Lições de Ariano Suassuna para vida

Ariano Suassuna

Ariano Suassuna. Escritor, romancista, dramaturgo, ensaísta, poeta, professor. E acima de tudo um brasileiro. Um brasileiro apaixonado pelo chão que nasceu. Que pisou desde criança.

Suassuna, que nasceu em João Pessoa em 16 de junho de 1927 e morreu no Recife em 23 de julho de 2014, é um dos maiores nomes da cultura brasileira. Autor de dezenas de peças, livros, poemas

Ficou mundialmente conhecido pela sua obra “O Auto da Compadecida”. Falar da grandiosidade de Suassuna é ponto pacífico. No entanto, esse sertanejo com orgulho, com sua sabedoria inata e adquirida. Com sua experiência de vida e sua essência. Nos presenteou com inúmeras lições de vida.

Elenquemos dez delas. Poderiam ser vinte. Cem. Na verdade, a sabedoria de Suassuna não pode ser medida. Suassuna é um Cervantes brasileiro do Sertão. Assim como o autor de “Dom Quixote”, o qual tanto admirava, nunca será esquecido. Está eternizado.

Lição 1 – Não ter vergonha da terra onde nasceu. Mas sim amá-la, propaga-la e lutar para melhorá-la. Assim aconteceu com Suassuna. Dizia que a Paraíba era sua terra materna e Pernambuco sua terra paterna. Vestiu a camisa do ser brasileiro raiz.

Lição 2 – Assumir sua identidade. Um brasileiro que bateu no peito e não teve vergonha de assumir quem era, de onde era, e o que era. Para o nosso bem.

Lição 3 – Persistência: Muitas vezes foi desacreditado por colegas, autoridades, pela sociedade. Mas persistiu. Persistiu porque não dá para tirar a essência instalada no âmago de um homem como Suassuna.

Lição 4 – Sinceridade. Suassuna era um homem de opinião formada. De conceitos estabelecidos. Quando tinha que falar o que pensava, falava! Mesmo se aquilo desagradasse quem quer que fosse.

Lição 5 – Disciplinado. Desde que, ainda nos tempos de menino, descobriu qual seria seu papel neste mundo, nunca se desviou. Ao contrário. Se aperfeiçoou. Foi disciplinado em sua missão.

Lição 6 – Personalidade: “Não troco o meu “oxente” pelo “ok” de ninguém!”. Uma das mais famosas frases de Ariano Suassuna. Não se curvou à influência euro-americana em sua arte.  

Lição 7 – Certeza da Fé: Um homem certo de sua fé, mas sem as amarras da religiosidade cega.  “Sem Deus, o homem se torna uma besta fera, capaz de atrocidades sem culpa alguma”, disse.

Lição 8 – Amor verdadeiro: Suassuna, sempre quando tinha oportunidade, ressaltava sempre a paixão que tinha por sua mulher, Zélia. Foram 70 anos juntos. Dizia que o dia mais feliz de sua vida foi 06 de janeiro de 1948, quando Zélia aceitou casar-se com ele. Exemplo para a sociedade imediatista e hedonista de hoje. “O encontro com Zélia parece que desatou o nó que havia dentro de mim e ela foi quem me abriu pra beleza e pra alegria do mundo”

Lição 9 – Saber aproveitar a vida. Era apaixonado por futebol, mais especificamente pelo Sport Clube Recife. Sempre que podia, usava as cores do time, preto e vermelho. Descarregava as pressões, pelejas, frustrações vendo os jogos do Leão. Assim como os momentos de júbilo.

Lição 10 – Solidariedade e humildade. Se quisesse, Suassuna tinha tudo para guardar seu talento e sabedoria para si e se engrandecer solitariamente. Pelo contrário. Fez questão de compartilhar seu conhecimento com o mundo. Mesmo sendo um gênio, não se colocava no pedestal. Não precisava. Sua grandeza era mais alta do que qualquer pedestal.

Obrigado, Ariano Suassuna.

A𝓰𝓷𝓮𝓼 𝓐𝓭𝓾𝓼𝓾𝓶𝓲𝓵𝓵𝓲 – 𝓡𝓮𝓭𝓪çã𝓸 𝓭𝓸 𝓒𝓾𝓵𝓽𝓾𝓻𝓪 𝓐𝓵𝓽𝓮𝓻𝓷𝓪𝓽𝓲𝓿𝓪