Marrocos por Claudia Dias – Fes, Meknes, Volubilis, Chefchaouen

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Depois do deserto e da neve, a viagem continua por Marrocos

Aos nossos leitores do Cultura Alternativa que estão acompanhando a viagem da Claudia Dias pelo Marrocos e já pode conferir as matérias iniciais

 🐫 Organizando e preparando sua viagem para Marrocos

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🐫 A descoberta do Saara

Fes, Meknes, Volubilis, Chefchaouen

Dia 31/01/19 chegamos em Fes, após rodar aproximadamente 1200 km, a partir de Marrakech, em agradável viagem, entre paradas, hospedagens, enfim, tudo que vivenciamos até aqui.

Fes é mais moderna, arquitetura bem diferente de Marrakech, a construção já não é mais em adobe, as casas e pequenos prédios são em cores diferentes das demais cidades, em branco e bege. As mulheres já não usam tanto lenços na cabeça como em Marrakech e no sul do País. Os homens sempre se vestem normalmente, embora muitos ainda usam a Djellaba, que é uma veste longa, com mangas longas, com ou sem capuz.

Hotel – nos hospedamos no Riad Almakan, que são as antigas casas altas e muito decoradas, com belo pátio interno, com fontes, plantas naturais, esculturas, lustres, ladrilhos e cerâmica no chão e paredes, mesas, assentos e chão cobertos com tecidos e tapetes. O quarto tem um pé direito altíssimo, teto todo trabalhado, tapetes e uma das camas é muito grande, com colcha de veludo vinho e bordados dourados, grandes almofadas e recamier com o mesmo tecido, dentre outros móveis, quarto digno de um nobre em seus palácios. Foi muito válida a experiência de conhecer e hospedar em um charmoso Riad.

Os Riads ficam na medina, nas simples e estreitas ruelas, com pequenas portas, mas internamente é surpreendente, há grandes e belas casas ou antigos palácios.

No dia seguinte, em 01/02/2019, após nosso passeio pela Medina, que ocorreu pela manhã, choveu bastante até o dia seguinte quando saímos para Meknes, Volubilis e Chefchaouen. Após o tour pela medina, fizemos um passeio pela parte nova da cidade, de automóvel, pois estava chovendo bastante, mas aproveitamos a oportunidade para ir ao Carrefour para comprar vinhos marroquinos, com ótimos preços.

A cidade de Fes tem a maior e mais antiga Medina do mundo, com mais de 1200 anos, e em sua parte nova tem uma grande avenida, arborizada, que lembra a Champs Elysses, em Paris, e a avenida da liberdade em Lisboa.

A Medina, com seu grande portal azul de um lado e verde do outro, tem mais de 9 mil ruelas, um verdadeiro labirinto, com mais de 150 mil moradores, com escolas, hospital, etc e prefeito próprio. Tem a faculdade mais antiga do mundo, do século IX, com 14 portas, e fundada por uma mulher, chamada Fatima.

Na Medina fica o famoso curtume de Fes, com diversos pequenos tanques redondos para tratar e pintar o couro. Há muitas lojas com objetos de couro, como bolsas, malas, jaquetas, pufes, etc. Há muitos vendedores de carteiras de couro, muito insistentes, que andam pelas ruas atrás da gente, insistindo e cada vez mais aumentando a oferta de carteiras por menor preço. Quem tiver interesse deve observar o material e inclusive o cheiro do couro.

Passamos em lojas de objetos de prata, lindíssimos, como bules, bandejas, copos, objetos de decoração, colares, anéis, pulseiras, etc… tudo trabalhado manualmente, que, segundo o funcionário, dependendo da peça, pode levar até 3 meses para ficar pronta. Tudo na loja é vendido em euros, sendo um anel  por 180 euros, um pequeno bule por 85 euros, com 10% de desconto.

Passamos por loja de lindas pashminas, trabalhadas no tear com seda e algodão, toalhas de mesa e guardanapos bordados manualmente, dentre outros produtos, sendo um guardanapo de boca vendido por 50 dh, uma pashmina por 100 euros. Conseguimos comprar em outros locais, não com a mesma qualidade, mas muito bonitas também, por 5 a 6 euros e outras com trabalho manual por 10 euros.

