CICLOS DA VIDA – Por Cândido Eurico Neves Souza

CICLOS DA VIDA – Por Cândido Eurico Neves Souza

 

Nossas vidas são feitas de ciclos, muitas vezes nem percebemos o findar deles, e vamos vivendo sem nos dar conta, e assim deixamos escapar a oportunidade de avaliar o momento e a nossa própria vida.

Quando criança, vivemos intensamente cada momento e sem percebermos, acreditamos que a nossa vida, assim como nossa família, são eternos e jamais terão um fim, mas com o passar dos anos, vamos nos dando conta que, tanto a vida, quanto a nossa família, tem prazo de validade neste plano, e que alguns ciclos da vida são interrompidos ou deixam de existir naturalmente, quer sejam; pela fim da vida ou por termos terminado o colegial por exemplo, onde acreditávamos que, aquelas lindas amizades de infância e adolescência não teriam fim, onde todos os nossos amigos seriam para a vida toda, e como num passo de mágica, deixamos de vê-los, de freqüentar as amadas salas de aula, participar das turminhas de conversas e curtirmos juntos as festinhas, e entre nossos dedos, como água, sem poder ser segura, vão de gota em gota sendo deixadas nas mais remotas de nossas lembranças. E quando nos damos conta, aquelas conversas diárias que tínhamos, aquelas peraltices e traquinagens, não mais serão permitidas e/ou toleradas, porque já não seremos mais adolescentes e sim, novos “jovens adultos”.

Quando nós, novos “jovens adultos”, olhamos um pouco para traz, começamos a observar que, aquela suposta eternidade de nossas vidas e da nossa família, era simples fantasia de nossa cabeça, e é aí, na sua grande maioria, que alguns passageiros da “nave vida”, começam a descer, a ficar em algumas estações, alguns desses passageiros são membros de nossa família: avós maternos e paternos, pessoas essas que foram tão importantes para a nossa formação e que tanto contribuíram para a felicidade de nossos pais e de nós mesmos, mas novamente, como água entre os dedos, eles vão indo um por um, nossos vovô e vovó, e é neste instante, que percebemos com maior clareza, que o ciclo da vida tem fim realmente, e que uma parte de nós se vai com eles e uma parte deles fica conosco, transcendendo toda e qualquer explicação lógica.

Como de estação em estação, o trem segue, percorrendo a trilha da vida, passando por caminhos mais íngremes e outros de paisagens belíssimas, dificuldades e felicidade com certeza se fazem presentes em todo o caminhar, mas novamente, a estrada da vida é interrompida, e aquela suposta eternidade da vida e de nossa família é deixada pelo caminho, de forma natural, pelo peso da idade ou pelas chagas das doenças oportunistas e malignas, onde vemos nossos pais, que achávamos indestrutíveis, como super heróis, ficando no meio da nossa caminhada, e como o vento, levam junto deles, todo o amor que nos dedicaram e que nos protegiam, neste instante sentimo-nos órfãos, largados num mundo feroz e sem nenhuma proteção, fechando neste momento outro ciclo, e iniciando-se outro, sendo que este é definitivamente o nosso, onde nós seremos os protagonistas, onde nós teremos que determinar o caminho, pois agora o “porto seguro”, não mais existirá.

Alguns de nós detentores desse novo ciclo, nos aliamos a outros, para formar outro nicho familiar virtuoso, criando nossas próprias famílias, retro alimentando o imaginário da eternidade da vida e da família, mulher e filhos são colocados por Deus em nossas vidas, restabelecendo a aquele contrato que achamos indissolúvel, porém, as vezes, no caminhar, alguns desses novos nichos são interrompidos, por contingências da vida ou por desvios cometidos, que nos levam a abismos sem retorno.

Aos poucos, o caminhar não vai sendo tão rápido quanto nós imaginávamos que continuaria a ser, porém o destino de cada um, vai chegando mais perto a cada piscar de olhos, quando nos damos conta, os anos se passaram, e as pessoas queridas de sua vida, não estão mais do seu lado, seus avós, seus pais, seus filhos e seus amigos, e o funil da vida “eterna” se completa.

Porém, nesse “funil da vida”, devemos sempre ter em mente, que o caminho foi repleto de experiências, e que todas elas, devem servir para o nosso crescimento e daqueles que nos rodeiam, pois se recebemos contribuições ao longo de nossa caminhada, devemos ofertar de bom grado o que temos de melhor, para deixar no fim do funil, o que existe de melhor para os que ficam, que é: o amor que fortalece, o amor que cria, o amor que transforma, o amor que nos une em corpo e espírito, e que sem ele não poderemos fortalecer a base de todos esses ciclos, a família.

Cândido Eurico Neves Sousa