Flor Azul Galanteios

Flor Azul Galanteios

Flor Azul Galanteios

A mulher, sempre.

A mulher há, três filhas, La Nave vá.

E eu tenho um lado feminino que não sei contar, só sei poetas e refazer o poema, toda vez, toda hora.

Vinho e poemas, neste final de domingo, ouvindo jazz e curtindo a vida.

Começo sempre por ela, elas, e o rio que passa em mim.

E meus barcos seguem, lemes entregues às palavras, nunca mais vou me esconder.

Explicar o poema, nunca, senti-lo, sempre.

O segredo da palavra me envolve.

Sinta os poemas desta noite.

Agnes Adusumilli

É tudo
Sexo, nexo, que acende a luz que há em mim
Seio, cio, jeito infinito da mulher que se diz
E é.
 
Entre flores e jeitos de se contar
Ela conta e reconta
Seu jeito de estar
E estamos, há 15 anos
Debutando olho no olho
Dente, língua nagente
Nos comendo 
Etérea e eternamente
Em alegrias desgovernadas e poesias
Infinitas
Num arco-íris que cobre nossa cama.
 
Entre sedes e aparatos de verdades
Não mentimos
E seguimos um rumo sem rumo
De felicidades
Azuis
Ou de qualquer cor.
 
A mulher
Nela há
E pousado nela
Sigo num voo em castiçais
Que nos refletem mundo afora.
 
Amor à primeira dentada
Mordida
Com sabor de cio e sol
No suor do sal do olhar.
 
Ávido
Te amo
Impávida mulher.

Nilva, Flora e Lili

Entre encantos
O azul da palavra
E finalmente
Uma luz além da lua
Sob signos e sons
Sob sonhos e tons.
 
Elas
E o meu medo
No corpo do giz e do apagador.
 
À Flor do tear
Reconhecimentos desfio
No fio da língua
No alinhavar de estórias
Histórias sob o manto do mar.
 
E trafego
Nas melodias mudas
Que cantam.
 
A noite revela seus pesadelos
Sonhos a me embarcar.
 
E embarcado estou em seco
Querendo desembarcar.

Billah

A joia rara
Espelha as minas de Minas
E Billah colhe peras e maçãs
No suco do poema.
 
Sigo
Profetizando o outono
Na primavera
A ver, haverá
Bola certeira no bilhar
Quando converso com Billah.
 
E na certa
Há uma verve
Que se encanta
Nos horizontes de Belo Horizonte
Bela Billah
Billah é ela
E não sei onde ela está.
 
Está aqui
Sob o manto do meu coração
Que transmuta
E transmuto
A ver, haverá
Ímãs em Billah.

Jane Caneca

Jane é
Sem palavras
Palavras, ela é.
 
Entre rios, olhos e ventos
Que estão por ancorar nossas vírgulas
Jane é
E eu apenas estou
A palavra bate em mim
Não me basta
Ela é.
 
Face e Face
voz a voz
Jane não se esconde
Acontece
E sua vez é agora
Pois
Jane é.
 
Em sendo assim
Eu sou
Deixo estar
E vou
Ela é.
 
Somos a arquitetura da palavra Zoom
Sob ventos e calmarias
Palavra, pá que lavra, o poema.
 
O tema é tudo
A questão está muda
E a resposta dita
Pois
Jane é.

Soninha Porto

Poemas à flor da pele
A pele no suor dos pampas
A esquina, a mina, joia rara da flor
Um porto que não quer me embarcar.
 
Embarco
Não sou de obedecer a trilha
Ou o trafego das mares
Nem tão pouco sou ilha
Que quer apenas o porto para si.
 
Soninha, Sonia, sob a luz da palavra
Sobre a escuridão da vogal
Ou a sombra consciente da consoante
É amante e diamante
Da flor dos poemas
Poemas à flor da pele.
 
E sua pele
E seu cheiro
E seu jeito
Mulher.
 
Me escondo entre andorinhas nos sul
E me apresento sem me apresentar.

Anand Rao

Editor do Cultura Alternativa