Visitamos uma produção de objetos de cerâmica, onde vimos todo processo de fabricação das peças e uma loja de encantar de tanta beleza, cheia de objetos já finalizados para venda, porém com custo não muito atraente, pois um prato de sobremesa custou 150 dh, equivalente a 15 euros, e claro, após muita negociação.

Pensávamos encontrar muita coisa bonita, artesanal, com bom preço, pois fomos informados que tudo é produzido em Fes e levado para venda em outros locais. Sim, tudo muito bonito, mas o preço não é tão bom assim, mas vale pesquisar e encontrar coisas com bom preço, após muita negociação com os vendedores.

Ainda na Medina, almoçamos num lindo restaurante típico marroquino, chamado Nejjarine, instalado numa das antigas casas altas e muito decoradas, com muitos ladrilhos, cerâmica, paredes e tetos ornamentados, belos lustres, mesas e assentos cobertos com tecidos ou tapetes. Foram servidas gostosas entradas com batatas, cenouras, azeitonas e o típico pão marroquino e almoçamos um gostoso cordeiro assado.

Em 02/02/19, fomos para Meknes, que fica a 60 km de Fes, e segundo informações, é o maior produtor de uvas e responsável por 80% da produção agrícola do pais. Nesta cidade, no mês de abril, são realizadas a feira e o festival de agricultura. Responsável por quase 90% de toda produção de vinhos do país, 60% de toda produção de azeite, sendo que 100% do azeite produzido no país é para consumo interno, não é exportado. Pedimos para o nosso guia, Rachid, tentar uma visita em uma vinícola, na região de Meknes, mas não conseguimos.

Há uma grande variedade de azeitonas pelo país, cujas conservas as deixam deliciosas, são servidas temperadas, como entrada de qualquer prato, em qualquer lugar, do mais simples ao mais requintado, inclusive no café da manhã dos hotéis. Um pão típico, grande e redondo parecido com uma grande bolacha fofa, é servido em todos os lugares e em todas refeições. Adorei as azeitonas, as laranjas e tangerinas (mexericas) de Marrocos, são deliciosas.

A arquitetura de Meknes também é mais moderna em relação à Marrakech e sul de Marrocos, embora tenha monumentos e a medina que são seculares. É uma das quatro cidades imperiais de Marrocos

Passeamos pela Medina, vimos muitas lojinhas de fios de todas as cores para tecelagem e confecções de ornamentos para roupas e calçados, como as kaftans, as djellabas e babouche. Conhecemos uma casa da medina, que são enormes por trás de uma pequena porta, com área interna, como um riad, atualmente funcionando como um hotel. Vimos a mesquita apenas pelo lado externo, pois estava fechada e não é permitido visitas de turistas. Vimos pelos corredores, ruelas da medina, a tabela com os horários da reza do alcorão, que é variável, pois depende do horário do nascer e do pôr do sol em cada região e época.

Em Meknes visitei um antigo é enorme armazém de cereais e estábulo de cavalos, que possui arquitetura muito interessante para ventilação, conservação dos cereais e vigília dos cavalos. As paredes possuem 4 mts de largura, o que mantém a temperatura bem baixa, os corredores podem ser vistos em curva ou em linha reta, em forma de diversos arcos, o que também propicia a ventilação. Atualmente é usado para visitações, concertos e outros eventos culturais.

Próximo à medina, almoçamos num restaurante típico marroquino, Palais de Ismailia, e comemos uma torta típica, com frango, açúcar e canela, embora não tivesse um sentimento legal sobre esta mistura um tanto exótica, mas valeu experimentar.

Saindo de Meknes vimos grandes plantações de azeitonas pela estrada.

Na tarde deste mesmo dia, fomos a Volublis, que são as ruinas de uma antiga cidade romana. Até Volublis choveu bastante e fez bastante frio, por volta de 8 graus, muito vento e sensação térmica bem abaixo da real temperatura. De lá é possível ver a cidade santa de Mulei Idris, construída sobre o topo das montanhas.

Depois de um passeio pelas ruinas romanas, seguimos para Chefchoauen. Pela estrada vimos grandes plantações de trigo, feijão, azeitonas, numa paisagem belíssima, a perder de vista, parecendo um tapete verde.

Nesta região, a paisagem muda completamente, com planícies e montanhas muito verdes. Vimos muitos rios, como vimos em outros lugares do país, sendo muitos formados pelas geleiras que derretem e formam as corredeiras. A paisagem também é bela, entre montanhas do Rif.

