Exclusivo – Dia de jornalista reacende debate sobre liberdade de expressão, por Zildenor Dourado

Dia de jornalista

Dia de jornalista reacende debate sobre liberdade de expressão

Neste dia (7), os jornalistas brasileiros voltam a ser lembrados em virtude da comemoração do dia dedicado à categoria. Mas será que isso traz alguma coisa de interessante para todos nós que trabalhamos nessa profissão tão discutida, amada, odiada e que, cada vez mais, é alvo dos mais variados tipos de pressão?  

Ao longo dos séculos, o exercício do jornalismo sempre despertou muitas críticas. Sobretudo onde existe democracia concreta _ indispensável para a garantia do direito de liberdade de expressão e pensamento _ a atuação da imprensa é vista com desconfiança tanto pelos detentores do poder, como pelos cidadãos mais conscientes.

Muitas vezes somos bajulados, pois acreditam que geralmente temos um poder maior de influência do que ocorre na realidade. Somos acusados de quase tudo: agentes do capitalismo, destruidores de reputação, aves de rapina, cobras venenosas, mentirosos…

Aqui no Brasil, jornalistas que atuam em veículos de comunicação não- alinhados com os interesses do governo estão sendo atacados ferozmente como profissionais inescrupulosos a serviço de uma “mídia golpista”.  A campanha difamatória é tão reproduzida  nas redes sociais que chegam inclusive a pregar o fechamento da mais poderosa rede de televisão do País, como represália à maciça divulgação das denúncias que estão sendo apuradas  _ e comprovadas_ pela Justiça.

 É lamentável constatar, mais uma vez, que a chamada esquerda brasileira só se coloca a favor da livre atuação da imprensa, quando ela é parceira na defesa e divulgação de seus interesses corporativistas muitos deles legítimos, cabe reconhecer. Não estamos, obviamente, acima de quaisquer suspeitas, nem reivindicamos uma utópica blindagem sobre a seriedade do nosso trabalho. Mas não somos culpados pela podridão dos atos que registramos.  Ah, se pudéssemos mudar tudo de ruim que noticiamos…

Temos bons e maus jornalistas. E não é assim em todas as profissões?  Muitos dos nossos colegas _ é preciso admitir _ estão bem distantes de honrar os compromissos, do nosso Código de Ética: “o compromisso do jornalista é com a verdade”, inclusive em função das exigências do mercado, envolvidas em qualquer atividade comercial. Mas será que existe alguma categoria profissional por estas bandas tão cumpridoras dos utópicos padrões éticos desejáveis?

 Convém ressaltar que, nos últimos anos, uma desastrada medida ajudou a desvalorizar o bom exercício do jornalismo no Brasil, com o fim da exigência legal de graduação específica de nível superior. Aumentou-se de forma tolerada, oficial, a invasão dos “vendedores de notícias”, que mal conhecem as regras básicas da língua portuguesa _ e muito menos os pressupostos básicos da nossa profissão. Todo mundo que escreve qualquer coisa hoje pensa que pode ser considerado jornalista…

Se pudéssemos pedir um presente à sociedade e aos políticos neste dia que deveria ser festivo _, acho que o retorno da seriedade na regulamentação da profissão, com a cobrança da desvalorizada diplominha, seria uma boa sugestão.  E se não for querer demais, uma boa dose de respeito também nos faria bem. Nem vou falar de salários justos, nem de piso salarial decente, pois vão nos acusar mais uma vez de querer esculhambar o Brasil.

Por *Zildenor Dourado é jornalista e cronista

Em 07 junho de 2015