Os 4 exemplos para você não ter medo de crise.Por Andre Trindade

Quanto pior melhor?

Como tudo começou.

Um dos principais impactos da crise econômica sobre a vida das pessoas e negócios é a retomada da inflação.

Desde o final de 2014 o cenário internacional vinha apresentando indícios de que algo estava por vir.

A Crise Russa com o Rublo despencando junto com a credibilidade dos mercados e levando junto o preço do barril de petróleo, a crise grega, a desvalorização do euro e a subida do dólar, afetaram diretamente os mercados emergentes.

No último dia 22 de agosto foi a vez da banca chinesa, a segunda economia mais poderosa do planeta, ser abalada de forma surpreendente.

Os emergentes enfrentam a fuga de capitais. Quase US$ 1 trilhão saíram desses países, o dobro do que ocorreu após 2008, quando as suas economias se beneficiaram dos preços altos das matérias-primas depois da quebra em série dos bancos, sobretudo nos Estados Unidos e Europa.

Quanto pior melhor, a velha fórmula brasileira.

No Brasil, como se não bastasse a crise econômica, enfrentamos a crise política. As mídias tradicionais capitaneadas por grupos políticos de oposição, viram no cenário mundial, uma boa oportunidade de desestabilizar o governo recentemente reeleito, apostando no “Quanto pior melhor. ”

Desta forma, esperavam diminuir a popularidade do governo e colocar na conta da gestão pública, os motivos da inflação e queda do crescimento. Estratégia que realmente deu certo. Mas apesar da queda de popularidade, a estrutura republicana brasileira atual, com instituições muito mais sólidas do que em 1991, quando houve o impeachment do então Presidente Collor, não mostra sinais ou previsões legais de que o mesmo irá acontecer com Dilma.

Mas o efeito colateral desta briga de galo entre oposição e governo, resultou em uma estagnação econômica e em um mal humor dos mercados. Perdemos praticamente um semestre inteiro.

Culto ao pessimismo e o tiro no pé.

A velha mídia brasileira, ligada a grupos econômicos tradicionais e setores políticos conservadores, foi a grande ferramenta de difusão do pessimismo de mercado, engajando-se em uma campanha com torcida organizada pela crise. Resultado: consumidores, investidores e anunciantes assustados. Foi um tiro no pé.

Basta olhar as receitas de anúncios, que teve queda de quase 10% em relação ao mesmo período em 2014.

Os números demonstram que a crise na mídia tradicional é muito maior do que a crise na economia brasileira como um todo. É como se o PIB da velha mídia encolhesse 8,5%.

Contando os centavos!

Como os consumidores se comportam em tempos de crises.

A sociedade torna-se mais cautelosa e os consumidores e empresas, passam a prestar mais atenção para onde está indo seu dinheiro, então, a cada centavo gasto, existe um conjunto de critérios para decidir para onde vai.

Consequência disso, é que o mercado fica mais criterioso e os clientes mais seletivos.

Com menos recursos, mais valoração da qualidade.

Clientes que compravam muitos itens de um determinado produto, passam a adquirir menos itens, porém buscam os de qualidade superior aos que compravam em tempos de tranquilidade.

Isto afasta a ideia de que na crise o preço se torna o fator mais importante. O que o cliente valoriza é a experiência total que ele tem em relação aos seus fornecedores de produtos e serviços, seja na qualidade, prazo de entrega, embalagem, garantia, pós-venda e vários outros diferenciais que agora passam a ser observados com mais rigor.

Enquanto você está aí assustado, brigando nas redes sociais,

Eles investem bilhões!

Crise? Sim, a Cri$e

Ao mesmo tempo que clientes e anunciantes correram assustados para longe de veículos tradicionais, outros setores os receberam de braços abertos. Como exemplos temos a internet e os canais por demanda.

Case 1 – O Netflix, teve um crescimento de 69% de assinantes brasileiros, sendo o segundo nicho que mais cresce no mundo, o que levou a empresa a anunciar investimentos na ordem de 5 bilhões de dólares em escala mundial, dos quais boa parte será no Brasil.

Não à toa que lançou recentemente sua primeira série brasileira.

Enquanto uns resmungam pelos cantos e perdem tempo choramingando as pitangas, influenciados pela TV e revistas semanais de qualidade duvidosa e imparcialidade imaginária, outras empresas investem pesado. E não param de crescer.

Case 2- O Governo do Distrito Federal: O GDF lançou um edital em agosto de 2015 no seu Fundo de Apoio à Cultura, no valor de 38 milhões de reais só no primeiro bloco e através da Secretaria de meio ambiente, mais 500 mil reais, divididos entre 10 ONGs, para os três dias de evento da Virada do Cerrado em setembro. Ao passo que fez uma complementação de 25% nos recursos para passagens aéreas e diárias.

Pura bondade? Claro que não.

Foi a percepção dos impactos da longa cadeia produtiva que o setor de economia criativa tem na sociedade. Desde o vendedor de palhetas para guitarra, até as grandes estruturas, alimentação, cachês, cursos de qualificação, etc.

Case 3- Rock in Rio: O pessimismo econômico não atingiu os fãs da música e entretenimento. Com ingressos esgotados nas primeiras 04 horas de lançamento, o festival a cada ano traz mais inovações e atrações variadas. Investindo em suas versões internacionais, em 2015 foi a vez de Las Vegas. Além disso, os efeitos positivos se refletem na própria cidade sede. Segundo o Site TripAdvisor, a Cidade Maravilhosa, bate recorde de hospedagens devido ao festival. A produção do festival devolveu 4 milhões de Reais em incentivos fiscais, pois apostou mais na venda de ingressos do que em incentivos da Lei Rouanet.

Case – 4 Youtube: O canal de streaming mais popular do mundo, anuncia a abertura de um escritório na nova zona portuária do Rio de Janeiro, cujo o foco será um centro de treinamento e qualificação, tendo em vista o maior mercado da América Latina ter apresentado crescimento significativo de acessos e de canais.

Mas a empresa notou algo alarmante: a falta de qualidade técnica nos conteúdos postados. Se por um lado a criatividade do brasileiro é um ponto favorável, por outro, a falta de qualidade técnica ainda assusta e aponta que algo é preciso ser feito.

Case Bônus – O treinamento Gravando Bandas, é um curso oficial da Adobe, que se consolida dentro da jornada adobe, série de treinamentos que percorre alguma cidade do país, nas áreas de Design e Vídeo digital. O curso tem conteúdo teórico e prático e visa a qualificação do mercado brasileiro.