Filme brasileiro O Menino e o Mundo entra na disputa ao Oscar 2016

Filme de Alê Abreu concorre a melhor Animação

A animação brasileira O Menino e o Mundo, do diretor paulistano Alê Abreu (O Garoto Cósmico 2007), entrou para a disputa do Oscar de 2016. É o único filme do país a concorrer ao prêmio deste ano. O diretor, que deu entrevista à ÉPOCA esta semana, afirmou que estava sem expectativa, visto que o orçamento do filme (de apenas US$ 500 mil) é quase 400 vezes menor do que o de alguns concorrentes da Pixar, por exemplo.

“Tivemos um orçamento de US$ 500 mil. Dos 16 pré-selecionados, não tenho dúvidas que o nosso é o mais barato. Nas sessões que a gente participou, as pessoas riam, não acreditavam que foi criado com essa verba. Creio que, da lista [do Oscar], nenhum tenha sido feito com menos de US$ 5 milhões, aí você coloca para cima: filmes de 7, 10, 20, 100 e US$ 200 milhões, que são os da Pixar. Como um filme de US$ 500 mil vai competir com um desses? Suas campanhas para o Oscar já custam 10 vezes mais do que o orçamento do meu filme inteiro”, destacou na entrevista

O filme brasileiro concorre com Anomalisa, Divertida Mente, Shaun, o carneiro e Quando estou com Marnie.

O menino e o mundo reúne, desde sua estreia em 2014, uma lista notável de títulos: são 44 prêmios, incluindo o de melhor animação (pelo júri e pelo público) no Festival Annecy, na França, considerado o maior prêmio da categoria no planeta. A crítica internacional aplaudiu de pé a narrativa poética do garoto rural que sai de sua vida bucólica em busca do pai e descobre, em um caminho de distopia, o caos de uma sociedade desigual e excludente, marcada pelo consumo, pela opressão industrial e pela devastação do meio ambiente.

O cenário é fruto de uma pesquisa anterior ao filme, que serviria para um documentário sobre músicas de protesto na América Latina. A obra não tem diálogos (os poucos trechos falados são em português de trás para frente) e a trilha sonora assume protagonismo tão importante quanto a apresentação visual. Assinada por Gustavo Kurlat e Ruben Feffer, a trilha tem participação do percussionista Naná Vasconcelos e do rapper Emicida.

Em seu perfil no Facebook, Alê Abreu agradeceu, entre outros, à Ancine e às políticas que possibilitaram a realização do filme independente: “Nosso filme nasceu como um grito sincero, de liberdade, de amor, um grito político, latino-americano. Mas sobretudo um grito contra o sufoco que a grande indústria cria aos potenciais artísticos, poéticos, e de linguagem da animação. E acho que este grito ecoou onde precisava ecoar. Um momento importante onde filmes de animação mais autorais concorrem ao prêmio maior da industria de cinema”.

Assista ao trailer: