Idalina Carvalho, mulher, escritora atuante que reside em Cataguazes

Idalina Carvalho

Foi uma honra entrevistar esta escritora

Idalina Carvalho estava fazendo um sorteio via internet, com transmissão ao vivo pelo Facebook, quando nos interessamos em fazer esta entrevista. Tempos atrás tivemos contato com ela pessoalmente em Cataguazes, em evento organizado por Wilmar Silva e pelo escritor Ronaldo Werneck. Hoje, o mundo é pequeno e a internet nos uniu. Esta entrevista foi feita via Facebook.

Idalina Carvalho, é um prazer te entrevistar via Facebook. Primeiro fale um pouco para o nosso público quem é Idalina Carvalho. Fale um pouco da sua formação. Não copie e cole currículos, seja natural e espontânea.

Nasci pobre, de pai pedreiro e mãe costureira. Tínhamos muito pouco, mas a casa era repleta de livros, revistas. Desta forma,  através da leitura eu conseguia imaginar o mundo. Como grande parte das adolescentes pobres, casei cedo, antes de terminar os estudos, aos 18 anos. Iniciei minha vida acadêmica depois da separação, quando já tinha meus filhos. Tenho no meu currículo uma graduação em Letras interrompida duas vezes por dificuldades de pagar mensalidade da faculdade.  Consegui ingressar numa universidade federal aos 49 anos e depois disso prossegui: bacharelado e licenciatura em Filosofia, especialização em Filosofia, Cultura e Sociedade, mestrado em Ciências Sociais – todos os cursos pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Meu campo de pesquisa é o sistema punitivo, com ênfase nas populações encarceradas. Os livros publicados: “Quase pecado” (2001), “Meandros” (2010), “Beijar, ficar e outros verbos adolescentes” (2014) – os três no campo da literatura, sendo os dois primeiros de poemas e minicontos e o último traz uma novela juvenil.   Por último, lancei o “Criminalizar para punir – a dinâmica de neutralização da juventude pobre e negra no Brasil”, que já se insere no campo da Filosofia Política. Pensaminto circulou entre 1994 e 2000.

Já que falou dos livros de forma adiantada, não havia perguntado ainda sobre a questão, informe se você ganhou prêmios literários ao longo da vida, quais, e se faz parte de Sindicato ou Academia de Escritores?

Nunca participei de concursos ou fui premiada de alguma forma. Também não participo de sindicato ou academia. Só concorri ao edital da Lei Municipal de Cultura Ascânio Lopes (Cataguases-MG) para a publicação do meu livro “Beijar, ficar e outros verbos adolescentes”, sendo aprovada. O livro foi lançado no dia 15 de março de 2015.

Como seus trabalhos são comercializados? Onde são vendidos? Se puder envie todos via correio para a caixa postal do Cultura Alternativa ok? Aguardo sua resposta.

Os primeiros livros estão com edição esgotada. Comercializo os livros através de  participação em eventos organizados por escolas, feitas literárias ou seminários da área que envolve a minha pesquisa (Ciências Sociais, Direito, Filosofia política). A instituição organizadora do evento adquire um número de livros e eu compareço para ministrar cursos ou palestras, conforme acordo prévio. Entretanto, também é possível adquirir o livro diretamente a partir de contato comigo ou ainda a versão digital, que estará disponível a partir da  próxima semana pela livraria Saraiva. Envio sim. No site tem a caixa postal, não tem? Se preferir, envie por aqui  os dados e mando os livros para você, com exceção do primeiro que esgotou totalmente mesmo.

Tenho um outro trabalho com livros: sou organizadora da antologia poética POETAS DA LIBERDADE, com participação de 47 homens que cumpriam pena no presídio de Cataguases em 2013. Depois do lançamento desse livro, outros dois homens continuaram me entregando textos, que decidi reunir e, com apoio financeiro de professoras da escola prisional, puderam ser publicados: TAPA DE LUVA (poemas de Cleiton Zulato) e LIÇÕES DE PRINCIPIANTE (Textos filosóficos de Marco Aurélio Machado).  Tenho um site simples que reúne artigos que produzi na universidade nos últimos 7 anos (estou postando aos poucos) e informações sobre os livros e a pesquisa.  Ou seja, eu estendi esse gosto pela leitura e pela produção literária para o campo da minha pesquisa, incentivando, dentro do presídio de Cataguases, a prática da produção de textos literários como forma de ressignificação do eu a partir da escrita. https://estudosobreocarcere.wixsite.com/idalinacnunes

Encontrei nas Ciências Sociais o meu espaço literário no campo da Antropologia. Na segunda quinzena de março será lançado o meu próximo livro:, intitulado: À PORTA DAS CELAS: relatos de um diário de campo.

Alguma coisa ficou pendente que gostaria de falar nesta entrevista?

Não. Agradeço ao Cultura Alternativa pela entrevista.

Anand Rao

Editor do Cultura Alternativa

www.culturaalternativa.com.br