Saúde do homem - Cultura Alternativa

Saúde do homem: a importância da prevenção

Saúde do homem: medo de descobrir doenças e maus hábitos ainda afastam homens da prevenção

Cuidar da saúde do homem ainda esbarra em fatores culturais, medo do diagnóstico e hábitos que aumentam o risco de doenças crônicas.

Embora a prevenção tenha avançado, muitos homens continuam procurando atendimento apenas quando surgem sintomas ou quando o problema já interfere na rotina.

Esse comportamento tem consequências. Dados do IBGE mostram que, em 2024, a expectativa de vida masculina no Brasil era de 73,3 anos, enquanto a feminina chegava a 79,9 anos. Portanto, a diferença entre os sexos permanece expressiva: 6,6 anos.

Para saber em poucas linhas

O Ministério da Saúde reconhece que fatores culturais e sociais interferem diretamente na relação dos homens com a prevenção.

Desde cedo, ideias associadas à resistência, força e dificuldade de demonstrar vulnerabilidade podem contribuir para o adiamento da procura por atendimento.

Além disso, existem barreiras relacionadas ao acesso aos serviços. Por isso, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem busca aproximar essa população da Atenção Primária e estimular o acompanhamento antes que uma doença se agrave.

Segundo o Ministério da Saúde, homens apresentam maior mortalidade por diferentes causas e estão mais expostos a doenças cardiovasculares, respiratórias, cânceres, acidentes e violências.

Saúde do homem

A prevenção não depende somente de exames. Alimentação, atividade física, tabagismo, consumo de álcool, sono e acompanhamento de pressão arterial, glicemia e colesterol influenciam a saúde ao longo da vida.

Nesse contexto, o consumo excessivo de álcool merece atenção. Dados do Vigitel 2023 apontaram consumo abusivo de bebidas alcoólicas por 27,3% dos homens, contra 15,2% das mulheres nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.

Por outro lado, também há sinais positivos. Em 2023, 45,8% dos homens entrevistados pelo Vigitel atingiam o nível recomendado de atividade física no tempo livre, proporção superior à registrada no início da série histórica.

Assim, pequenas mudanças mantidas ao longo dos anos podem reduzir fatores de risco. Parar de fumar, moderar o consumo de álcool, movimentar-se regularmente e melhorar a alimentação fazem parte das recomendações de prevenção das doenças crônicas.

O câncer de próstata permanece como um dos principais temas relacionados à saúde masculina. Para cada ano do triênio 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer estima cerca de 77.920 novos casos no Brasil.

Entre os homens, a doença representa aproximadamente 30,5% dos novos casos de câncer, excluindo o câncer de pele não melanoma.

No entanto, existe uma informação importante que muitas vezes se perde durante as campanhas de prevenção.

O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional indiscriminado do câncer de próstata em homens sem sintomas.

A decisão sobre PSA e outros exames deve considerar riscos individuais e ser discutida entre o homem e o profissional de saúde.

Já sintomas como dificuldade para urinar, redução do jato urinário, aumento da frequência urinária ou presença de sangue na urina precisam de investigação médica.

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Não existe uma lista única de exames que todos os homens devam fazer todos os anos. Idade, histórico familiar, hábitos, doenças anteriores e fatores de risco determinam a necessidade de cada avaliação.

Entretanto, acompanhar a pressão arterial, conversar sobre saúde cardiovascular e metabólica, verificar a situação das vacinas, cuidar da saúde mental e relatar alterações percebidas no corpo são atitudes importantes.

Consequentemente, procurar uma Unidade Básica de Saúde ou um profissional de confiança antes do aparecimento de sintomas pode mudar a relação do homem com a própria saúde.

Mais do que enfrentar o medo de descobrir uma doença, a prevenção permite justamente o contrário: aumentar as possibilidades de viver mais e com melhor qualidade de vida.

Agnes Adusumilli – Jornalista e Editora do Site Cultura Alternativa

Fontes

Ministério da Saúde, Saúde do Homem e Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem.

IBGE, Tábuas Completas de Mortalidade 2024.

Instituto Nacional de Câncer, Estimativa 2026: Incidência de Câncer no Brasil.

INCA e Ministério da Saúde, recomendação sobre rastreamento do câncer de próstata.

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