GRAZIE, CHIARA, por Paulo Lima

Chiara Civello

Chiara Civello cantora, compositora e pianista italiana cujas composições têm influências claras de jazz e blues.

Não faltam boas cantoras na música italiana, e de ontem vêm nomes como Ornella Vanoni, Rita Pavone e Gigliola Cinquetti, representantes da época de ouro da canção popular na Itália.

Mas la nave va, e a tradição das grandes intérpretes continua naquele país. Chiara Civello é uma das que carregam a bandeira da canzone.

Chiara Civello

Em sua apresentação no Sesc Consolação, a cantora, compositora e instrumentista mostrou o porquê de ter conquistado o público brasileiro.

No show “Eclipse”, nome de seu novo álbum, a pequena ragazza romana mostrou um imenso talento construído a partir das mais finas referências musicais não apenas do Brasil, não apenas de seu país, mas de outros países, onde quer que se tenha feito música de qualidade.

Iniciando o show na guitarra, Chiara cantou a bossanovizada “Come vanno le cose”. E as coisas foram muito bem, com um arranjo ousado em que a batida de raiz da bossa sofreu variações atonais e distorções dignas de música eletrônica.

De imediato, vê-se que a cantante é também uma desbravadora que parte da tradição para atingir algo genuinamente novo. Mesmo ao explorar um tema consagrado como “Parole, parole”, imortalizado pelo dueto Dalida/Alain Delon, Chiara Civello transforma em sua a antiga canção.

Chiara Civello

No show as surpresas se excederam, com uma boa representação do Brasil. A versão italiana para “Volta”, um dos clássicos de Lupicínio Rodrigues, é um primor de romantismo. “Me apaixonei perdidamente pela música”, derreteu-se Chiara, num português quase sem sotaque.

(É necessário abrir um parêntese para mencionar a beleza do acompanhamento dos músicos também italianos Seby Burgio, nos teclados e piano, e Federico Scettri na bateria.)

Numa sintonia perfeita, Chiara e sua pequena banda cantaram ícones italianos, como Pino Daniele e sua bela canção “E po’ che fà”, sucesso no Brasil na gravação de Marisa Monte, e Ennio Morricone, de quem cantou o tema principal do filme “Metti una sera a cena”.

Na segunda parte do show, Chiara despojou-se de parte de seu modelito e sentou-se ao piano, mais uma faceta de sua versatilidade, dançou samba e deu autógrafos, alcançada pelos braços de duas fãs mais espevitadas.

O bis foi italianíssimo, com “Il mondo”, a belíssima canção de Jimmy Fontana, e “Io che amo solo te”, o hino romântico de Sergio Endrigo. E, encerrando, um linda versão italiana de “Sentado à beira do caminho“, de Roberto Carlos.

Foi uma apresentação não somente para os fãs da canção italiana, mas da sensibilidade e beleza de uma grande artista. Grazie, Chiara.

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