O amor segundo Bertrand Russell

Bertrand Russell

Bertrand Russell morreu aos 98 anos, além de diversas obras literárias, “colecionava” também casamentos, causou-se pela quarta e última vez quando tinha 80 anos.

Filósofo e ativista, até nos anos finais da vida dedicou-se a diversas causas humanistas, foi contra a guerra do Vietnã e armamento nuclear, apontou diversas soluções para problemas sociais, podemos dizer que o coração de Russell era dividido em duas partes: o amor pela filosofia e o amor pelas mulheres.

O amor foi o centro da sua vida intelectual, o amor que quando amigo da razão pode fazer os únicos e verdadeiros milagres em uma vida, o problema é acreditar na possibilidade da amizade entre amor e razão.

Entre uma causa social e outra, Russell, deixava seu coração apaixonado falar pela sua filosofia: “Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria”. Escreveu essa belíssima reflexão, Russell, para nos dizer que antes de qualquer coisa o amor é a porta para de tudo na vida termos contentamento.

Amor é sentimento que só faz sentido se compartilhado, sobre isso escreveu Russell: “O anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade”. “Dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade”, amor coletivo que não anula o amor individual, aquele que nossa intimidade nos abre os braços, eterniza histórias, traz aquela esperança boa a nos aquecer coração.

Fico pensando, um coração que atravessou quase um século, inquieto, falando do mundo possível, do amor templo bom e libertário para quem estivesse ali com ele nas mãos folheando suas verdades não dogmáticas, Bertrand Russell, nos deixou um legado maravilho de que sem amor toda esperança é amarga, podemos ser cerebrais, mas sem amor ficamos sempre a porta da loucura.

Sobre Edith Finch, sua quarta esposa, Bertrand Russell, escreveu: “A satisfação que então sentíamos em ser companheiros foi crescendo e parece continuar crescendo sem limites, convertendo-se numa felicidade  duradoura e estável  que é a base da nossa vida”. A satisfação do companheirismo recria nossas vidas, a sensação de paz espiritual que nosso coração sente no verso amigo a nos acolher.

Hoje à noite corações andavam de mãos dadas pela Purificação, tudo é tão poeira em canto de tristeza, é preciso reconhecer do sabor o gelo da solidão, amor pode ser para além de nós sem aqui ser par. Hoje pela tarde formiguinhas andavam pelo açucareiro, doce tarde, aranhas entre os livros e olhos sem enxergar sentia do tempo o medo da noite solitária.

“Ela não ama você, ela ama o que você faz por ela” , me diz o filme AI( Inteligência Artificial ) do Steven Spielberg, ETs andam pelo telhado, colhem orvalhos e estendem seus dedinhos ao desenhar o nome bom do amor… Nome bom do amor é o nome a nos revelar que o tempo da solidão agora é tempo de dois somarmos um.

Amor é metafisica, cama e ansiedade de almas, sejamos nunca breves no calor desse bem que só dois corações sabem cantar, poema e oração, vem orar comigo, diz do teu coração e te digo dos salmos ao  diz o quanto amamos.

Não nascemos para o sopro singular da vida, razão par para além de nós para ser revelado no amor à beleza que é sentir no nosso peito o bater de outro coração, amor é sentir o frio e o calor de outra vida na nossa vida, dizer da filosofia a divisão que soma.

* As frases de Bertrand Russell foram retiradas do livro: “Russell, Os Pensadores, Ed. Abril 1978

Por Ediney Santana, para o Cultura Alternativa

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