A literatura como arma contra o preconceito racial

antologia (Re)Existência

Antologia (Re)Existência 📚 Contos de 28 escritores. Livro resultado de concurso literário reúne contos de 28 escritores negros brasileiros

Quando se trata de igualdade racial, o cenário literário está longe do ideal. Segundo uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), que analisou 692 romances de 383 escritores publicados entre 1965 e 2014, mais de 70% dos livros foram escritos por homens, 90% brancos.

Buscando mudar essa realidade, no mês de novembro, a Cartola Editora lançou um concurso literário em homenagem ao Dia da Consciência Negra. O resultado é a antologia “(Re)Existência”, organizada pela autora Meg Mendes, composta por contos sobre respeito, luta e igualdade racial.

Antologia (Re)Existência 📚 Contos de 28 escritores

A antologia reúne 30 histórias inspiradoras de escritores negros de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Sul, Paraná e Brasília. “Projetos literários com personagens negros e escrito por autores negros são extremamente importantes para que as novas gerações possam entender as marcas que o racismo deixa nas pessoas, para que as crianças negras possam se enxergar sendo advogadas, professoras, bombeiras, policiais, astronautas e escritoras.

Para quebrar o paradigma social imposto aos negros. Fico imensamente feliz e participar de um projeto tão engajado em fazer a diferença e mostrar a força do povo negro”, conta Meg.

Para Kali Oliveira, uma das autoras selecionadas, iniciativas como essa mostram a força e representatividade negra na literatura. Ela já participou de outros projetos do gênero e se orgulha de levantar essa bandeira para inspirar novos escritores, assim como um dia ela foi inspirada.

Antologia (Re)Existência

“O acesso a literatura preta permitiu que me identificasse com os personagens e com as autoras e autores negros e que por muitas vezes partilhasse do afeto, senso de justiça e solidariedade presentes nas histórias. Essas leituras ainda me permitiram me ver como escritora”, revela.

O escritor Arisson Tavares representa Brasília na antologia e se assusta ao presenciar histórias de racismo na capital do Brasil. “É irracional existir preconceito em um país onde 55,8% da população é composta por pretos e pardos. Não somos minoria e o nome do livro destaca esse pensamento. Ser resistência é exatamente reformular a existência e lutar por um mundo igualitário. No nosso caso, nossa arma é a arte e a união de artistas nacionais nos dá força ao projeto”, destaca o autor.

A obra está sendo diagramada e será entregue em junho, mas já está disponível para compra até o dia 7 de fevereiro de 2020 por meio de uma campanha de financiamento coletivo. Para saber como apoiar o projeto, acesse o site catarse.me/reexistencia.