O olhar fotográfico e o olhar da alma

O olhar fotográfico e o olhar da alma

O olhar fotográfico e o olhar da alma

Há uns 20 anos, ganhei este quadro do meu “tio” Anand Rao, editor do Portal Cultura Alternativa. Gostei muito, principalmente por ser algo que tocou a minha essência e por também ter sido uma forma de arte completamente diferente de tudo o que eu já tinha visto: um negativo de uma fotografia, com uma poesia. Lembro que refleti sobre o que ele quis dizer com aquele presente. Na época, eu era uma adolescente, estava naquela bendita fase em que muitos de nós se acham “diferentes” e a identificação com a obra foi então imediata.

Não me recordo de ter conversado com Anand sobre o significado do quadro, mas para mim, ressaltou bastante a questão de enxergar a beleza do que é diferente, a importância de ver com o olhar mais atento o que está diante de nossos olhos e muitas vezes passa despercebido e também observar a beleza daquilo que é ímpar e se surpreender.

No mês passado, postei uma fotografia em meu Facebook e escrevi algumas linhas. Então, Anand comentou que eu deveria discorrer mais sobre o meu “olhar fotográfico” e me convidou para escrever um artigo sobre este tema. Não sou fotógrafa, muito menos escritora, mas aceitei o convite e aqui estou eu. Pensando no que escrever sobre isso, me recordei deste quadro que ele mesmo me deu e me dei conta de que tal objeto traduz exatamente o que penso sobre este assunto.

Acredito que o olhar fotográfico revela muito sobre o olhar interno de cada um. Às vezes, o que parece estranho, diferente a alguém, pode ser espetacular para outra pessoa. Tudo depende dos olhos de quem vê. A fotografia tem o poder de capturar o olhar e a sensibilidade do fotógrafo, em uma imagem, que por si só, é capaz de revelar um pouco da essência de quem a capturou.

Talvez Anand nunca tenha imaginado que esta fotografia que ele fez há mais de vinte anos, tenha falado tanto com minha essência adolescente, que se sentia diferente e que mais tarde se deu conta de que é necessário sempre ver além das aparências e enxergar além do óbvio. O negativo da fotografia me fez refletir sobre a beleza escondida, oculta, mas percebida, através do olhar de quem consegue captar a “beleza ímpar” do que é diferente.Anand, com certeza, é uma dessas pessoas!

Quando o olhar do outro se conecta com o nosso, ocorre um encontro, um reconhecimento da nossa essência. A fotografia, bem como a poesia, tem esse mesmo poder. Agradeço imensamente pela oportunidade de poder compartilhar com você e seus leitores um pouquinho de minha essência, Anand! Que possamos cada vez mais olhar a essência das pessoas e do mundo, ver além das aparências e ressignificar nossas vivências por meio do olhar fotográfico e do principalmente do olhar da alma!

Maria Helena M. Lima Ribeiro.