Estes são os autores que entram em domínio público em 2017

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Estes são os autores que entram em domínio público em 2017

 

As obras de H.G. Wells, Gertrude Stein, D.T. Suzuki e do brasileiro Príncipe Pretinho ficaram livres a partir de 1º de janeiro

Todos os anos, no dia 1º de janeiro, celebra-se o Dia do Domínio Público.

É que, nesta data, ficam livres de direitos autorais as obras dos artistas cuja morte completou 70 anos (ou 50, dependendo do país).

Assim, a partir daí, no primeiro dia de 2017, todas as suas obras ficam livres de direitos autorais.

Isso significa que qualquer pessoa poderá reeditar, copiar, reproduzir, fazer alterações e remixes sem precisar pedir autorização ou pagar royalties para familiares ou detentores desses direitos. É uma data comemorada por entusiastas da cultura livre porque ela faz com que obras esquecidas voltem a circular.

Em 2015, “O pequeno príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, entrou em domínio público e ganhou várias reedições – as vendas aumentaram 123% e os lucros, 69%. Em 2016, a morte de Mário de Andrade completou 70 anos e, assim, clássicos como “Macunaíma” ficaram livres de direitos autorais. Como consequência, sua obra foi reeditada e ganhou várias releituras, como uma versão de “Macunaíma” em quadrinhos.

As leis de direitos autorais variam de país para país. No Canadá e na Nova Zelândia, por exemplo, a regra de domínio público é 50 anos a partir da morte do autor. Nos EUA, o período varia de acordo com o ano em que a obra foi produzida. Na maioria dos países europeus e no Brasil, por exemplo, o prazo é de 70 anos, contados a partir da morte do autor. As obras ficam livres oficialmente no primeiro dia do ano seguinte ao 70º aniversário.

Quem cai em domínio público em 2017

H. G. WELLS

ESCRITOR É CONSIDERADO O PAI DA FICÇÃO CIENTÍFICA

Nascido em 1866, o britânico H. G. Wells é considerado um dos pioneiros na ficção científica. Em obras como “A máquina do tempo” (1895), “O homem invisível” (1897) e “A guerra dos mundos” (1898), Wells projetava visões de um futuro e realidades alternativas baseadas no progresso científico. Há distopias sombrias, como “A Ilha do Dr. Moreau” – que trata de temas atuais, como ética animal – e utopias que projetavam sociedades melhoradas (normalmente, por meio da ciência).

GERTRUDE STEIN

GERTRUDE STEIN ESCREVEU OBRAS MUITO À FRENTE DE SEU TEMPO

A escritora americana foi uma das mais importantes expoentes do movimento modernista. Nascida em 1874, ela tinha em seu círculo de amizades personalidades como Ernest Hemingway, Pablo Picasso e Henri Matisse. Seu livro “Autobiografia de Alice B. Toklas” alcançou um sucesso inesperado na época e se tornou uma das obras fundamentais dos anos iniciais do século 20. Lésbica, Stein explorava o tema da sexualidade em obras avançadíssimas para a época. O poema “Miss Furr and Miss Skeene” é considerado um dos primeiros “fora do armário” da história. Em português, ela ganhou traduções por Mario Faustino e Augusto de Campos.

D. T. SUZUKI

O japonês Daisetz Teitaro Suzuki, conhecido como D. T. Suzuki, é considerado o maior responsável pela popularização do zen budismo no ocidente. Ele lecionou na Universidade de Columbia, nos EUA, e traduziu obras em japonês, chinês e sânscrito. Venceu o Nobel da Paz em 1963. É autor de populares obras como “Introdução ao Zen Budismo” (1934) e “Manual do Zen Budismo” (1934). Assista a uma entrevista com ele (em inglês):

MINA LOY

A ESCRITORA, ARTISTA E POETA MINA LOY FOI UMA DAS AUTORAS DO MANIFESTO FEMINISTA

A artista, poeta e escritora britânica foi uma das autoras do Manifesto Feminista, escrito em 1914. Publicou livros de poesia, roteiros, ensaios e fez ilustrações (usando, principalmente, a técnica de colagem). Entre seus admiradores está o T. S. Eliot e a própria Gertrude Stein.

ANDRÉ BRETON

ANDRÉ BRETON FOI TEÓRICO DO SURREALISMO E ATIVISTA ANARQUISTA

O escritor e ativista anarquista e anti-fascista francês é o autor do primeiro Manifesto Surrealista, de 1924. Próximo de vários artistas, ele foi um dos responsáveis pela popularização dessa corrente artística e por sua conceituação teórica. Publicou vários ensaios e livros de poesia.

FRANK O’HARA

CAPA DE ‘THE COLLECTED POEMS OF FRANK O’HARA’, COLETÂNEA PÓSTUMA LANÇADA EM 1971

O poeta, dramaturgo e crítico tem mais de 20 livros publicados. Nos anos 1960, foi o curador do Museu de Arte Moderna de Nova York e figura fundadora da chamada “New York School”, grupo de artistas, músicos e escritores vanguardistas. Sua poesia era solta, informal e celebrava a espontaneidade – e se popularizou somente após a sua morte. Como nos EUA a entrada em domínio público está relacionada à data de publicação e O’Hara publicou a partir dos anos 1930, apenas algumas de suas obras entram em domínio público em 2017.

PRÍNCIPE PRETINHO

O compositor brasileiro foi um dos principais da cena carioca dos anos 1930. Teve canções regravadas por Ataulfo Alves, Dalva de Oliveira, Francisco Alves e Nelson Gonçalves, entre outros.

NOTA DE ESCLARECIMENTO: A primeira versão deste texto não deixava claro que nem todas as obras de Frank O’Hara entram em domínio público em 2017. Isso porque, nos EUA, a entrada tem a ver com a data de publicação das obras, e não com a data da morte do autor. O material foi alterado, para melhor compreensão, às 13h55 de 2 de janeiro de 2017.

Fonte nexojornal.