Pacarrete, de Allan Deberton, estreia em Novembro nos cinemas

Pacarrete

Pacarrete, de Allan Deberton, estreia em novembro nos cinemas


Longa estrelado por Marcélia Cartaxo aborda questões como a loucura, os desafios de ser artista e o drama da velhice de uma bailarina clássica


Estrelado por Marcélia Cartaxo e filmado na cidade de Russas, interior do Ceará, o aguardado PACARRETE, dirigido por Allan Deberton, ganha data de estreia: 26 de novembro. O filme, que seria lançado em abril deste ano, foi adiado por conta da pandemia COVID 19.

Já coleciona vinte e sete prêmios em festivais de todo o mundo e, com a definição de sua data de estreia, é elegível e pretende concorrer a uma vaga no Oscar 2021, como filme representante do Brasil.

Primeiro longa-metragem de Allan Deberton, PACARRETE aborda questões como a loucura, os desafios de ser artista e o drama da velhice de uma bailarina clássica, que gosta de ser chamada de Pacarrete – “margarida” em francês.

Pacarrete, de Allan Deberton

O filme é livremente inspirado na conterrânea do diretor e demorou 12 anos para ser realizado. Foi filmado em sua cidade-natal, Russas – CE, tentando colocar na tela todas as lembranças da época, do lugar, “de quando ouvi falar dela pela primeira vez”, lembra o diretor. Tornou-se um filme “movido por uma locomotiva de sensações”, ele explica.

“Fico pensando nas inadequações e em como é triste ter que gritar para ser ouvido, para ser respeitado. Quem assiste ao filme sai modificado, eu tenho certeza, pensando em alguém não muito distante…

Pode ser uma vizinha, uma tia, ou um senhor excêntrico. Pacarrete pode ser um estado de espírito. É quando a gente vive quem a gente é”, completa o diretor.

Nascida e criada em Russas, Pacarrete alimentou desde criança o sonho de ser artista e viver a vida na ponta da sapatilha, mesmo sendo de uma cidade conservadora, onde mulher nasceu para casar e ter filhos.

Mas é em Fortaleza que ela conseguiu estar no centro dos holofotes como bailarina clássica e se torna professora de ballet. Com a aposentadoria, ela retorna para sua cidade natal onde pretende continuar seu trabalho artístico, mas só encontra desrespeito à sua arte: em vez de plateias de admiradores e aplausos, ela se defronta com o despeito daqueles que cruzam seu caminho – e a bailarina e professora de outrora se transforma na “louca da cidade”. Arte para que?

Para viver essa mulher que fez da aspiração de ser uma bailarina o objetivo de sua vida, Deberton convidou a premiada atriz paraibana Marcélia Cartaxo (Vencedora do Urso de Prata do Festival de Berlim em 1985, por A Hora da Estrela), sua amiga e colaboradora – ela atuou e fez preparação de elenco do primeiro curta-metragem de Allan Deberton, Doce de Coco.

“O Allan teve muita segurança de me convidar”, diz a atriz, “até mesmo porque eu não sou bailarina e nem tenho esse ouvido da personagem para música.

Pacarrete, de Allan Deberton

A Pacarrete é muito culta: toca piano, fala francês e tem um corpo que fala todo o tempo. Foi um grande desafio de resistência e enfrentamento e fiquei muito feliz porque isso me mostrou que, se eu me esforçar bastante, consigo chegar bem longe”.

Para viver a personagem, Marcélia teve aulas de voz e canto, aprendeu francês e fez aulas de ballet, com a supervisão do coreógrafo Fauller e da bailarina cearense Wilemara Barros.

“PACARRETE é um acontecimento além-filme. É fazer justiça com uma mulher que pedia um palco e dizia, aos berros, que ainda iriam ouvir falar dela. Quando eu vejo a plateia em silêncio, sentindo o filme, tenho certeza de que estão pensando na vida, no tempo que passa rápido e em alguém que passou e não tivemos a oportunidade de pedir desculpas.

Pacarrete é um detalhe importante para a gente prestar atenção. Quando o filme fez sua première em Xangai, no outro lado do mundo, no seu festival mais importante, fico pensando onde a história de Pacarrete conseguiu chegar.

E foi lindo em Gramado, e igualmente emocionante em Russas, na praça, quando a cidade parou para assisti-la”, finaliza o diretor.

SINOPSE

Pacarrete é uma bailarina incomum que vive em Russas, no interior do Ceará. Na véspera da festa de 200 anos da cidade, ela decide fazer uma apresentação de dança, como presente “para o povo”. Mas parece que ninguém se importa…