O Dia Nacional do Café é comemorado em 24 de maio e, por isso, representa uma boa oportunidade para conhecer mais sobre essa bebida tão enraizada na cultura brasileira. Afinal, o café não é apenas um hábito cotidiano.
Na verdade, ele representa uma das maiores cadeias produtivas do país, com impacto direto na economia, nas exportações e na vida de milhões de trabalhadores rurais.
Um país apaixonado pelo café
O Brasil ocupa, historicamente, a posição de segundo maior consumidor mundial de café em volume, atrás apenas dos Estados Unidos.
Dessa forma, a bebida se consolida como parte essencial da identidade nacional. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), entre novembro de 2023 e outubro de 2024, o consumo interno registrou alta de 1,11%, totalizando 21,9 milhões de sacas de 60 kg. Portanto, o número reafirma a força da bebida no mercado doméstico.
Entretanto, o cenário mais recente trouxe novidades importantes. O consumo recuou 2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025, passando de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas.
Ainda assim, a queda, embora modesta, reflete um fator determinante: o preço. De fato, nos últimos cinco anos, a matéria-prima acumulou alta de 201% no conilon e 212% no arábica, enquanto o preço no varejo subiu 116%. Como resultado, em 2025, o café tradicional ficou 5,8% mais caro nas prateleiras.

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Dia Nacional do Café
Produção e exportações em alta histórica
Por outro lado, o panorama das exportações é motivo de orgulho nacional. Em 2025, o Brasil vendeu ao exterior 40 milhões de sacas, com receita recorde de US$ 15,6 bilhões, aumento de 24,1% em relação ao ano anterior.
A cifra é a maior desde 1990, quando o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) iniciou o levantamento.
As exportações de cafés diferenciados, aqueles de alta qualidade ou certificados por práticas sustentáveis, representaram 19,5% do total das vendas na safra 2024-2025.
Esse dado indica uma mudança estrutural relevante: o Brasil não exporta apenas volume. Exporta, cada vez mais, qualidade e identidade.
Vale destacar, porém, que o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos impactou os embarques ao principal mercado consumidor mundial.
As vendas ao mercado norte-americano caíram 33,9%, e a Alemanha assumiu a posição de maior cliente do café brasileiro em 2025.
O crescimento dos cafés especiais
Um dos movimentos mais relevantes do setor é a ascensão dos cafés especiais. Embora o café tradicional ainda domine o mercado, o segmento de especiais cresce de forma consistente, ocupando espaço em cafeterias, empórios e plataformas digitais.
A seleção manual dos grãos, o cuidado na colheita e o controle rigoroso da torra influenciam diretamente na qualidade da bebida. Para o consumidor, esse movimento representa mais opções, mais história e mais complexidade na xícara.
Dia Nacional do Café
Preparação e sabores: guia rápido
Que tal aproveitar a data para experimentar uma nova forma de preparo? Confira as variações mais populares:
Café com Panna: creme de leite fresco sobre o espresso.
Cappuccino: espuma de leite, leite vaporizado e café, em proporções iguais de um terço cada.
Café Latte (Média): espresso com leite vaporizado e fina camada de espuma.
Mocha: calda de chocolate, leite vaporizado, espuma e uma dose de espresso.
Café Breve: espresso com leite e creme especial por cima.
Macchiato: café com crema de leite, também conhecido como “café com espuminha”.
Café com chantilly: espresso coberto com chantilly, comum em todo o país.
Uma xícara que conta a história do Brasil
O café chegou ao Brasil no século XVIII e, desde então, moldou territórios, economias e culturas. Hoje, ele segue como símbolo de hospitalidade, ritual diário e motor econômico.
Mesmo diante de pressões de preço e desafios climáticos, o Brasil mantém a posição de segundo maior consumidor mundial e permanece como o maior consumidor dos cafés que produz.
Em cada xícara, há muito mais do que cafeína. Há identidade brasileira.
Agnes Adusumilli para o Cultura Alternativa
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