Exclusivo, Sobre canetas, balas e galinhas por Álvaro Artur

Sobre canetas, balas e galinhas.

 

Em um momento onde milhares berram pelo fim da corrupção em redes sociais, praças públicas ou batendo panelas do alto da segurança dos seus prédios, não tem como ignorarmos a existência de ladrões que estão bem mais perto de nós, longe da praça dos três poderes e imediações.

O ladrão de galinha – habitual frequentador das penitenciárias brasileiras, quando tem o azar de furtar uma ave destas do quintal de alguém considerado “da alta”, vai mesmo em cana. O princípio da insignificância pouco importa, assim como um possível estado de necessidade. Não interessa, nem que ele seja enquadrado em crime de maus tratos contra animais, o importante é que seja feita a justiça e esse elemento de alta periculosidade seja posto em seu devido lugar: atrás das grades, onde deverá ser esquecido para todo o sempre.

Na cidade a galinha perde as penas e ocupa as prateleiras de supermercado em forma de bala, pacote de bolachas, etc, mas o tratamento não muda muito não. Se o ladrão for preto ou pobre, antes de ir para a delegacia, certamente já terá passado por uma pequena investigação/inquérito, realizado por seguranças particulares de forma bastante cortês, em alguma sala fechada do estabelecimento.

Tomar para si algo de outrem, seja um milhão ou uma balinha, é errado. Fora o estado de necessidade e outras variantes onde o sujeito comete o crime para preservar a própria vida, a punição deve existir. Porém, tem que ser democrática! Pretos, brancos, homens, mulheres, ricos ou pobres deviam ser iguais perante a lei.

Por outro lado, se deixarmos de lado a consequência e formos buscar as causas dessa corrupção, mais uma vez temos que falar de educação. Não teríamos tantos casos de furto famélico se o Estado oferecesse condições iguais de estudo para todos. Assim como bem menos balas seriam furtadas das Lojas Americanas se os pais das crianças/adolescentes infratores, ao perceberem a ação ilícita dos filhos, forçassem a devolução do produto ou jogassem o bem ilegalmente adquirido fora e aplicassem um bom castigo. Isso também é educação. E lamentavelmente é uma das que mais está em falta hoje em dia.

Os pais que relevam pequenos deslizes dos filhos estão formando os bandidos de colarinho branco do futuro, ou os ladrões de canetas que agem diariamente nos bancos, lotéricas e similares. Arrebentar uma frágil corrente e subtrair uma caneta disponibilizada para facilitar a vida de todos é falta de cidadania. Provavelmente o ladrão nem usará a caneta, o único “benefício” para ele é achar que está tirando alguma vantagem sobre terceiros, ou em cima do próprio banco. São frutos de pais omissos, que não ensinaram os mais básicos princípios às suas crias. O caráter também é questão de educação, porém, muitos pais não podem ensinar isso aos filhos simplesmente porque é uma herança que também não tiveram.

Não basta pedir prisão para políticos corruptos. O foco está errado! Todos os brasileiros deveriam se unir e clamar por educação. Só assim teremos as próximas gerações com menos corruptos, tanto no governo fazendo caixa 2 quanto no mercadinho da esquina furtando chocolate.

 

 

 

 

Exclusivo, Sobre canetas, balas e galinhas por Álvaro Artur

* (Colaboraçao ao Cultura Alternativa  com texto de sua autoria)