No caminho para Chefchaouen avistamos as montanhas do atlas e suas geleiras. E a temperatura vai caindo.

Ao entardecer, chegamos à Chefchaouen, a cidade azul, devido a cor azul ou azul e branco das casas da Medina. Ainda foi possível tirar uma bela foto da cidade ao acender das luzes. A cidade foi construída aos pés da montanha do Rif, na cordilheira do Atlas.

Estava muito frio quando chegamos, mas o hotel, gentilmente, já deixou o quarto aquecido.

Nos hospedamos no hotel Dar Chchaouen, bem aconchegante e seus funcionários são muito simpáticos. Decidimos jantar no mesmo hotel.

Dia 03/02/19 levantamos, por volta das 8h, com apenas 1 grau, com sensação térmica bem inferior, como ocorreu em todas as cidades por onde passamos. Às 10:30 da manhã, com sol e céu azul, ainda estava apenas 3 graus.

Adorei Chefchaouen, a medina é toda em azul e branco, linda, com uma pequena praça no centro e ao seu redor há cafés e restaurantes. Todas as ruelas da medina têm entrada e saída para a praça, o que facilita a se aventurar pelas ruas e becos da medina, o que não seria possível em Fes, pois certamente ficaríamos perdidas, quando se trata de mais de 9 mil ruelas. Há muito comercio, coisas variadas para venda, e belas casas pintadas em azul ou azul e branco com suas pequenas portas, que parece mais uma pintura em tela.

Também em Chefchaouen, embora pouco, se vê os pés de laranjeiras carregados de laranjas, o que me deixou encantada, pois vimos em várias cidades, principalmente em Marrakech, que é toda decorada com estas laranjeiras, azedas, que não são colhidas, mas podem ser utilizadas para conservas, como no caso das azeitonas, e fabricação de licor.

Em 03/02/19, à tarde, voltamos de Chefchaouen para Fes, encatadas com a paisagem, pelos belos campos verdes, com muitas plantações até onde os olhos podem alcançar, além de rios, uma grande represa, e muitos pastoreios de ovelhas, de ambos os lados da estrada, como se estivesse vendo um filme. Ao longe, as montanhas cobertas de gelo, o que se vê em quase todo percurso de nossa viagem.

No dia seguinte, 04/02/19, decidimos fazer a última visita à medina de Fes, antes de partir do país, foi quando encontramos todas as lojas, restaurantes, lanchonetes e cafés e abertos, fizemos um curto passeio pelas ruas, mais umas comprinhas e, por fim, tomamos o último chá marroquino.

Partimos com o coração apertado, pois Marrocos foi surpreendente e incrível. Gostei muito da experiência, foi fantástico.

Dicas sobre Marrocos

Falando da educação dos marroquinos – aprendem na escola 4 idiomas – a língua árabe, berbere, francês e uma das seguintes línguas: inglês, espanhol ou alemão, mas geralmente optam pelo inglês, por ser uma língua falada mundialmente. Ficamos impressionadas com a facilidade da língua em todos os lugares, pois percebiam logo que éramos brasileiras e falavam conosco em português ou espanhol, o que torna a comunicação mais simples. Em geral o povo marroquino é muito simpático e prestativo.

Compras – é a parte chata, muito chata, é bem desagradável, pois requer negociação o tempo todo, a grande maioria te aborda e é  insistente, e em tudo já colocam o preço bem acima, então tínhamos que pedir descontos e vira um leilão até chegar a um acordo. Nunca sabemos se o preço é justo para eles ou para quem compra.

Para os marroquinos faz parte da cultura, mas espero que um dia isto acabe e ofereçam os produtos pelo preço real, pois esta supervalorização pode prejudicar os resultados dos negócios, uma vez que os turistas já conhecem esta regra e negociam com preços bem abaixo do que pedem. O tempo todo é necessário converter os preços em real e euros, comparar com os preços em nosso país de origem, para ver se a compra vale à pena.

Nas lojas indicadas, onde os turistas são levados, tem muita qualidade nos produtos, mas geralmente é mais caro, então vale à pena pesquisar e comparar, preço x produto, para então tomar decisão.

Independente do lugar, se gostar não perca a oportunidade de comprar, pois poderá não encontrar novamente.

