O arquiteto e o sonho.

Artigo de Marcio Henriques da Henrix Arquitetura.

O Homem, no sentido da humanidade em geral, é um ser biológico, psíquico, parte da natureza e dependente dessa mesma natureza.

Mas solte o Homem na “natureza” e suas chances de sobreviver diminuem dramaticamente. Por algum motivo e em algum momento de sua trajetória, o Homem precisou criar um mundo, um ambiente artificial para sobreviver, utilizando materiais retirados da própria natureza.

Para criar esse mundo o Homem primeiro idealiza. E a distância entre o usufruir e idealizar é grande, principalmente em contagem de tempo.

Mas o que o homem quer usufruir? Quer usufruir de sensações individuais e particulares de segurança, privacidade, exibicionismo, poder, erotismo, relaxamento, estímulos diversos, alegria, conforto, inspiração …

E nesse caso penso que como o homem depende do artificialmente construído para poder usufruir dessas sensações, surge aí o mecanismo do desejo.

O seja, o desejo é a angústia do tempo que se espera entre o idealizar e o sentir. É uma espécie de “adiamento” da felicidade, da plenitude. É um tipo de medo de sair ao encontro do que se deseja, mas nunca conseguir chegar lá.

Nesse ponto faço duas observações.

Primeira: se você tem um desejo de mudar, vá em frente. Não tenha medo. Não adie. Comece imediatamente. Um bom arquiteto é sensível, sabe ouvir atentamente (muito mais do que falar), presta muita atenção aos seus sentimentos e vai dar o melhor de si para ver você feliz e ter os seus sonhos realizados. Esse é o perfil de um bom profissional, não se engane.

Segunda: assim como o Homem idealiza sensações provocadas por um ambiente artificialmente construído e personalizado/individualizado, o arquiteto (que é um tipo especial de Homem) sonha com o tipo ideal de cliente. E o cliente ideal não é o que tem muito dinheiro, pelo contrário, é o cliente que confia nas decisões do seu arquiteto. Que compartilha os sonhos, desejos e ideais para que o arquiteto os traduza em espaços, luz, cores, energia. É o cliente que se torna amigo, que agradece pelas sensações que foram proporcionadas pelas suas intervenções.

Concluo com um compromisso, voltando às duas observações que acabei de fazer, a primeira, de “abertura” e a segunda, de “fechamento” dos trabalhos: o vinho, a cerveja, o whisky ou outra bebida são por minha conta.

Marcio Henriques

Henrix Arquitetura

henrix.marcio@gmail.com