Destinos para ficar em dois lugares ao mesmo tempo
Viajar permite atravessar fronteiras, conhecer culturas e mudar de paisagem.
Porém, alguns destinos oferecem uma experiência ainda mais curiosa: ficar, literalmente ou simbolicamente, em dois lugares ao mesmo tempo.
Há hotéis cortados por fronteiras internacionais, cidades onde uma rua muda de país várias vezes, pontos que unem hemisférios e até uma região em que duas grandes placas tectônicas se afastam.
Conheça lugares que transformaram a geografia em atração turística.
França e Suíça: dormir entre dois países
Na pequena localidade de La Cure, na região do Jura, o hotel L’Arbézie ocupa uma posição singular: a fronteira entre França e Suíça atravessa o edifício.
Assim, dependendo do quarto, o visitante pode dormir com a cabeça em um país e os pés no outro. Além disso, diferentes ambientes do hotel ficam dos dois lados da divisa.
Construído no século XIX, o estabelecimento também explora a identidade franco-suíça na gastronomia e na própria história.
Portanto, mais do que uma curiosidade para fotografias, a hospedagem oferece uma experiência cultural de fronteira.
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Bélgica e Países Baixos: uma cidade que desafia o mapa
Baarle parece um quebra-cabeça geográfico. O município reúne Baarle-Nassau, nos Países Baixos, e Baarle-Hertog, na Bélgica.
Ao todo, existem 30 enclaves. Consequentemente, as fronteiras atravessam ruas, jardins e até residências. No chão, marcações indicam quando o visitante passa de um país para outro.
Em alguns imóveis, a localização da porta de entrada determina o endereço nacional. Dessa forma, caminhar pelo centro pode significar cruzar repetidamente a Bélgica e os Países Baixos em poucos minutos.
Equador: entre os hemisférios Norte e Sul
Nos arredores de Quito está a famosa Ciudad Mitad del Mundo, dedicada à linha do Equador e à história das expedições científicas que estudaram a latitude zero.
Há, porém, uma curiosidade importante. Medições modernas por GPS mostraram que a linha indicada junto ao monumento histórico não corresponde exatamente ao Equador geográfico.
A linha real passa cerca de 240 metros ao norte. Ainda assim, o complexo segue como uma das atrações mais conhecidas do país.
Além disso, uma viagem à região permite combinar a experiência com o centro histórico de Quito, inscrito como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1978.
Cabo das Agulhas: entre Atlântico e Índico
Na África do Sul, o Cabo das Agulhas marca o ponto mais meridional do continente africano e, oficialmente, a divisão entre os oceanos Atlântico e Índico.
O Parque Nacional de Agulhas possui um marco que identifica o local. Próximo dali fica também o histórico farol de Cape Agulhas, inaugurado no século XIX e considerado o segundo farol em funcionamento mais antigo da África do Sul.
Por outro lado, não espere enxergar uma linha física separando os oceanos. A divisão é geográfica, enquanto correntes marítimas e águas se misturam naturalmente.
Destinos para ficar em dois lugares ao mesmo tempo
Represa Hoover: entre Arizona e Nevada
A monumental Represa Hoover fica exatamente na divisa dos estados norte-americanos de Nevada e Arizona.
Portanto, basta atravessar a estrutura para mudar de estado. Existe ainda uma particularidade relacionada ao horário: o Arizona não adota o horário de verão na maior parte de seu território, enquanto Nevada adota.
Assim, dependendo da época do ano, atravessar a fronteira pode ou não representar também mudar de horário.
Além da curiosidade, a visita revela uma das obras de engenharia mais conhecidas dos Estados Unidos.
Islândia: entre placas tectônicas
O Parque Nacional Þingvellir oferece uma das experiências geológicas mais impressionantes desta lista.
A região integra a zona de afastamento das placas Norte-Americana e Eurasiática. Fendas e paredões tornam esse processo visível na paisagem.
Entretanto, dizer que uma pessoa coloca literalmente um pé em cada placa simplifica a geologia: a zona de separação tem vários quilômetros de largura.
Ainda assim, caminhar por Þingvellir significa observar, na superfície, forças que continuam remodelando lentamente o planeta.
Assim, esses destinos para ficar em dois lugares ao mesmo tempo mostram que uma fronteira pode ser muito mais do que uma linha no mapa.
Em alguns lugares, ela própria se transforma em patrimônio, experiência turística e convite para compreender melhor a geografia do mundo.
Agnes Adusumilli – Jornalista e Editora do Site Cultura Alternativa
Fontes consultadas: L’Arbézie, site oficial Hôtel L’Arbezie Les Rousses, Jura; Visit Baarle Visit Baarle; Ciudad Mitad del Mundo e Ecuador Travel Ciudad Mitad del Mundo; Smithsonian Magazine Smithsonian Magazine; South African National Parks Sanparks; U.S. Bureau of Reclamation Bureau of Reclamation; Thingvellir National Park Þjóðgarðurinn á Þingvöllum; UNESCO UNESCO World Heritage Centre.
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