Fui seduzido pelo espetáculo de música indiana “The Manganiyar Seduction”

The Manganiyar Seduction

Música Indiana, The Manganiyar Seduction.

Um espetáculo onde a música foi infinita e o respeito ao público total.

Quase 40 músicos no palco.

Um dos melhores espetáculos que vi e senti na vida.

Concepção

Poemas cantados por músicos espetaculares.

Várias vozes, vários instrumentos percussivos e harmônicos.

Um maestro que além de conduzir a orquestra, dançava e tocava um instrumento percussivo.

Músicos do Deserto Rajasthani, cujo a concepção do espetáculo é a solidão e a magia da conquista, idealizado por Roysten Abel. 

Nenhuma mulher no espetáculo e pequenos abrigos sobrepostos para exemplificar a solidão, mas, na execução da música a harmonia e união está presentes.

Porque fui

Por ser música indiana. Fui criado ouvindo esta música.

Por estar em busca do novo e quando vi a divulgação pensei em dança e não entendi a arquitetura do espetáculo.

Pensei que ia ver o novo e vi uma bagunça desenfreada.

Tudo que é novo, quero ver, pois, o velho me cansou, leia o texto que fiz sobre os 50 anos da ECM Records.

Neste espetáculo, fui para ver o novo e foi o que vi, nunca vi um show com esta concepção.

O infinito

No texto da decepção fiz questão de dizer que a música hoje para ser boa tem que me trazer o infinito.

Já ouvi técnica, ouvi músicas oriundas de uma massificação midiática, mitifiquei, mas, agora só valorizo a que me faz percorrer o infinto dos sonhos, das magias, da ilusão e da verdade.

E foi exatamente isso que vi neste espetáculo.

Fui ao infinito sob todos os aspectos e não voltei ainda.

Escrevo este texto um dia depois do show e percorro ainda os sons, tons, ritmos, timbres, tudo do espetáculo que vi.

Respeito ao Público

Em determinado momento o maestro percussionista dançarino vira para o público e envolve o mesmo no espetáculo fazendo com que este bata palmas em ritmos diversificados, alguns, outros em contra tempos, enfim, faz com que o mesmo interaja, entre no palco.

Tenho feito isso nos meus espetáculos ao contar histórias e explicar as composições que faço ao vivo.

Isso é realmente importante, o público no palco, envolvido e descobri isto tardiamente.

Fui, tempos atrás, um músico que não trazia o público para o palco, fechado em mim, fazia minhas improvisações.

Aprendi tarde que levar o público para o palco é fundamental sob todos os aspectos.

Luz, Câmera, Ação

Luz, o espetáculo tem luz, e que luz, e que templo de solidão cada espaço no palco.

Câmera, pois, você filmar um espetáculo destes é divino, as imagens, casadas ou privadas, são espetaculares.

Ação, na própria dança do maestro, nas mãos dos cantores evocando a altura da nota, a tonalidade, o pulsar do diafragma, tudo um laço de harmonia, cores e tzão.

Música acima de tudo

Meu Deus, quanta música ouvi ontem.

Harmonias entonando os micro sons indianos.

Ritmos, onde determinado minuto pensei, não há como tocar mais rápido do que isso, do que este tema, é humanamente impossível.

Dinâmica, como tenho aprendido com o canto indiano sobre dinâmica, e Keith Jarret, nos mostrou com seu piano que dinâmica é tudo, é muito importante a agilidade, mas, a dinâmica expressa e conduz a emoção.

A russa e o amigo do metrô

Uma russa sentou do nosso lado, ela dançou e era livre, se encantou com o som que chegou a incomodar nossa editora com sua dança expressando sensibilidade.

O lado medíocre da russa foi quando tentou sentar em outros locais para ficar num lugar com uma visão melhor, ou locais mais caros, mas, não o que havia comprado.

Esta estupidez é uma atitude notória em países subdesenvolvidos e é um desrespeito à produção e ao próximo.

Chegou a sentar em um camarote e o corpo organizacional do espetáculo teve que tira-la, pois, os donos dos assentos chegaram. 

