Humanização de Espaços – Por Marcio Henriques (Arquiteto).

Reflexão a partir das intervenções nos espaços da Redação do Cultura Alternativa.

As expressões “Arquitetura de Interiores”, “Design de Interiores”, “Decoração”, “Ambientação” dentre outras, podem ser consideradas sinônimos dependendo da abordagem técnica ou mesmo leiga.

Porém prefiro fazer distinções entre os termos e tratar de forma sutil e personalizada cada situação, da mesma forma como abordamos os nossos projetos. É o caso do Anand e da Agnes.

Os diretores e redatores do Cultura Alternativa são intelectuais com personalidades bem diferentes. Enquanto o Anand está mais para Dionísio ou Baco, cheio de energia e agitação, Agnes é mais observadora, organizadora, como Héstia ou Vesta.

Para o Anand, uma escultura de um leopardo negro, com os músculos tensos e prestes a dar o salto sobre sua presa (no bom sentido figurado é claro !) tem tudo a ver na sua mesa de trabalho. Ali ele faz parte de sua mandala pessoal, ajuda a nutrir e criar novas idéias, a ser cada vez mais ousado, a não ter limites. E uma vez inspirado e abastecido sua energia se transforma em música, poesia, performances e textos vigorosos.

E o ambiente da Agnes é mais meditativo, mais minimalista, mais neutro, favorecendo a inspiração que vem de dentro de si mesmo. Quadros a lápis, cortinas leves em tons de lilás, canto dos pássaros, uma fonte de água são a medida perfeita.

Assim, minha abordagem é sempre no sentido da “humanização” dos espaços. Procuro, nos projetos de espaços corporativos (ou ambientes de trabalho) trabalhar um layout mais “orgânico”, mesmo sendo uma sala ou a sede de uma empresa pública ou privada.

É uma abordagem conceitual, mais trabalhosa para quem projeta e que traz resultados que os próprios usuários conseguem compreender e interferir, como é o caso da Redação do Cultura Alternativa, que são espaços de trabalho flexíveis, multimídia, de criação e de produção, com usos e atividades sobrepostas.

E aqui vão algumas dicas :

– uma das abordagens é criar um ambiente neutro, estabelecendo um elemento, uma cor, um layout como ponto de partida para a humanização daquele espaço

– planeje sempre pensando em conjunto com a iluminação, seja ela natural e/ou artificial

– plantas humanizam o espaço, além de contribuir para a purificação do ar, frescor e vida

– imponha limites para o seu projeto, não aja sempre por impulso, principalmente na hora de comprar objetos e obras de arte

– se estiver em dúvida sobre que obra de arte adquirir, invista em fotografias. A leitura do conteúdo emocional das fotos é sempre mais imediata, o que contribui para a humanização

– fotos, quadros, murais não precisam estar necessariamente nas paredes, podem estar apoiados sobre móveis e mesmo sobre o piso

– consulte o seu arquiteto para que os limites entre o bom gosto e o kitsch não sejam ultrapassados

Marcio Henriques

Proprietário Henrix Arquitetura

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E-mail – henrix.marcio@gmail.com