Dia Nacional da Consciência Negra: Essa luta é de todos

Dia Nacional da Consciência Negra

Dia Nacional da Consciência Negra: Pesquisa mostra que 18% das pessoas ainda cometem atitudes racistas


Escritora e Doutora em Educação, Kiusam de Oliveira, destaca a importância da data e a luta contínua contra o preconceito


O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro. A data faz referência à morte de Zumbi, o líder do Quilombo dos Palmares, símbolo de liberdade e luta da cultura negra, que foi assassinado por Bandeirantes no dia 20 de novembro de 1695.

A data foi instituída oficialmente no Brasil pela Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011.

O Dia da Consciência Negra não se constitui feriado nacional, mas estadual e, em mais de mil cidades, feriado municipal.

Por sua vez, o 20 de novembro é feriado estadual no Rio de Janeiro, Mato Grosso, Alagoas, Amazonas, Amapá e Rio Grande do Sul.

No Brasil a Lei Áurea foi implementada em 13 de maio de 1888, no entanto a data não é comemorada pelo movimento negro. De acordo com a escritora e doutora em educação Kiusam de Oliveira

“A abolição não se deu por completo, foi uma abolição inconclusa, isto se dá porque a Lei Áurea tratou 350 anos de escravidão do povo negro de uma forma extremamente racista”, explica Kiusam.  

Dia Nacional da Consciência Negra

Por meio de uma pesquisa quantitativa, o Grupo Croma aplicou o estudo Oldiversity, que tem o objetivo de investigar como as marcas estão ligadas à longevidade e diversidade de orientação sexual, gênero, raça e pessoas com deficiência, e mostrar como elas estão se adequando a novos anseios e realidades sociais.

De acordo com o instituto, foram entrevistadas cerca de 1800 pessoas e 18% destes assumiram ter feito pelo menos uma vez, ou seja, ter atitudes racistas.  Apesar de questionável, pelo fato desse percentual ser potencialmente maior, reconhecer o preconceito racial é ponto de partida para alguma mudança. Nesse sentido, 37% concordam que a propaganda no Brasil ainda é racista.

Ao mesmo tempo, outros indicadores também chocam: 3% ou 55 pessoas do estudo declararam achar estranho ser atendido por um negro. Outros 56% assumem que as empresas têm preconceito ao contratar negros e 32% dizem que as marcas presentes no Brasil reproduzem comportamentos preconceituosos. Além disso, 16% acreditam que as marcas correm risco ao associar sua imagem a negros.

Em 2018, dos cerca de 33.590 jovens de 15 a 29 anos que foram assassinados no país, 77% eram negros. Talvez esses dados possam servir como mais um alerta para a quebra de padrões estéticos racistas e promover uma verdadeira inclusão social, ampliando a presença dos negros na publicidade e no quadro de funcionários das empresas.

A autora de obras da literatura negra brasileira costuma narrar histórias que remetam a ideia de acabar com qualquer resquício de preconceito presente na sociedade. O livro O Black Power de Akin (Editora de Cultura), traz a história de um jovem negro de 12 anos que cobre a cabeça com um boné ao ir para a escola.

Ao seu avô, Dito Pereira, ele não conta que tem vergonha do seu cabelo, motivo de chacota dos colegas. Antes que Akin tome uma atitude brusca, o sábio avô, com a força das histórias da ancestralidade, leva o neto a recuperar a autoestima.

Seus livros são referência quando o assunto é o empoderamento de crianças negras. Uma das suas personagens mais conhecidas é Tayó, uma menina que valoriza seus cabelos crespos e vai ganhar novas histórias em versões de quadrinhos.

O livro “O mundo no Black Power de Tayó” retrata a importância do empoderamento infantil, lutando assim contra as discriminações racial, social e estética bem como o bullying, “explica a escritora”.

Não só nos livros, mas também em suas redes sociais, Kiusam, autora brasileira, é ativa nas redes sociais e promove discussões para crianças e adolescentes frequentemente com assuntos impactantes na sociedade, como o preconceito, raça, bullying, cultura, a representatividade de negros em literaturas e outros meios de comunicação a partir de histórias seguras e independentes, que buscam o caminho da igualdade.

Vale ressaltar que aos poucos a sociedade pode ser transformada, não é à toa que Kiusam criou em junho deste ano a ‘Campanha Super Dindes’, projeto que teve como objetivo doar 1500 livros para crianças de todas as regiões do Brasil em situação de vulnerabilidade.

Apesar do Dia da Consciência Negra não ser adotado como feriado em todos os estados, é um momento para tomar iniciativa e mostrar que o lugar das pessoas devem ser os mesmos, independentemente de raça, cor, religião ou classe social. “É uma maneira de combater o racismo e incentivar a classe para o poder tomado pela branquitude”, finaliza Kiusam de Oliveira.

Sobre Kiusam de Oliveira

Nascida em Santo André, grande São Paulo, aos 14 anos ingressou no Colégio IESA para cursar Magistério de 2o Grau.

Atua como professora há mais de 25 anos. Desenvolveu também, ao longo de anos, atividades formativas para educadores e profissionais de todas as áreas juntamente às instituições públicas e privadas, com temáticas relacionadas à diversidade de gêneros, questões étnico-raciais e afins.