Mário de Andrade, o poeta aniversaria

Mário de Andrade

Mário de Andrade nasceu em nove de outubro, homenagem do Cultura Alternativa a este escritor dotado de tantos predicados.

Em nove de outubro de 1893 nascia Mário de Andrade, o poeta que era “trezentos, trezentos e cinquenta”

Antiga residência se tornou um museu de sua vida e obra, apresentando aos visitantes suas outras 299, 349 facetas

Muito se ouve de Macunaíma e Modernismo, mas Mário de Andrade fez ainda mais. 

Foi escritor, poeta, cronista, ensaísta, crítico das artes, músico, professor de música, pesquisador, folclorista, fotógrafo, ativista cultural e gestor público. 

Deixou seu legado em todas essas áreas, tornando-se um dos mais importantes intelectuais brasileiros do século XX e um dos fundadores do Modernismo no Brasil. Em 9 de outubro, comemoramos seu aniversário.

Mário de Andrade – Vida

Nascido em 1893, sua paixão pelas artes se iniciou na juventude, quando começou a aprender piano. Em carta de 1940 a sua amiga e ex-aluna de piano, Oneyda Alvarenga – era um verdadeiro aficionado pela correspondência escrita –, Mário reflete: “Que mistério, que intuição, que anjo-da-guarda, Oneida, quando aos 16 anos e muito resolvi me dedicar à música, me fez concluir instantaneamente que a música não existe, o que existia era a Arte?”.

Graduou-se professor de Piano e Dicção em 1917 e fez dessa a sua principal fonte de renda. Recebia seus alunos em casa, em uma sala destinada para isso – a sala do piano. 

O instrumento original segue no local onde Mário residiu como parte da exposição permanente Morada do Coração Perdido. No mesmo cômodo, é possível ver as estantes com banquetas embutidas que ele próprio desenhou.

Motivado por revistas alemãs de arte e decoração, projetou diversos de seus móveis, os quais mandou executar no Liceu de Artes e Ofícios. 

Dentre eles, a mobília de seu estúdio e as suas estantes, dispersas em vários aposentos devido à grande quantidade de livros na sua coleção. 

Alguns destes móveis estão expostos na casa da Rua Lopes Chaves, para onde Mário de Andrade se mudou com a família em 1921 e viveu até sua morte, em 1945.

Mário de Andrade – Exposição

Entre o seu falecimento e a transformação da casa em museu, ela teve outros funcionamentos, não necessariamente relacionados ao escritor. 

Foi reaberta ao público na celebração do 70º aniversário de sua morte, e nesta ocasião se inaugurou a exposição de longa duração com curadoria de Carlos Augusto Calil, A Morada do Coração Perdido. 

A mostra inclui móveis originais da casa, objetos pessoais de Mário – entre eles, os famosos óculos redondos –, diversas reproduções de documentos, fotografias e vídeos.

No térreo da casa fica a sala do piano em que Mário lecionava, sua sala de estudos e o salão principal onde ele recebia seus amigos, célebres modernistas. 

No andar de cima, os antigos quartos da família e o estúdio de trabalho do poeta recebem exposições temporárias. Assim como o porão, que antes abrigava livros, marginalias e periódicos. A antiga residência passou a integrar a Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo em 2018.

A Casa Mário de Andrade oferece visitas educativas gratuitas, podendo ser agendadas ou espontâneas. A proposta do museu é fundamentada na polimatia de Mário e a sua diversificada programação cultural inclui atividades nas várias áreas pelas quais Mário se aventurou: literatura, música, artes visuais, cinema, teatro e gestão e políticas culturais.

Mário de Andrade

Apesar de pouco sabido, Mário de Andrade teve notória participação no serviço público. Foi Diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo entre 1935 e 38, se tornando o primeiro Secretário de Cultura do Brasil; e colaborador do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do governo federal (SPHAN), tendo redigido também o seu anteprojeto de criação, que não pôde ser realizado por limitações políticas e financeiras.

Muito de seu trabalho e pesquisa foi voltado à busca de uma identidade nacional. Mário realizou diversas expedições etnográficas pelo Brasil, nas quais explorou a fotografia. 

Viajou pelas cidades históricas de Minas, pela região amazônica e pelo Nordeste brasileiro, registrando as paisagens, a arquitetura e a população dos locais visitados. 

Lançou a sua obra mais aclamada, Macunaíma: O herói sem nenhum caráter, fundamentando-a nas informações que coletou nessas excursões.

Sua contribuição escrita é vasta. Iniciou a carreira de crítico no jornal A Gazeta, para o qual escrevia sobre música, e colaborou em revistas como A Cigarra, O Echo e Papel e Tinta. Escreveu para o Jornal do Comércio a série Mestres do Passado em 1921 e redigiu para a revista modernista Klaxon em 1922. A maior parte de sua produção, entre críticas, contos, crônicas e poemas, foi publicada no jornal Diário Nacional, para o qual escreveu até 1932.

A participação de Mário no movimento modernista é, talvez, o seu feito mais conhecido. Ainda não célebre, mas já engajado no meio literário e musical, marcou presença no banquete do Trianon em que foi lançado o Modernismo, em 1921. 

Foi apresentado ao público pelo artigo “Meu poeta futurista”, que Oswald de Andrade publicou no mesmo ano. Daí nasceu o famoso Grupo dos Cinco, com Mário, Oswald, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Menotti Del Picchia, frequentadores assíduos da casa na Rua Lopes Chaves.

A Semana de Arte Moderna de 1922, na organização da qual Mário trabalhou com Anita e Oswald, se destinava a divulgar as criações do grupo modernista de São Paulo. 

Além de uma exposição de Malfatti e de outros artistas do movimento, durante os sete dias foram realizadas leituras e palestras sobre arte, música e literatura. Na ocasião, Mário apresentou o esboço do ensaio que viria a publicar três anos depois, A Escrava que não é Isaura, que o firma como um dos principais teóricos do movimento modernista. Também em 1922, o poeta lançou seu segundo livro, Paulicéia Desvairada, um marco na literatura moderna brasileira.

Casa Mário de Andrade
Casa Mário de Andrade

A Casa Mário de Andrade integra a Rede de Museus-Casas Literários da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerenciada pela Poiesis.

Casa Mário de Andrade

Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda – São Paulo

Telefone: (11) 3666-5803 | 3826-4085

Funcionamento: de terça-feira a domingo, das 10h às 18h

www.casamariodeandrade.org.br