Atividade física e saúde mental na adolescência - Cultura Alternativa

Atividade física e saúde mental na adolescência

A atividade física e a saúde mental na adolescência estão mais conectadas do que muitas famílias imaginam.

Exercícios regulares podem ajudar no controle do estresse, melhorar o sono, favorecer a autoestima e ampliar a convivência social.

Além disso, o tema ganhou ainda mais relevância porque, segundo a Organização Mundial da Saúde, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com alguma condição de saúde mental.

Ao mesmo tempo, ansiedade, depressão, pressão escolar e inseguranças relacionadas à aparência fazem parte da realidade de muitos jovens.

Por isso, movimentar o corpo pode funcionar como um importante fator de proteção emocional.

A adolescência concentra mudanças físicas, emocionais e sociais em um curto período. Além disso, o jovem precisa lidar com cobranças escolares, relações familiares, amizades, redes sociais e incertezas sobre o futuro.

Nesse contexto, a atividade física pode contribuir para a sensação de bem-estar, autonomia e competência.

Da mesma forma, esportes coletivos, dança, caminhada, ciclismo, natação e outras práticas criam oportunidades de socialização e ajudam a reduzir períodos prolongados diante das telas.

Por outro lado, o exercício não precisa seguir um modelo competitivo. Para muitos adolescentes, atividades mais livres, como caminhar, andar de bicicleta ou dançar, podem ser mais agradáveis e sustentáveis.

A OMS recomenda que crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos realizem, em média, pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa ao longo da semana.

Além disso, atividades mais intensas e exercícios que fortaleçam músculos e ossos devem aparecer pelo menos três vezes por semana.

Entretanto, esses números não devem virar fonte de cobrança. Para quem é sedentário, começar com períodos menores já representa avanço. Dessa forma, o foco deve estar na regularidade, e não na perfeição.

No Brasil, os dados mostram que muitos adolescentes ainda se movimentam menos do que o recomendado. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, do IBGE, 28,1% dos estudantes de 13 a 17 anos atingiam pelo menos 300 minutos de atividade física por semana.

Ao mesmo tempo, existe uma diferença importante entre os sexos: 38,5% dos meninos alcançavam esse nível de atividade, contra apenas 18% das meninas.

Essa desigualdade merece atenção. Fatores como pressão estética, insegurança corporal, falta de incentivo, ausência de espaços seguros e modelos esportivos excessivamente competitivos podem afastar meninas e outros grupos da prática regular.

Por isso, ampliar as opções de atividade física pode ser tão importante quanto incentivar o exercício em si.

Atividade física e saúde mental na adolescência, Dermatologista Erasmo Tokarski

As redes sociais criam um paradoxo. Por um lado, podem estimular hábitos saudáveis e divulgar atividades físicas. Por outro, também reforçam padrões corporais difíceis de alcançar e aumentam a comparação entre adolescentes.

Consequentemente, o exercício pode deixar de ser fonte de prazer e virar obrigação estética. Esse risco cresce quando o jovem associa atividade física exclusivamente a emagrecimento ou aparência.

Por isso, famílias e escolas devem estimular uma relação mais saudável com o corpo. O movimento deve estar ligado a prazer, saúde, convivência e autonomia.

Apesar dos benefícios, atividade física não substitui acompanhamento psicológico ou médico quando existem sinais persistentes de sofrimento emocional.

Mudanças prolongadas de comportamento, isolamento, tristeza intensa, ansiedade frequente, alterações importantes no sono ou na alimentação e queda significativa no rendimento escolar merecem atenção profissional.

Nesse sentido, a prática de exercícios deve fazer parte de uma rede mais ampla de cuidado, que também envolve diálogo, vínculos afetivos, sono adequado, alimentação equilibrada, lazer e acesso à saúde.

A relação entre atividade física e saúde mental na adolescência vai além da prevenção de doenças.

Quando o jovem encontra uma atividade de que realmente gosta, ele também pode ganhar confiança, novas relações sociais e maior percepção sobre o próprio corpo.

Portanto, o objetivo não deve ser formar atletas nem impor padrões físicos. O mais importante é criar oportunidades para que adolescentes se movimentem com prazer, segurança e liberdade.

Agnes Adusumilli – Jornalista e Editora do Site Cultura Alternativa