Comércio nas medinas – fomos numa sexta-feira e as lojas estavam praticamente todas fechadas, sendo que no período da tarde todas fecham, mas quando voltamos na segunda feira, em Fes, estavam todas abertas, com muito comercio, da pra ver bastante coisas e pesquisar preços.

Vimos um bom comercio nas medinas de Marrakech, Fes e Chefchaouen.

O clima – no período que viajamos, janeiro e fevereiro, é época bem fria, com chuva e neve, com temperaturas negativas e sensação térmica bem abaixo por causa do vento e chuva, então requer estar bem agasalhado, inclusive com luvas e gorros.

Mesmo com luvas e meias, meus pés e mãos ficavam gelados como picolé, e por estar muitas vezes com as mãos expostas, tive queimaduras no dorso nas mãos. Tive muita vontade de comprar uma djellaba, que são usadas por cima de toda roupa e bem quentinhas, mas o que fazer com isto no Brasil, em Brasília, onde moro, que raramente faz frio.

É muito importante ter um bom creme hidratante, pois o clima é seco e o frio também resseca a pele. Em todos lugares, hotéis, restaurantes, café, dentre outros, há torneiras com água quente, pois a água fica muito gelada, além disto, em todos ambientes há aquecimento, inclusive lareiras.

Gastronomia – os marroquinos adoram cominho e colocam em quase todos os pratos, portanto, tive que aceitar e comer, pois não tinha opção, raramente trazem num recipiente à parte, mas ressaltam muito sobre os benefícios medicinais do cominho para o aparelho digestivo.

Tem muita carne de cordeiro, cozida, assada, churrasquinho, almôndegas, etc, portanto há pratos bem gostosos, a depender do restaurante. Comemos um delicioso cordeiro no Riad Al Makankan, com amêndoas e tâmaras.

Não comem carne suína. Comem bastante cuscuz, mas a forma de fazer e montar é diferente do que conhecemos no Brasil. Há basicamente dois tipos de pratos, tagine de carne com ou sem legumes ou com cuscuz, que vem acompanhado com carne e/ou legumes. Usam pouco sal e pouco tempero na comida, mas usam ervas, como coentro.

Comem bastante legumes, principalmente cenouras. As verduras, legumes e frutas são muito saudáveis e saborosas. Os doces típicos marroquinos são muito gostosos. Raramente vi adoçante pelos hotéis,  restaurantes e cafés, então, quem não pode consumir açúcar, melhor carregar um adoçante na bolsa. Há muitas pâtisseries com pães e doces gostosos ao estilo francês, os croissant e pain ao chocolat são deliciosos, como na França. As azeitonas são as melhores que já comi, são deliciosas e servem, com o tradicional pão e azeite marroquino, como entrada no pedido de qualquer prato, como cortesia. O suco de laranja é o mais gostoso que já tomei em minha vida! Em todos hotéis e restaurantes oferecem água de cortesia.

Os marroquinos não tomam bebida alcoólica na rua, compram e bebem em casa, mas não há nenhum problema para os turistas. Para quem gosta de vinho, é uma oportunidade ímpar para conhecer os vinhos marroquinos, pois ainda não tinha experimentado um vinho marroquino no Brasil.

Internet – Em todos hotéis, restaurantes, cafés, monumentos, aeroporto, dentre outros lugares que frequentamos, tem wifi gratuitamente. Nos automóveis da SirocoTours tem wifi e em todos lugares funciona muito bem. Durante toda viagem com a Siroco Tours tivemos internet. Como eu não sabia destas facilidades, comprei um chip no inicio da viagem, então, tive internet o tempo todo.

Gasto – embora a moeda seja o dhiran, fica mais fácil demonstrar os custos em euros. No final da viagem podemos dizer que o gasto médio diário com alimentação, bebidas e ingressos para visitações foi de 35 euros.

Se considerarmos que nos 03 dias que ficamos pelo deserto não gastamos com jantar, porque já estava incluso no pacote, o gasto diário sobe pra 40 euros para os demais locais. Considerando algumas comprinhas, o gasto sobe para aproximadamente 50 euros dia.

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Fes, Meknes, Volubilis e Chefchaouen/Marrocos – Fotos do acervo da viagem da Claudia Dias ao Marrocos

Publicado por Portal Cultura Alternativa em Segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019