A FALA OCULTA GRITA: CHICO VENCE O PRÊMIO CAMÕES!

CHICO VENCE O PRÊMIO CAMÕES, Chico Buarque

CHICO VENCE O PRÊMIO CAMÕES!

A música, a melodia, o poema e o romance… mensagens subliminares da realidade de uma civilização e sua forma de organizar como sociedade. Francisco Buarque de Holanda, músico, dramaturgo, escritor e ator brasileiro, conhecido como um dos maiores nomes da música popular brasileira (MPB).

Sua discografia conta com aproximadamente oitenta discos, entre solo, em parceria com outros músicos e compactos. Um verdadeiro menestrel da cultura brasileira, responsável por um acervo invejável de autoria excepcional.

Ninguém conseguiu retratar tão bem a sociedade brasileira e suas mazelas nos diversos momentos da história do país, com seus personagens que transitaram e transitam ainda hoje, no dia-a-dia do morro, das ruas, da cidade… com tamanha perfeição.

Em sua obra, a fala oculta grita diante da face da sociedade a hipocrisia, apresentando-lhe uma dura crítica acerca das desigualdades sociais, exclusão social, preconceitos e discriminações sofridas pelo pobre, pelo negro, pela mulher e outras minorias.

E também, em contraponto, tem a beleza poética, romântica, ingênua, sagaz e sedutora, que de forma arrebatadora, é capaz de hipnotizar qualquer indivíduo que dê a devida atenção ao belo acervo dessa obra, ora reconhecida e premiada.

O Prêmio Camões foi instituído inicialmente pelo Protocolo Adicional ao Acordo Cultural entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República Federativa do Brasil, criado e assinado em Brasília, em 22 de junho de 1988, e aprovado pelo governo português por meio do Decreto n.º 43/88. Mais tarde, foi substituído pelo Protocolo Modificativo do Protocolo Que Institui o Prêmio Camões, assinado em Lisboa, em 17 de abril de 1999, aprovado por Portugal através do Decreto n.º 47/99.

É considerado o mais importante da literatura de língua portuguesa a premiar um autor pelo conjunto da sua obra. É atribuído anualmente, alternadamente no Brasil e em Portugal, por um júri especialmente constituído para avaliação dos indicados.

O prêmio consiste numa quantia pecuniária resultante das contribuições dos dois países, fixada anualmente de comum acordo, e tem como objetivo reconhecer um autor de língua portuguesa que tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural do idioma lusitano através de seu conjunto da obra.

CHICO VENCE O PRÊMIO CAMÕES

13 BRASILEIROS QUE FORAM COMTEMPLADOS COM O PRÊMIO CAMÕES

ANO LOCAL/DATA DE ATRIBUIÇÃO AUTOR GALARDOADO ÁREA DE ATUAÇÃO
1990 Lisboa, Outubro de 1990 João Cabral de Melo Neto (1920–1999) Poesia, ensaio
1993 Lisboa, Junho/julho de 1993 Rachel de Queiroz (1910–2003) Romance, crônica, tradução, jornalismo, teatro, memórias, literatura infanto-juvenil.
1994 Rio de Janeiro, Março de 1995 Jorge Amado (1912–2001) Romance, crônica, novela, poesia, literatura infanto-juvenil, biografia, jornalismo, memórias
1998 Lisboa, Julho de 1998 Antônio Candido (1918–2017) Crítica literária, estudos literários, ensaio, sociologia.
2000 Rio de Janeiro, Agosto de 2000 Autran Dourado (1926–2012) Romance, conto, ensaio, memórias.
2003 Rio de Janeiro, Maio de 2003 Rubem Fonseca (1925–) Romance, conto, crônica, novela, roteiro de cinema.
2005 Rio de Janeiro, Maio de 2005 Lygia Fagundes Telles (1923–) Romance, conto.
2008 Lisboa, 26 de julho de 2008 João Ubaldo Ribeiro (1941–2014) Romance, conto, crônica, novela, literatura infanto-juvenil, ensaio, jornalismo.
2010 Lisboa, 31 de maio de 2010 Ferreira Gullar (1930–2016) Poesia, conto, crônica, ensaio, crítica de arte, biografia.
2012 Lisboa, 21 de maio de 2012 Dalton Trevisan (1925–) Conto, romance, novela.
2014 Lisboa, 30 de maio de 2014 Alberto da Costa e Silva (1931–) História, poesia, memórias, ensaio, biografia.
2016 Lisboa, 30 de maio de 2016 Raduan Nassar (1935–) Romance, novela, conto.
2019 Rio de Janeiro, 21 de maio de 2019 Chico Buarque (1944–) Música, teatro, romance, poesia.

Do total das 31 premiações do Prêmio Camões, foram contemplados 13 candidatos de Portugal, 13 do Brasil, 2 de Angola, 2 de Moçambique e 2 do Cabo Verde. Constata-se que foram apenas seis mulheres que receberam a honraria até os dias atuais, sendo que duas são brasileiras e nenhuma é de origem africana.

Apesar das críticas, o Prêmio Camões comumente é saudado por intelectuais por conferir reconhecimento a autores de renome que transitam por diferentes gêneros e estilos, proporcionando uma maior circularidade das obras entre os países lusófonos.

O júri é formado por representantes do Brasil, de Portugal e de países africanos que tem a língua oficial portuguesa e, após reunião de quase duas horas, anunciam finalmente o ganhador. E

ste ano, o anúncio foi feito na sede da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e o cantor e escritor brasileiro Chico Buarque foi o grande vencedor do Prêmio Camões 2019, um dos maiores reconhecimentos da literatura em língua portuguesa, e a 31ª edição irá premiar o vencedor com 100 mil euros. Chico Buarque é o 13º brasileiro a fazer parte do seleto grupo de grandes nomes como Jorge Amado (1994) e os portugueses José Saramago (1995) e António Lobo Antunes (2007), entre outros.

CHICO VENCE O PRÊMIO CAMÕES

Abaixo, segue a relação de suas principais obras literárias e de teatro:

“Chapeuzinho amarelo”, obra de 1970 – livro infantil com ilustrações de Ziraldo;

“Fazenda modelo”, de 1974; novela;

“Gota d’água”, de 1974; peça de teatro;

“A bordo do Rui Barbosa”, de 1981; poemas;

“Estorvo”, de 1991; romance;

“Benjamin”, de 1995; romance;

“Budapeste”, de 2003; romance;

“Tantas palavras”, de 2006; todas as letras;

“Leite derramado”, de 2009; romance;

“O irmão alemão”, de 2014; romance.

Principais premiações do Chico Buarque:

Troféu Imprensa – Revelação do ano, 1967;

Troféu Imprensa – Melhor Cantor, 1975;

Prêmio Jabuti – Romance e Livro do ano/Ficção – Estorvo, 1992;

Grammy Latino de melhor álbum de MPB – Cambaio, 2002;

Prêmio Jabuti – Livro do ano/Ficção e Romance – Budapeste, 2004;

Prêmio Jabuti – Romance e Livro do ano/Ficção – Leite Derramado, 2010;

Prémio Casa de las Américas – Prémio de Narrativa José Maria Arquedas – Leite Derramado, 2013;

Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte – Categoria romance – O Irmão Alemão, 2014;

Prêmio Jabuti – Livro Publicado no Exterior – “Mijn duitse broer” (De Bezige Bij), 2017;

Grammy Latino de melhor álbum de MPB – Caravanas, 2018;

Prêmio Camões – Conjunto da obra, 2019.

Wellington de MelloEscritor, Redator, Publicitário, Designer Gráfico e Fotógrafo.

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**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha do Cultura Alternativa.