Hipnose e Sistema Imunológico: qual a relação?

Hipnose e Sistema Imunológico

Hipnose e Sistema Imunológico: qual a relação?

Parece coisa de outro mundo, não é mesmo?

A hipnose por si só já é um tema que gera bastante polêmica e carrega consigo uma série de mitos que todo hipnoterapeuta, no início de sua consulta, precisa desconstruir e esclarecer em detalhes para o seu cliente. 

Mas será que existe alguma correlação entre hipnose e o sistema imunológico? Poderia a hipnose impactar tanto assim a nossa fisiologia?

A resposta para esta pergunta é sim: elas estão relacionadas e podem trazer muitos benefícios para você, inclusive melhorar sua saúde física. Para tanto, vamos sair dos ‘achismos’, aprofundar um pouco mais o tema e mostrar as evidências disso.

Psiconeuroimunologia

A Psiconeuroimunologia ou PNI, investiga as ligações entre o Sistema Nervoso Central (SNC), comportamento e sistema imunológico, tudo isso para compreender as implicações que estas ligações têm na nossa saúde física e nos processos de doença.

Historicamente falando, teorias e ideias da correlação entre a mente e as doenças já era abordada pelos antigos filósofos como Hipócrates, mas foram os cientistas Robert Ader e Nicholas Cohen, em 1981 que aprofundaram os estudos numa longa pesquisa que concluiu que o cérebro e o sistema imunológico representam um sistema único e integrado de defesa.

A abordagem da PNI é multidisciplinar: endocrinologia, medicina, farmácia, psicologia, biologia, genética, neurociência, imunologia, reumatologia, psiquiatria… tudo isso para trazer um olhar sistêmico e integrado para o ser humano.

Percebeu-se que o sistema imunológico não trabalha de forma autônoma como se supunha na época do biologismo materialista, compreendeu-se que, os estressores psicossociais diminuem a eficiência do sistema imunológico, o que leva ao aumento de risco a uma doença.

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Tudo nasce na mente

A equação básica do sintoma é bem simples: pensamento gera sentimento, sentimento gera comportamento, comportamento gera resultado; ou seja, tudo nasce na mente. O maior impacto no sistema imunológico está, sem sombra de dúvida, nos fatores estressores (sejam eles internos ou externos) e em como lidamos emocionalmente com eles.

O stress não é um vilão, embora muitas pessoas pensem assim, é graças a ele e à nossa capacidade adaptativa que foi possível evoluirmos e nos perpetuarmos enquanto espécie humana. Estudos de Hans Selye (1964) mostram três fases principais em como o organismo lida com os fatores estressores:

Fase 1 Alarme: o corpo reconhece o estressor e ativa o sistema neuro endócrino. As glândulas adrenais começam a produzir e a liberar hormônios do stress (adrenalina, noradrenalina e cortisol). A função dessa resposta fisiológica é preparar o organismo para ação, que pode ser de luta ou fuga ao stress.

Fase 2 Adaptação: o organismo repara os danos causados pela reação de alarme, reduzindo os níveis hormonais

Fase 3 Exaustão: se o efeito se prolonga, pode provocar o surgimento de uma doença associada a condição estressante.

Os estudos da PNI mostraram ainda que doenças como hipertensão, dermatites, diabetes do tipo 2, doenças autoimunes, gastroentereológicas, dentre outras, se agravam significativamente em pacientes acometidos de problemas emocionais como a depressão e a ansiedade.

Um estudo realizado na universidade de Harvard testou a eficácia em uma ampla gama de distúrbios, incluindo dor, hipertensão arterial e asma. O resultado foi impressionante: cerca de 30 a 40% dos pacientes obtiveram alívio pelo uso de placebo (Amaral e Sabbatini, 1999).

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Os impactos que isso causa

De modo geral, podemos dizer que nosso organismo está muito bem adaptado para lidar com o stress agudo, desde que ele não perdure por muito tempo, ou ocorra com muita frequência.

Quanto menos eficientes forem os mecanismos mentais e cognitivos do indivíduo para sentir, falar e agir, mais o sistema corporal (somático) será utilizado para expressar emoções dessas diferentes formas, que podem ser prejudiciais a longo prazo.

A atitude mais “adequada” (se é que podemos chamar assim) para lidar com a situação estressante seria a de encará-la de maneira objetiva e consciente, usando mecanismos como a discussão, reflexão, elaboração e superação.

No entanto, nem sempre essa atitude é possível, neste sentido nascem os problemas pois usamos de outros mecanismos para administrar o impacto negativo que a situação nos causa: forma mental (fantasiar, negar, racionalizar demais), forma emocional (deprimir-se, agredir, culpar os outros, ou culpar-se, chorar, gritar) e formas disruptivas (isolar-se, drogar-se, autoagredir-se, comportamentos compulsivos como comer demais, beber demais, trabalhar demais, etc.).

