Azulejos, praias e guaraná Jesus: um dia no Maranhão

Quer conhecer o íntimo de uma cidade?

Converse com motoristas e taxistas. O motorista da van que nos acompanhou até o Palácio dos Leões, sede do governo maranhense e ícone de beleza e arquitetura representativa do estado, me contou que há mais influência francesa na região do que se imagina. Com um milhão de habitantes, São Luís é a única cidade brasileira fundada por franceses, tendo sido invadida pelos holandeses e colonizada pelos portugueses. O nome da capital maranhense vem da construção de um forte nomeado de Saint-Louis (“São Luís”), em homenagem prestada a Luís IX patrono da França, e ao rei francês da época, Luís XIII.

Palácio dos Leões – Um dos principais pontos turísticos do Maranhão guarda relíquias da história cultural e política maranhense dos séculos XVI a XX. Candelabros, tapetes, quadros em molduras belíssimas, porcelanas finas trazidas de países como a China, Áustria e França e pratarias portuguesas são artigos do luxuoso palácio.

Fica, vai ter almoço!

Mas não um almoço qualquer… Mas, sim, ali! No Palácio dos Leões. Talheres de prata sobre a mesa, um aparelho de ponche de encantar os olhos enfeitando o aparador, decoravam aquele momento em um dos cinco salões luxuosos que compunham o projeto neoclássico que foi erguido em 1612. Foi uma surpresa mágica!
Sentei-me, elegantemente – na medida do possível – à mesa que ficava sob um enorme lustre pendente de cristais, ali, no salão de banquete. Havia plaquinha com meu nome, em cursiva clássica, ao lado dos talheres. Muito requinte para uma trabalhadora suada ansiosa, para saber o que seria servido. Enquanto aguardava com a curiosidade e fome latejantes, o garçom me serviu, não um vinho rosé, como pensei que fosse, mas o famoso guaraná Jesus!

A simplicidade e e o luxo dando baile na minha vida mais uma vez. Refrescar-se com o famoso guaraná em terras maranhenses é sentir a cidade dentro de si. Eis que surge um dilema, eu não como frutos do mar devido à minha alergia. Diante de um banquete composto por arroz de cuxá (feito com vinagrera, tempero feito com ervas típicas da região), camaroada, torta de caranguejo e peixada, tive que contentar-me com a salada e farofa, com raiva do meu não poder comer. Mas a sobremesa superou, sorvete de jussara (o famoso açaí) em combinação com sorvete de tapioca. Nada mais propício para o calor!

Ao fim da tarde, enquanto acontecia mais uma reunião de chefes, dei uma espiada na janela. Cliquei um chão com azulejos lindos e um entardecer de encantar os olhos tomou conta da cena atrás das cortinas. E foi por meio do motorista da van que guiou nosso trajeto que eu soube que os famosos azulejos do Maranhão, não são apenas influência portuguesa. Mas também de influência francesa e holandesa (o que faz sentido ao compararmos com o histórico da cidade).

Hotel Luzeiros – de volta ao hotel, abri minha janela e vi aquilo que há um ano não via: o mar. Atendimento normal, e estrutura excelente, caí num sono de pedra para a batalha da manhã seguinte. Com o mar à beira da janela, fica muito mais fácil inspirar-se para o batidão.

Encerro minha experiência, com a consciência de que o Maranhão é um estado refém de problemas históricos. Mas que guarda segredos de cultura e arte em sua arquitetura e centro. Quem sabe um dia eu volte para explorá-lo melhor e conhecer as famosas dunas!

FONTE B. Gomes