O consumo de tabaco está diminuindo - Dia Mundial Sem Tabaco - Cultura Alternativa

Consumo de tabaco cresce no Brasil após anos de queda: o que explica essa mudança?

O consumo de tabaco voltou a apresentar crescimento nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.

Em 2024, 11,5% dos adultos entrevistados pelo Vigitel declararam fumar. No ano anterior, o índice estava em 9,3%.

Embora a comparação entre dois anos não confirme uma reversão definitiva, o resultado representa um sinal de alerta para uma política pública que transformou o Brasil em referência internacional.

A mudança também revela um cenário mais complexo. Atualmente, o país precisa combater tanto o cigarro convencional quanto novas formas de consumo de nicotina, especialmente os dispositivos eletrônicos.

Ao mesmo tempo, desigualdades sociais, comércio ilegal e redução da percepção de risco podem dificultar novos avanços.

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Consumo de cigarro aumentou em 2020

Tabagismo no Brasil interrompe trajetória de queda

Entre 2006 e 2024, o percentual de fumantes nas capitais e no Distrito Federal caiu de 15,7% para 11,5%. Portanto, apesar do aumento recente, a tendência histórica ainda é de redução.

Em 2024, a prevalência chegou a 13,9% entre os homens e a 9,5% entre as mulheres. Além disso, o tabagismo continua mais frequente entre pessoas com menor escolaridade.

Esse dado mostra que fumar não depende apenas de uma escolha individual, mas também envolve renda, acesso à informação, condições de trabalho e oportunidades de tratamento.

O Brasil alcançou resultados importantes por meio da proibição da propaganda, dos alertas nas embalagens, da criação de ambientes livres de fumaça e do aumento da tributação.

No entanto, para preservar esses avanços, as estratégias precisam acompanhar as mudanças no comportamento da população.

Por que o consumo de tabaco pode estar aumentando?

Ainda não existe uma única explicação para o crescimento registrado em 2024. Entretanto, alguns fatores ajudam a compreender o cenário.

De um lado, cigarros convencionais e eletrônicos continuam disponíveis no comércio ilegal. De outro, as redes sociais facilitaram a divulgação indireta de produtos com nicotina, sobretudo entre jovens.

Sabores, embalagens coloridas e formatos tecnológicos também contribuem para reduzir a percepção dos riscos.

Nesse contexto, o aumento pode indicar a necessidade de fortalecer campanhas permanentes de prevenção.

As ações educativas tiveram grande presença no passado, mas atualmente disputam atenção com conteúdos digitais que apresentam o consumo de nicotina como comportamento moderno ou socialmente aceitável.

Cigarros eletrônicos desafiam a fiscalização brasileira

Os dispositivos eletrônicos para fumar são proibidos no Brasil desde 2009. Em 2024, a Anvisa publicou a RDC nº 855, que manteve a proibição da fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda desses produtos.

Mesmo assim, os vapes continuam acessíveis no comércio informal. Em junho de 2026, uma operação da Anvisa e da Receita Federal apreendeu dispositivos eletrônicos e 107 mil maços de cigarros convencionais contrabandeados. Dessa maneira, o problema deixa de ser apenas regulatório e passa a exigir fiscalização constante.

Além da nicotina, os dispositivos podem liberar substâncias tóxicas e partículas prejudiciais ao sistema respiratório. Por esse motivo, não devem ser apresentados como produtos inofensivos ou como alternativas seguras ao cigarro.

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O consumo de tabaco

Tabagismo também provoca perdas econômicas

O impacto do tabaco ultrapassa as doenças respiratórias. O consumo está relacionado a câncer, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e doença pulmonar obstrutiva crônica.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o tabagismo provoca aproximadamente 477 mortes por dia no Brasil. Além disso, os danos geram perdas anuais estimadas em R$ 153,5 bilhões, incluindo despesas médicas e redução da produtividade.

Uma análise divulgada pelo INCA em 2025 mostrou ainda que, para cada R$ 1 de lucro da indústria do tabaco, a sociedade brasileira perde cerca de R$ 5 com doenças relacionadas ao consumo.

Assim, a arrecadação obtida com o setor não compensa seus custos sanitários e econômicos.

Parar de fumar exige acolhimento e tratamento

A dependência de nicotina é uma condição de saúde, e não uma falha de comportamento. Por isso, quem deseja parar de fumar pode procurar uma Unidade Básica de Saúde.

O SUS oferece acompanhamento profissional, orientação e medicamentos, conforme a avaliação de cada paciente.

Diante do crescimento observado, o Brasil precisa renovar suas políticas de prevenção, ampliar o tratamento e proteger os jovens das novas estratégias de atração para a nicotina.

Afinal, preservar os avanços conquistados dependerá da capacidade de reconhecer que o tabagismo mudou, embora seus danos continuem graves.

REDAÇÃO SITE CULTURA ALTERNATIVA

Fontes

Ministério da Saúde — Vigitel Brasil 2006-2024

INCA — Prevalência do tabagismo

Anvisa — Cigarro eletrônico

INCA — Tabagismo e impactos na saúde

INCA — Custos das doenças relacionadas ao tabaco

Anvisa — Operação contra o comércio de cigarros eletrônicos

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