Onde a hipnose entra nisso tudo

Primeiramente gostaria de reforçar que a hipnose é um estado natural da mente, fomos biologicamente programados para entrar em transe, trata-se de um momento no qual a mente está focada numa atividade específica.

Seja na hipnoterapia clínica com o auxílio de um hipnoterapeuta qualificado, seja no auto hipnose individual, o estado de transe pode ocorrer de forma espontânea ou induzida.

Dependendo da habilidade e estímulo, podemos atingir diferentes níveis em termos de profundidade, que podem variar do transe mais leve (similar ao que atingimos quando estamos absortos numa leitura por exemplo), transes medianos como no estado de sonambulismo, até os mais profundos como o famoso “estado de Esdaile”.

Fisiologicamente falando, o estado de transe desencadeia uma série de impactos positivos no corpo: diminuição da pressão arterial, frequência cardíaca, relaxamento muscular, inibição de neurotransmissores do stress como o cortisol, adrenalina e noradrenalina e a estimulação de outros neurotransmissores que desencadeiam a sensação de bem-estar como a serotonina por exemplo.

Além disso, o estado de transe permite ‘escapar’ dos padrões de comportamento e respostas condicionadas previamente aprendidas, permitindo a formulação de novas maneiras de perceber o eu e o mundo. É possível criar novas redes neurais modificando uma resposta negativa a um estímulo e através de novas sinapses, tendo reações mais saudáveis a estes mesmos estímulos.

Afinal, os estudos de hipnose e neuroplasticidade já mostraram por A+ B os inúmeros resultados que a prática traz tanto para questões de ordem emocional e até mesmo questões de ordem física.

Hipnose – Como colocar isso em prática?

Em se tratando da hipnose, a melhor maneira parar lidar com as questões emocionais que minam o seu sistema imunológico é através da hipnoterapia. Um bom profissional será capaz de identificar os gatilhos, auxiliar nas ressignificações e principalmente, no trabalho psicoeducativo para que nunca mais você precise estar à mercê de padrões negativos em sua vida.

Contudo, especialmente agora que estamos em período de isolamento social, isso pode trazer um desafio maior. Por isso uma das ferramentas da qual você pode se beneficiar neste momento é a prática da auto hipnose. Mas, atenção. Existe muito material disponível por aí na internet que não traz orientações adequadas para um bom resultado. Por isso é importante que busque fontes confiáveis que te ajudarão no processo.

A auto hipnose é simples e assim como qualquer outra prática, melhora com o tempo e frequência com que você pratica.

Algumas dicas podem ajudar:

Procure um lugar calmo e tranquilo onde você não seja incomodado ou interrompido.

Faça um script das principais sugestões e ‘comandos’ que você quer dar para o seu cérebro.

Nesse script use uma linguagem simples com frases afirmativas, no tempo presente e descarte o uso do ‘não’ e seus derivados. Ex: “não me sinto ansioso”

Grave um áudio com sugestões de relaxamento físico que irão induzi-lo ao nível de transe (veja um tempo que seja bom pra você). Na sequência grave o script de sugestões feitas e depois termine o áudio com frases positivas do tipo “vou abrir os olhos me sentindo muito bem. Você pode até incrementar com alguma melodia de fundo que aprecie.

Pratique sem moderação! Nunca vi alguém ter overdose de auto hipnose.

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Mas não é só isso…

Agora você já entendeu quanto nossas emoções, percepções e comportamentos impactam diretamente na nossa saúde mental e física e os benefícios incríveis que a hipnose pode trazer.

É evidente que não podemos simplificar e generalizar dizendo que todos males que acometem o ser humano são de ordem emocional, da mesma maneira, não podemos vê-los apenas do ponto de vista fisiológico, sem considerar a complexidade que é o ser humano.

Por isso é importante que você se cuide em todos os sentidos: alimentação saudável, exercícios físicos, dormir bem, ter atividades prazerosas, cuidar da sua espiritualidade e do seu corpo. Essa sim é a melhor receita para ajudar o seu sistema imunológico no desafio de defender a sua parte física.

Sabrina Amaral é psicóloga e hipnoterapeuta Omni, practitioner em PNL e coach da mente. Membro IBHEC (International Board Of Hypnosis Educational & Certification). Pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas, especializou-se em Transe Conversacional com Elisabeth Erickson, Neurociência aplicada ao comportamento humano e Psicologia Positiva.

Hipnose e Sistema Imunológico

Acredita que o sentido da vida é encontrar o seu dom, e o propósito da vida é oferecê-lo, por isso, atua há 20 anos com desenvolvimento humano. É empresária e fundadora da Epopéia Desenvolvimento Humano, embaixadora da Rede Mulher Empreendedora em Campinas e voluntária na Humanitarian Coaching Network que provê serviços de coaching para líderes da ONU e UNICEF.

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