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Escritoras que foram esquecidas pela Literatura Brasileira

Mulheres escritoras

Durante décadas, muitas autoras brasileiras permaneceram à margem do reconhecimento literário.

Contudo, graças ao esforço de pesquisadoras e editoras, esses nomes vêm sendo resgatados e novamente celebrados.

Assim, obras que antes estavam escondidas em bibliotecas ou em edições esgotadas voltam a circular, ganhando novos leitores.

Na literatura, as mulheres vêm lutando pelo fim da hegemonia do masculino há muito tempo.

Algumas, nós conhecemos muito bem: Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Adélia Prado.

Outras, como Ana Cristina Cesar ou Hilda Hilst, por mais que tenham menos destaque na boca do povo ainda se configuram como escritoras inseridas nos cânones da literatura – certamente como escritoras marginais, mas ainda assim, reconhecidas.

Confira, a seguir, algumas escritoras esquecidas da Literatura Brasileira:

Mulheres escritoras

Júlia Lopes de Almeida (1862-1934)

Júlia foi uma das intelectuais mais influentes de sua época. Em 2021, por exemplo, a Companhia das Letras lançou uma nova edição de A Falência, ampliando o acesso ao público contemporâneo.

Além disso, sua atuação como abolicionista e pioneira da literatura infantil mostra o quanto esteve à frente de seu tempo. Por isso, hoje ela é reconhecida como uma autora essencial da literatura nacional.

Maura Lopes Cançado (1929-1993)

Maura deixou uma marca profunda ao narrar sua experiência em hospitais psiquiátricos. Seu livro O Hospício é Deus, reeditado em 2016, trouxe à tona uma escrita visceral e necessária.

Desde então, muitos leitores passaram a valorizar sua obra como uma reflexão sobre saúde mental. Assim, sua produção ganhou espaço em debates literários e acadêmicos.

Ângela Lago (1945-2017)

Ângela uniu palavra e imagem com uma sensibilidade ímpar. Obras como Cena de Rua permanecem como referência, principalmente em pesquisas sobre literatura infantil.

Mesmo após sua morte, em 2017, seus livros continuam presentes em escolas e universidades. Desse modo, sua contribuição segue viva e inspiradora para novas gerações de escritores e ilustradores.

Adelina Lopes Vieira (1850-1923)

Adelina trabalhou ao lado da irmã, Júlia, na criação de Contos Infantis. Embora seu nome tenha sido ofuscado, hoje estudiosos reconhecem sua participação na consolidação da literatura infantil. Portanto, sua obra simboliza a força da escrita feminina no século XIX.

Georgeta Araújo (1911-2004)

Também chamada de Nola Araújo, destacou-se ao retratar o cotidiano de Cachoeira, na Bahia. Em projetos recentes, sua produção voltou a ser lembrada.

Assim, suas crônicas e poesias ganharam espaço em iniciativas culturais e revelaram a importância da literatura regional para a memória coletiva.

Albertina Bertha (1880-1953)

Albertina ousou ao escrever sobre emancipação feminina e erotismo em uma época marcada por conservadorismo. Por esse motivo, sua obra hoje recebe novos olhares.

Além disso, algumas produções foram digitalizadas, o que facilita o acesso de leitores interessados. Dessa maneira, sua voz volta a circular em espaços acadêmicos e culturais.

Teresa Margarida da Silva e Orta (1711-1793)

Teresa Margarida publicou Aventuras de Diófanes, considerada a primeira obra de autoria feminina em língua portuguesa. Atualmente, universidades no Brasil e em Portugal têm estudado sua contribuição. Portanto, sua relevância no século XVIII não pode mais ser ignorada.

Maria Firmina dos Reis (1825-1917)

Reconhecida como a primeira romancista negra do Brasil, Maria Firmina alcançou destaque com o romance Úrsula. Desde 2017, quando completaria 192 anos, diversas editoras reintroduziram sua obra no mercado. Assim, sua escrita integra projetos educacionais e desperta reflexões sobre liberdade e justiça social.

Nísia Floresta (1810-1885)

Nísia foi educadora, escritora e precursora do feminismo no Brasil. Em 2020, o país celebrou os 210 anos de seu nascimento com eventos acadêmicos e culturais. Além disso, suas ideias continuam atuais, pois inspiram estudos sobre igualdade de gênero e educação.

Narcisa Amália (1856-1924)

Primeira jornalista profissional do Brasil, Narcisa uniu literatura e ativismo político. Seus poemas, reeditados em antologias recentes, permitem que leitores conheçam sua força literária. Desse modo, sua produção confirma o papel da mulher também na imprensa e na poesia do século XIX.

Gilka Machado (1893-1980)

Gilka inovou ao tratar do erotismo de forma direta em sua poesia. Em 2017, parte de sua obra foi republicada pela Editora Demônio Negro, o que ampliou novamente seu alcance. Por isso, hoje ela é considerada uma precursora da liberdade feminina na literatura brasileira.


Essas escritoras esquecidas da literatura brasileira, quando redescobertas, permitem compreender melhor as raízes culturais e sociais do país.

Ao revisitar suas obras, o Brasil não apenas honra sua memória, mas também amplia o olhar sobre a diversidade de vozes que compõem a nossa literatura.

Enfim, resgatar essas autoras significa valorizar a riqueza cultural de uma nação que ainda tem muito a redescobrir em sua própria história.


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