Um espetáculo deprimente para uma representante do país que foi sede da última copa do mundo.

E o nosso amigo do metrô? Subimos no elevador do metrô, cansados de tanto caminhar em Nova York,  subir e descer as escadas deste transporte.

Os elevadores são usados por idosos ou por pessoas que têm limitações na locomoção por deficiência, por estarem carregando malas pesadas e etc.

Foi um erro usarmos o elevador do metrô, estou com 58 e Agnes com 53, ele nos olhou com um olhar de reprovação.

Estava conosco também no elevador um menina jovem, o que causou, tristeza e espécie ao mesmo.

Encontramos este senhor além do elevador do metrô, no elevador do Lincoln Center e na saída, no elevador, onde ele me disse que a esposa não tinha vindo por absoluta limitação de locomoção.

Conversamos depois que critiquei os jovens que quase me derrubaram para entrar no elevador, estúpidos em educação e joviandade.

Nesta noite Deus nos educou com estes dois personagens e agradecemos por isso.

Mais um e ninguém queria sair

No final, o idealizador do espetáculo, Roysten Abel, ovacionado pelo público, por todos, absolutamente, todos os presentes, disse que eles iriam tocar mais uma canção, uma oração para Krishna.

Neste momento todos sentaram, lágrimas me vieram aos olhos e ficamos encantados.

Uma música de cinco minutos, um hino, lenta, espiritual que fazia com que toda a platéia orasse.

Encerram o espetáculo, fecham as cortinas, ninguém quer sair, mas, têm que sair e saem absolutamente encantados.

Você sente, você nota e se emociona e sente que o espetáculo mudou a vida dos presentes.

O Professor

Claro, que meu gurú e mentor da música indiana, meu pai, o Professor Bhaskara Rao, que cantava mantras no apartamento que moro hoje, estava presente.

In memorian, ele estava do meu lado, vivo, intenso, se emocionando como sempre.

Ele estava, sinto, não do meu lado, e sim dentro do meu coração e pulsou comigo e choramos juntos na última canção.

O Professor é meu esteio, minha vida, meu amor e foi uma noite onde estivemos juntos e assistimos  ao espetáculo de mãos e corações dados.

No final, beijei-o, e na oração da última canção ele voou para sua morada, o céu.

A sua morada, mora em mim, mas, não é minha casa

Eu moro ainda neste mundo e estava bem acompanhado de Agnes Adusumilli, esposa, amiga e mulher.

A Acústica e a Cadeira

A acústica do teatro Frederick P. Rose Hall é incrível.

A cadeira, horrível.

A acústica faz com que você sinta o som, o timbre, de cada instrumento.

A cadeira, que você sinta, a dor de cada minuto e momento.

Mas, é assim mesmo em Manhattan, cada metro quadrado é caríssimo e cada nota entoada uma jóia rara.

O preço

Este show que me levou ao infinito foi $35 cada ingresso.

O que me decepcionou $70.

Nunca senti tanto prazer com o dinheiro gasto como no “Manganiyar” e tanta decepção como nos $140 gastos na show de comemoração dos 50 Anos da ECM Records.

You Tube

Abaixo assista uma gravação interessante feita por alguém que assistiu ao “Manganiyar”. Não sei se ainda estará no ar quando você ler este texto, pois, creio é uma gravação alternativa.

Jazz at the Lincoln Center

O Lincoln Center tem na pessoa do pistonista Winton Marsalis o mentor, produtor, agenciador, mas, é óbvio que há uma esquipe por traz disso.

Além deste teatro você tem a sala “The Apple Room” e a Dizzy’s Club Coca-Cola onde vários shows acontecem.

Ah…. Como eu gostaria que as multinacionais fizessem teatros diversos mundo afora para músicos e públicos diversos. Seria mágico.

Mas, fica a dica destas três salas.

Na Apple Room, fomos há tempos atrás, é desconfortável, mas, no fundo da sala não há uma parede, é um vitral enorme com a visão para o Central Park, um verdadeiro poema plástico.

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ANAND RAO Anand Rao

Editor do Cultura Alternativa