Lentilha: do Brasil para a Índia?

Lentilha - Cultura Alternativa

Lentilha: do Brasil para a Índia?

A lentilha (Lens culinaris) é um dos alimentos mais antigos da humanidade. Desde aproximadamente 7000 a.C., essa espécie já era cultivada no Sudoeste da Ásia.

É uma leguminosa de alto valor alimentício, importante fonte de proteínas, vitaminas e minerais como cálcio e ferro, que possui em sua constituição os aminoácidos essenciais isoleucina e lisina.

A ingestão de alimentos ricos em fibras, como as lentilhas, ajuda na perda de peso; as fibras, além de melhorarem o processo digestivo como um todo, proporcionam a sensação de saciedade.

Esse grão é bastante versátil na preparação de pratos, sendo de mais fácil cocção e de maior digestibilidade que o feijão.

A lentilha é uma ótima opção para pessoas com restrição alimentar relacionadas ao consumo de proteína animal e à intolerância ao glúten. Existe uma demanda crescente de proteína vegetal por segmentos que buscam alimentos saudáveis ou alternativas para pessoas celíacas e em dietas vegetarianas e veganas.

Nesse último aspecto, observa-se, no mundo todo, um crescimento expressivo de produtos “plant-based”, como hambúrgueres, salsichas, nuggets, ovos, entre outros, à base de pulses (leguminosas de grãos secos), incluindo a lentilha.

Lentilha

Consumo e produção no Brasil

Embora a lentilha seja um alimento importante na base alimentar de vários povos, esse grão é relativamente pouco conhecido e ainda menos consumido no Brasil, sendo que boa parte da população consome apenas em datas específicas, como no Réveillon.

Em nosso país, consome-se principalmente a lentilha de grão graúdo, tegumento (casca) verde-acinzentado e cotilédone amarelo, vendida na forma de grão inteiro com casca, embora outros tipos possam ser encontrados em lojas especializadas.

O Brasil tem importado a totalidade da lentilha destinada ao consumo. Em 2021, o país importou cerca de 15,6 mil toneladas no valor de US$ 13,7 milhões (SECEX, 2022), principalmente do Canadá, um dos maiores produtores e exportadores de lentilha do mundo.

Lentilha - Cultura Alternativa

Lentilha

Consumo e produção na Índia

Como uma parcela significativa da população indiana é vegetariana, as pulses tem um papel importante no fornecimento de proteína, embora o consumo de proteína na Índia seja bastante baixo quando comparado com as recomendações da OMS.

A lentilha é uma das pulses mais consumidas na Índia. Nesse país, a lentilha de cotilédone laranja, chamada também de lentilha vermelha, é muito popular e é a mais consumida, mas podem ocorrer importações de lentilha verde para fazer mistura com outros grãos, como o guandu, por exemplo.

A denominação local para lentilha nesse país é Masoor (Mansur), e é comercializada principalmente na forma de grão partido sem tegumento (após o processamento, com a retirada da casca e divisão do tegumento – cotilédones), sendo que o nome do principal prato da cozinha indiana – Masoor Dal – é a lentilha cozida com especiarias, mas o produto é utilizado em outros pratos, inclusive doces, ou também na forma de farinha.

A lentilha, quando cozida, se desintegra formando um purê grosso, seco e de cor amarelada e, por isso, é usada principalmente para o preparo de purês, sopas e pratos indianos como dhals, sendo seu sabor realçado pelo uso de temperos e especiarias.

A Índia é o segundo maior produtor mundial de lentilhas, com 22% da produção mundial, atrás do Canadá, com 38% e à frente da Austrália com 9% (FAO Stat, 2019).

A lentilha é uma cultura de inverno na Índia, sendo os estados produtores mais importantes Madhya Pradesh e Uttar Pradesh, que respondem juntos por dois terços da produção indiana.

A produtividade obtida na Índia é baixa, inferior a 1.000 kg/ha, e nos últimos anos, tem-se observado uma redução da área plantada com essa leguminosa.

Mercado em Potencial

O fortalecimento da pesquisa voltada para o desenvolvimento de novas cultivares, bem como a geração de tecnologias e informações sobre o sistema de produção de lentilha, pode tornar o Brasil um exportador do grão para a Ásia, além de consolidar o mercado interno e oferecer alternativas aos agricultores brasileiros ao ampliar o leque de potenciais ganhos econômicos.

Fonte: Embrapa Hortaliças