situação. Os dados são de 2018.

A situação se agrava quando chega o período de férias. Segundo entidades protetoras de animais, no Brasil, a quantidade de cães e gatos abandonados aumenta em 30%, em média.

Abandono de pets aumenta nas férias

 “Quando a pessoa assume a responsabilidade de um animal, ela precisa ter essa consciência. O animal é dela em qualquer época do ano. É preciso se preparar para momentos como as férias, por exemplo. Abandonar o cão ou gato nesse período, simplesmente porque não consegue uma solução, é crueldade”, alerta a veterinária Eliana de Farias, pediatra e veterinária clínica na Doctor Vet, Núcleo de Especialidades Veterinárias em Brasília.

Causas do abandono

Um levantamento produzido pelo Ibope mostra que apenas 41% dos tutores afirmam que levariam o animal junto, caso tivessem que se mudar. Na pesquisa, 14% dos brasileiros que já tiveram um cão ou gato justificaram a separação por causa da mudança de endereço.

Doença do pet, comportamento inadequado, ninhada inesperada, falta de dinheiro ou de tempo foram motivos apontados por outros 14% dos entrevistados. 

O que muitos esquecem é que a posse responsável tem como obrigação para o tutor a prevenção dos riscos (potencial de agressão, transmissão de doenças ou danos a terceiros) que seu animal possa causar à comunidade ou ao ambiente.

Sem castração

Os levantamentos sobre o tema também apontam outro problema recorrente: a negligência do tutor com a castração. Ela não é preocupação para um alto número de tutores.

Segundo dados, 42% das pessoas que têm cães e gatos no Brasil não castram seus animais. Isso acontece por desinformação, desinteresse ou falta de recursos.

Abandono de pets aumenta nas férias

Cuidados básicos

Um total de 32% dos tutores não vermifugam seus animais anualmente e quase metade afirmam não ter condições financeiras para pagar consultas com o veterinário. Outros 68% desconhecem a necessidade de aplicação de outras vacinas além da antirrábica.

“O acompanhamento de um veterinário é muito importante. O profissional não deve ser consultado apenas quando o cão ou gato está doente. O pet também precisa de consultas de rotina”, afirma Dra. Eliana.

A profissional lembra que, da mesma forma que o animal sente alegria, ele sente dor, angústia e solidão. Atenção, carinho, passeio com guia, consultas de rotina ao veterinário, um abrigo seguro e higienizado em casa, além de comida e água são os cuidados básicos para um pet.

O abandono é crime e deve ser denunciado. A Lei de Crimes Ambientais (9608/98) prevê penalidades para abandono e maus-tratos de animais que vão de três meses a um ano de detenção, além de multa a partir de R$ 500.